25 de mai de 2016

PROVA PARA OS PAIS

Questão 347 do Livro dos Espíritos

Quando morre um recém-nascido, desligando os laços e voltando o Espírito para a pátria espiritual, isso, certamente, é uma prova muito forte para os pais, de modo a abalar os corações mais sensíveis o que eles tanto esperavam como fruto do amor, é como uma flor na brevidade do tempo.
Não obstante, pode constituir também prova para o Espírito. Muitos deles certamente se encontram inconscientes, outros não. Existem Espíritos altamente desenvolvidos mentalmente e que não perdem por completo a consciência de si mesmo, assistindo a formação do seu corpo e a morte do mesmo ao nascer.
São dívidas do passado, representando lições para o futuro. A vida nada faz sem proveito. Podemos notar que aqueles que provocam aborto rotineiramente, não poderão, no futuro, ter vidas sucessivas em plena harmonia. Essas criaturas devem passar por muitas provas, cujo teste é nascer e morrer muitas vezes, do modo como fizeram com muitas crianças, para no porvir amarem e respeitarem mais a vida, principalmente as daqueles entes queridos, sem defesas contra a ignorância interesseira.
A Doutrina dos Espíritos vem nos ensinar a todos a respeitarmos a vida, não somente dos homens, mas, de toda a natureza que floresce para a nossa paz. O mandamento "não matarás" nos acorda para tal dever e nos conscientizar de que todas as vidas se encontram no Criador de todas as coisas.
Aqueles que têm um lar devem cuidar dele na maior expressão do amor, realizando o Culto do Evangelho em casa, mesmo que pertençam a outra religião que não seja a espírita; não importa a crença. Em pouco tempo notarão que o ambiente familiar fica mais sereno, mais rico de alegria e de paz. Que procurem sentir na profundidade dos seus sentimentos o amor que começa a despertar em todos os que ali se encontram. É Jesus visitando os corações e dizendo: - "A paz vos dou, não como o mundo a dá, mas aquela paz de Deus, que já se encontra dentro de vós."
As provas dos pais, os problemas dos lares e certos infortúnios da vida, podem ser transformados em alegria, dependendo da nossa decisão, do esforço de cada coração que se reúne em um lar, e esse transformador chama-se Cristo. Por que impedir uma criança de nascer, se a vida pertence ao Criador? Comida, vestes, escola e teto nunca faltaram nem para os reinos abaixo dos homens quanto mais para esses. Confiar deve ser o caminho para todas as criaturas de Deus.
A fé é mesmo motivo de glória para todos nós. Já falamos muitas vezes e tornamos a dizer, que as dificuldades por fora se encontram enraizadas por dentro. Mudemos na intimidade, que tudo fora se mudará, na mesma seqüência. Essa operação interna é difícil, mas, nunca impossível. Se começarmos, mãos invisíveis ajudar-nos-ão.
Jesus transformou a água em vinho de maneira a servir de vários exemplos, ajudando em todas as interpretações que os homens possam aceitar, de modo a se melhorarem moralmente. Não importa as interpretações; importa, sim, se o modo que pensamos vai melhorar alguém na perfeição dos seus sentimentos.
A eternidade nos espera a todos. No "sede perfeitos" a perfeição é a meta de todos os Espíritos, queiramos ou não. Ninguém recua a felicidade, somente quem desconhece esse estado d'alma. Tudo o que ocorre com o Espírito tem utilidade, e é nesse arrocho dos acontecimentos que ele, o Espírito, toma novas feições ante a caridade e o amor.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez – Todos os livros espíritas como este, vendidos em nossa loja, terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira.


24 de mai de 2016

A IGNORÂNCIA É “GENÉTICA”


- Doutor, dias atrás, conversando, eu não sei se em tom de algum desabafo, o senhor me disse que a ignorância é “genética”...
- Não, eu não o disse apenas em tom de desabafo. A ignorância, com base na lei “semelhante atrai semelhante”, é, de fato, genética, e, em determinados grupos familiares, chega a ser endêmica. (A obsessão, segundo palavras do Codificador na “Revue Spirite”, de janeiro de 1863, escrevendo sobre os possessos de Morzine) pode, igualmente, adquirir caráter epidêmico!)
- Existe uma base doutrinária para o que senhor afirma?...
 - “O Livro dos Espíritos” – Semelhanças Físicas e Morais –, questões 207 a 217. Vejamos, por exemplo, a questão 207-a: - “De onde vêm as semelhanças morais que existem às vezes entre os pais e os filhos?” Resposta: - “São espíritos simpáticos, atraídos pela afinidade de suas inclinações.”
- A ignorância, digamos, sendo uma doença, pode ser contagiosa?...
- Claro. Ela se transmite, assim como o fanatismo, o preconceito, etc. A convivência com determinados espíritos podem nos fazer semelhantes a eles – evidentemente, se não os fizermos semelhantes a nós! Porque a lucidez intelectual também é contagiosa. Os grandes mestres nos ensinam pelo que dizem, mas, principalmente, pelo seu exemplo. A bondade de Chico Xavier, por exemplo, contagiava a muitos.
- Como é que o círculo vicioso de ignorância pode se quebrar em um povo, ou em uma família?...
- Através da dor, ou, então, da reencarnação de espíritos que, de alguma sorte, conseguem lhes incutir novas ideias – pelo menos, levá-los a considerar a possibilidade de sua cegueira espiritual! Admitir a possibilidade da própria ignorância já é um grande progresso – mas é preciso admitir mesmo de fato, e não como quem esteja apenas querendo despertar sentimento de autopiedade nos outros.
- A ignorância é uma cegueira espiritual?...
- É treva pura! Conheço pessoas que argumentam sobre determinadas ideias que possuem com uma propriedade de fazer inveja aos doutores da lógica... Foi a respeito deles que disse Jesus: “... caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!”
- Quer dizer que a luz que muita gente imagina possuir?...
- É treva sem tamanho! E quase sempre é assim. Raro – muito raro – o espírito que se mantém de mente aberta, disposto a assimilar novos conhecimentos, ou, pelo menos, meditar no que ouve, sem, à primeira análise, rejeitar por absurdo ao seu entendimento.
- Talvez, por tal motivo, não seja fácil, não é, Doutor, ao espírito evoluir, porque, quase sempre, renasce no mesmo meio cultural?...
- Realmente. Por esta razão, muitas vezes, por acontecimentos os mais variados, os espíritos são levados a imigrarem, reencarnando no seio de outros povos, de outros grupos familiares, ou mesmo dentro de situações completamente antagônicas àquelas a que estão habituados.
- As desencarnações de filhos e netos que, de repente, se vêm impossibilitados de voltarem à Terra no seio da mesma família?...
- Vão ter que procurar outros pais e avós – com o fito de aprender, ou, quem sabe, de levar aprendizado a grupos que estejam marcando passo nas sendas da Evolução. O espírito, não raro, pode trocar de família, assim como troca de casa. Qual o problema?! A criança tornada adulta não sai de casa à procura do próprio caminho?! Indaga-nos o Senhor: “Quem é minha e quem são meus irmãos?”
- Doutor, mas, literalmente, existe o gene da ignorância?...
- Meu caro, a genética é ditada pelo espírito e, