27 de mar de 2015

APRENDIZADO - II



VIDA
116 – O homem físico está sempre ligado ao seu pretérito espiritual?
-Como a maioria das criaturas humana se encontra em lutas expiatórias, podemos figurar o homem terrestre como alguém a lutar para desfazer-se do seu próprio cadáver, que é o passado culposo, de modo a ascender para a vida e para a luz que residem em Deus.
Essa imagem temo-la na semente do mundo que, para desenvolver o embrião, cheio de vitalidade e beleza, necessita do temporário estacionamento no seio lodoso da Terra, a fim de se desfazer do seu envoltório, crescendo, em seguida, para a luz do Sol e cumprindo sua missão sagrada, enfeitada de flores e frutos.
117 –A inteligência, julgada pelo padrão humano, será a súmula de várias experiências do Espírito sobre a Terra?
-Os valores intelectivos representam a soma de muitas experiências, em várias vidas do Espírito, no plano material. Uma inteligência profunda significa um imenso acervo de lutas planetárias. Atingida essa posição, se o homem guarda consigo uma expressão idêntica de progresso espiritual, pelo sentimento, então estará apto a elevar-se a novas esferas do Infinito, para a conquista de sua perfeição.
Livro: O Consolador – Francisco C Xavier - Emmanuel

26 de mar de 2015

OS QUE NOS RECEBEM

Questão 289 do Livro dos Espíritos

Não é demais repetir assuntos que dizem respeito ao aprendizado de todos nós. Vamos falar dos que vêm nos receber no além túmulo, ao nos desprendermos dos laços fisiológicos.
Os que nos são afeiçoados fazem todos os esforços para nos ajudar, na medida dos nossos merecimentos, e ainda trabalham na sombra da misericórdia, ambiente farto, cedido pelas mãos iluminadas de Jesus Cristo, para toda a humanidade.
Até para vir nos assistir à chegada na dimensão espiritual, os nossos afeiçoados precisam ter condições, em se tratando da ajuda espiritual; aos de má vontade, os envolvidos no descanso exagerado, acostumados na preguiça, foge-lhes a capacidade de assistir. Ainda aí a lei de justiça é vigorante. A quem está se desprendendo, se tem mérito, o mundo espiritual elevado não descansa para lhe dar todo o apoio de que precisa, desde o corte do laço fluídico que o prende ao corpo de carne até a condução para as casas de recuperação espiritual.
A maior alegria do justo é essa: esteja onde quer que seja, os frutos do seu plantio vêm ao seu encontro, por direito divino, protegido pelas leis de justiça.
Os Espíritos Superiores vão ao encontro dos seus entes queridos que desencarnam, mas, nem sempre ficam visíveis aos seus olhos espirituais. Depende do grau de elevação dos que chegam: se estes estão envolvidos na inferioridade, aqueles assistem ao drama da desencarnação, vêem os que os recebem por sintonia, e oram por eles, para que despertem pelos processos que a natureza sabe cuidar. Sempre recebem pela presença da Luz, e inquietam os das trevas com o ambiente que fazem pela irradiação do amor.
Ninguém fica eternamente nas regiões inferiores. O tempo sabe encarregar-se da ignorância, transformando-a em entendimento. A luz espanta as trevas em todos os rumos, e os agentes de Deus se encontram em toda parte, como sendo o amor do Criador assistindo à criação.
Trabalhemos na ordem do Universo, conservando a paz onde quer que seja. Preparemo-nos todos os dias para que todos possam, na chegada ao mundo espiritual, encontrar companhias compatíveis com os sentimentos elevados que cultivarem na estrada espinhosa do mundo físico. Jesus, quando nos exortou a tomarmos a nossa cruz e segui-Lo, quis nos mostrar os nossos deveres ante a vida que nos convida para a luz. O trabalhador que cumpre seu dever é digno do seu salário.
O Espírito que deixou na Terra um rastro de inquietações terá multiplicadas essas inquietações, pois que elas o acompanham no além-túmulo. Se a revolta assomar em seu coração, elas crescem mais, colocando-o em maiores dificuldades, e somente a volta à Terra em caminhos difíceis poderá suavizar seu fardo, para que ele mesmo cuide de transformar seus sentimentos.
O Espiritismo com Jesus torna-se uma ligação verdadeira do céu à Terra, por onde podemos receber as mais elevadas lições do que deve ser feito para a viagem de retorno ao mundo dos Espíritos Se o homem tem impulsos de guerra vibrando dentro de si, é preciso que mude de rumo, e lute consigo mesmo, porque será somente vencendo as suas inferioridades que entrará no reino da luz, ao passar pelas portas do túmulo. Os que nos recebem nesses momentos, na porta estreita, sentirão a alegria dobrada, a satisfação de verem juntar-se a eles mais uma luz para o bem comum.
Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez.

25 de mar de 2015

PENSANDO EM VOZ ALTA...


JESUS SERIA FILHO UNIGÊNITO, OU PRIMOGÊNITO DE DEUS?

Inicialmente, peço a vocês que me desculpem pela ousadia, pois sempre pensei que qualquer discussão em torno da genealogia espiritual de Jesus Cristo, inclusive de Sua natureza, não passa de mera especulação de pobres batráquios a respeito do Sol...
Não obstante, a questão da
Unigenitura de Jesus, bem como de sua Primogenitura, sempre vem à baila, e, embora eu não passe de um batráquio imerso no charco, não consigo evitar a minha admiração pelo brilho do astro-rei.
Afinal, segundo o raciocínio espírita, Ele seria Filho
Unigênito, ou Primogênito de Deus?!
Para os menos afeitos a tais conceitos, vamos lá.
Unigênito, segundo o dicionário, significa único Ser gerado (no caso de Jesus, Filho único de Deus). Então, claro, nós, os demais, seríamos bastardos, ou, para nos servirmos de terminologia mais leve, adotivos!
E
Primogênito?! O que significa?! Ainda segundo o dicionário, quer dizer o “primeiro” – o seu primeiro filho gerado, por exemplo, é o seu primogênito, mas que pode não ser o único. Há um caso famoso no Antigo Testamento, mais propriamente no livro de Gênesis (27-34), no qual Esaú, por um prato de lentilhas, vendeu a sua primogenitura a Jacó! Errou Esaú que a vendeu, e errou Jacó que a comprou!...
Seria Jesus Cristo, o Lógos, ou o Verbo, o
Primeiro Filho de Deus?! – o Primeiro espírito a ser criado por Ele?! Realmente, então, o Seu primogênito?!  
Creio que, sob o prisma da Fé Raciocinada, a idéia da
Primogenitura do Cristo seja mais lógica que a de sua Unigenitura! Nada impede que Ele seja um dos espíritos mais antigos da Criação Divina! Emmanuel, em várias de suas obras, mas, principalmente, em “A Caminho da Luz” e “O Consolador”, nô-Lo mostra na condição de Cocriador da Terra! Portanto, Ele seria espírito Cocriador – aliás, como o Espiritismo admite que, igualmente, todos nós sejamos! André Luiz, no primeiro capítulo de “Evolução em Dois Mundos”, se refere aos espíritos Cocriadores em Plano Maior!
Com base no exposto, como interpretarmos o que João nos diz no capítulo 3, versículo 16, de seu Evangelho, a respeito do Cristo?! “
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
João estaria em contradição com Paulo que, na Epístola aos Colossenses, capítulo 1, versículo 15, afirma que
“Ele (Jesus) é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.”
Não há quem possa, ao mesmo tempo, ser
unigênito e primogênito!
Quem estaria certo, João ou Paulo?!
O feio batráquio aqui acredita que tanto João quanto Paulo, na ânsia de externarem a sua grande reverência ao Senhor, quiseram colocá-Lo no mais alto patamar da Criação Divina, quase à altura de Deus – um como
único, e o outro, como primeiro!
Talvez, ambos tenham extrapolado...
Ao ensinar-nos a orar, proferindo o
“Pai nosso”, Jesus demostrou que não é Filho unigênito, porque o Pai é “nosso”, e não apenas Dele!
Quanto à transcendente questão da
primogenitura, ela, convenhamos, é mais plausível, de vez que o próprio Cristo, também no Evangelho de João (8-58), chega a declarar: “... antes que Abraão existisse, eu sou.”!
Contudo, como defende Emmanuel, e os Espíritos Superiores, em “O Livro dos Espíritos”, Jesus, talvez, apenas tenha sido um espírito que fez a sua caminhada em “linha reta” para Deus... Espíritos tão antigos, ou quase tão antigos quanto Ele, podem ainda estar por aí, traçando linhas sinuosas na infinita estrada da evolução!...

INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 23 de março de 2015

24 de mar de 2015

Ordem e Progresso

Triste realidade a nossa. Um País rico e soberano, cheio de potencialidades, humanas e naturais, e vive quase a bancarrota.
A economia está fragilizada. A política endemonizada pelo espectro tenebroso da corrupção. A gente trabalhadora colocada à própria sorte no acelerar do desemprego. Tudo por fazer.
Não podemos, no entanto, ficar a lamuriar. Somente os de má sorte ou os acomodados ficam a reclamar sem agir. Nós, mesmo no lado de cá da vida, nos movimentamos para tentar tirar da inércia esta grande nação que está em paralisia depressiva em função dos desmandos cometidos em todas as esferas de poder.
Encontrar apenas os culpados neste instante é perda de tempo. Detectar, no entanto, as causas deste infortúnio e agir na direção do bem são propósitos a serem perseguidos por todos, independentemente de onde atualmente mourejem.
O Estado brasileiro é forte por natureza. Nossa gigantesca estrutura proporciona musculatura para assimilar diversos revezes – e de tal monta como este que enfrenta -, mas não se pode abusar porque mesmo o maior dos metais possui o seu limite de resistência.
O que pensamos deste lado da vida é que há homens propensos a mudar este estado de coisas, mas os remédios serão amargos para a maioria da população. O preço será alto, mas tudo se revigorará. Há, porém, que saber: e depois, tudo vai continuar do jeito que está?
Admite-se até tomar o remédio amargo, mesmo não sendo o causador da dor, conquanto que depois tudo se restabeleça ao normal e em bases sólidas e saudáveis.
Não é o que me parece que está por acontecer.
Este medicamento está baseado na grande tolerância do organismo social. Todos estão dispostos a “apertar os cintos”, mas estabelecem um prazo de vigência para suportá-lo.
As manifestações do último domingo (15/03/2015) representam este estado de insatisfação popular, mas deve também significar a aglutinação de energia para a mudança desejada.
Aqueles que usufruem o poder descaradamente não têm vontade de modificar o status quo. Já vimos isto em diversas ocasiões. Basta lembrar a queda da Bastilha, que não foi outra a razão senão a ilusão de que o levante jamais ocorreria. Tudo tem um limite e a paciência popular começa a se esgotar.
Até o momento não foram tocadas nas feridas fundamentais, então tudo continuará como está e o teatro ganhará novo ato.
Os brasileiros precisam se indignar, exigir mudanças, pautar o que querem e o que não desejam ver mais na cena da política brasileira. É difícil, mas é possível fazer.
Os levantes sairão de toda parte quando o povo presentir que nada tem mais jeito a não ser uma reforma radical. A atual situação beira este universo de insatisfação e raiva, o que é preocupante.
Alheio a tudo isso, vivendo como num mundo de ficção, o aparato governamental prossegue no seu reino à parte enquanto ferve nas ruas o ódio, o que não é aconselhável qualquer que seja o contexto.
Tememos pelo pior, mas agimos no bem. Alteramos discursos inflamáveis, desvirtuamos mentes empedernidas, resolvemos pendências criminosas, desarmamos, em última instância, os espíritos.
Até quando o povo ira suportar e nós possamos melhorar o que aí está, não sabemos, mas a ordem se manterá.
Busquemos o entendimento à luz da razão.
Deixemos de lado as diferenças, pois que não é hora de estimulá-las.
Enveredemos para o caminho da concórdia, apesar dos impedimentos.
Sejamos leais aos ditames da bandeira flamulante: ordem e progresso.
Ordem para modificar o que deve ser transformado sem o agitar das almas.
Progresso para remediar o pessimismo e a loucura coletiva por emprego e renda.
Que estes vetores republicanos sirvam-nos de orientação neste momento de confusão das ideias e de choque institucional.
O Brasil haverá de vencer porque o seu povo se unirá para continuar a ser uma nação livre e feliz.
Um abraço,
Joaquim Nabuco por intermédio de Carlos Pereira.

23 de mar de 2015

Estado de Alerta

O que você sabe sobre a História?
O que te contam será verdade ou apenas um pedaço do que aconteceu?
Tudo isso que sabemos realmente ocorreu?
Bem, a verdade dos fatos, como eles se passaram, poucos sabem de verdade, mas podemos dizer que o esforço dos historiadores tem a sua serventia. Ao descobrirmos a história da humanidade ao longo dos tempos, temos uma noção do ritmo das coisas. O que avançamos, o que recuamos. As conquistas e vitórias, os retrocessos e as guerras. Tudo é história e tudo possui uma lição a aprender.
Nos dias atuais, vivemos momentos de tensão. De um lado, países se juntam para manterem a hegemonia do planeta sob a liderança dos Estados Unidos da América. De outro, bem confuso, estão os países da periferia do planeta, sem liderança específica. O chamado bloco muçulmano quer ter certo protagonismo mundial, mas fica sendo mais conhecido pela violência arrebatadora, pelo medo de uma catástrofe nuclear, do que propriamente por se vislumbrar uma liderança financeira ou tecnológica. Por outro lado, temos os países em ascensão. Destaca-se, desse modo, a gigante China. Fala-se do Brasil, da Rússia e da Índia, como outros coadjuvantes, mas expressam-se mais pela dimensão territorial do que pela competência tecnológica que hoje importa no planeta.
Toda esta minha análise econômica, de certa forma, é para constatar que o momento é de perigo para a humanidade. Foi numa situação sem muita definição como esta que ascenderam líderes como Hitler e Mussolini, por exemplo, que detonaram uma guerra mundial de enormes proporções e consequências. O que chamo a atenção é o ambiente fértil que se configura para o eclodir de outra crise mundial de grande magnitude.
Não quero aqui fazer qualquer alerta alarmista ou pregar certo terrorismo espiritual, nada disso, o que quero chamar a reflexão é que este vazio existencial que passa o planeta é ambiente propício para termos surpresas desagradáveis.
Temos que estar com ouvidos de atenção e de olhos bem abertos. Parcerias de países desta periferia do planeta com algum país com instrumental bélico pode levar o planeta a um estado preocupante.
A bandeira do imperialismo ainda tremula para muitos povos, principalmente os mais pobres e sem muita tradição cultural para a paz. De certa forma, brota a ideia em alguns lugares da perseguição ocidental contra o mundo oriental ou fatias dele. Isto é que é preocupante. Parte-se de um pressuposto falso ou mesmo cambaleante para se aglutinar forças e mobilizar um ódio coletivo cujas armas podem causar grande dano.
Os atentados terroristas deram certa trégua, o que é bom, mas este silêncio é perigoso. As forças do mal não ficam de braços cruzados e pode ser que a qualquer momento queiram mostrar as suas garras.
Um mundo de paz é construção conjunta e deve ser alimentado todos os dias por pessoas e nações. Gestos de aproximação, atitudes de colaboração e outras iniciativas no bem são sempre benvindas.
Construamos a paz diariamente e nos esforcemos em vibrar para um planeta melhor em nossas preces. A força do bem é irresistível, mas cada um deve fazer a sua parte.
Em paz com Jesus Cristo!
Helder Camara

18 de mar de 2015

ENCONTRO DOS IGUAIS

Questão 288 do Livro dos Espíritos
É comum que um Espírito mau, quando chega ao mundo espiritual, desperte alegria entre seus iguais, no conjunto que o espera. Há no meio deles certa amizade, porém, a qualquer coisa que não os agrade levam um companheiro à tortura, sem piedade.
Eles desconhecem o perdão e o amor, e é por isso que se encontram em estado de inferioridade. Por vezes, vão ao sacrifício pessoal para defender seus companheiros de outros grupos perseguidores; vivem no espaço em plena guerra, qual os homens lutando entre si por seus países. Entre eles, a usura e o orgulho se destacam com o crescimento da razão, impedindo a participação dos sentimentos do amor e da fraternidade, assim como há muitas nações que sempre estão presentes nas calamidades públicas, onde quer que ocorram, mas, sem os sentimentos da caridade, visando o comércio e mesmo o domínio. Esperamos, entretanto, ser isso um exercício que as leve ao verdadeiro sentimento do bem, como um começo do despertamento espiritual.
Os iguais se congregam por lei da afinidade. Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres. (Mateus, 24:28 e Lucas, 18:37). A relatividade se expressa em toda parte, pois, há Espíritos inferiores que, ao desencarnarem, logo ganham a razão e continuam sob a influência das suas paixões desregradas, mesmo fora do corpo físico. Entre eles, há muitos que já têm algum conhecimento científico e que se libertam com certa facilidade do sono demorado, comum a certas almas doentes.
Observemos na Terra, quando se reúnem os marginais de todos os tipos: existe um comando que os enquadra dentro de certas ordens a cumprir, e quando algum se afasta das diretrizes ou discorda de partilha injusta, eles o levam ao sacrifício, tirando-lhe a vida. Assim se processa no mundo espiritual; onde se reúnem mais de dois Espíritos, necessário se faz que tenham alguém a obedecer.
O descuido de organizações religiosas na parte moral da comunidade e principalmente dos seus dirigentes é que atrai Espíritos daquele mesmo nível de conduta, tornando o ambiente tisnado em ambiente degradante e levando-o ao caos.
Quem dirige uma organização cristã não deve levar os outros a crerem somente pelo falar, pois a teoria enfraquece os pilares mestres da casa de assistência. A maior força de resistência espiritual é a vivência dos que orientam as casas do bem comum.
Se o Evangelho está, nesses lugares, aberto como um convite a todos para a mudança de vida, os primeiros que devem mudar são os que dirigem. Lembremo-nos: onde se vê corvos voando, ali emana o mau cheiro. O "Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, nos apresenta pelo Espírito Paulo, uma frase que nos orienta sempre para a segurança da nossa evolução:
“Fora da caridade não há salvação”
A benevolência é um gênio de infinitas possibilidades de servir, de amar e de perdoar, no conserto de todos os povos e de cada criatura em particular.
Fala-nos a Boa Nova de Jesus: acende a tua luz. A luz atrai luz, e as trevas não ficam bem com as claridades do amor.
Quando nos aproximarmos de um grupo de Espíritos encarnados ou desencarnados em conversação de assuntos inferiores, já sabemos a qualidade de irmãos que ali se encontram, por afinidade. Esforcemo-nos para dissuadir a nós mesmos, ampliando o bem e a pureza no pensar .
Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia - Miramez

17 de mar de 2015

ESPÍRITO TEM DEPRESSÃO?!



Devido à matéria que fizemos publicar neste blog, no último dia 23 de fevereiro, alguns amigos, naturalmente preocupados conosco, nos escreveram imaginando que estivéssemos sofrendo de depressão.

Antes de tratarmos do assunto – se espírito desencarnado pode, ou não, ter estados depressivos –, preciso tranquilizar a todos dizendo que, felizmente, estou muito bem.

Contudo, não haveria nada demais se, porventura, eu me visse aqui, no Mundo Espiritual, acometido de depressão, ou de outro estado transitório de abatimento psicológico – afinal, espírito é, ou não, gente?!

Aliás, se assim posso me expressar, a chamada “depressão” é a mais espiritual, e humana, das enfermidades que pode acometer o homem, seja na Terra ou fora dela.

Estados depressivos transitórios, praticamente, não há quem não os experimente – quando tais estados se tornam crônicos, aí sim, eis que se caracterizam por situações preocupantes, requisitando, por vezes, intervenções médicas as mais variadas.

Nas páginas de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, mais propriamente no capítulo V, “Bem-Aventurados os Aflitos”, há uma mensagem, de François de Genève, intitulada “A Melancolia”. Evidentemente, não é o meu caso, mas espíritos superiores, igualmente, podem experimentar, de quando a quando, certos estados de divina tristeza.

- De “divina tristeza”, Doutor?! – eis que alguém poderá estar me indagando neste momento.

- Sim – respondo sem rodeios. – Porventura, no episódio da ressurreição de Lázaro, irmão de Marta e Maria, quando o Evangelista (João, 11:35) narra que Jesus chorou, teria Ele chorado motivado por alegria ou por tristeza?! Depois, em Mateus (26:37 e 38), no Getsêmani, lemos o registro: “... e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e angustiar-se. Então lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.” Em Lucas (19:41), Jesus chora por Jerusalém – e, por ela, deve estar chorando até hoje –: “Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou.”

Então, meus caros, natural que, mesmo estando mortos, choremos por um familiar, por um amigo, por uma situação de prova pessoal, enfim, pela Humanidade!...

Deste Outro Lado, vocês não fazem ideia do número de pais que choram pelos filhos na Terra! Como choram por si mesmos, de arrependimento pelos erros cometidos na educação daqueles que o Senhor da Vida lhes confiou à tutela!...

Qual espírito que terá se iluminado sem verter muitas lágrimas?!

Eu não sei se os Anjos são desprovidos de glândulas lacrimais, mas desconfio que não.

Não se alarmem, pois, se, um dia, realmente, eu vier a se lhes apresentar em situação deprê... Não é por que nem sempre esteja sorrindo, ou fazendo graça, que eu esteja triste! O que acontece é que, às vezes, a seriedade do assunto tratado não me permite brincar... tanto!

Piada tem hora, não é verdade?!

Hoje, por exemplo, jamais brincaria com um assunto como este – embora a vontade que eu tenha não seja a de chorar de tanto rir, mas, sim, a de rir de tanto chorar!

Chorar pela ignorância de muita gente que ainda vê o espírito como se fosse um ser de tamanha transcendência que, inclusive, se sentisse totalmente desprovido de emoções.

E o pior é que, pelo jeito, muitos desses espíritos estão encarnados na Terra!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 15 de março de 2015.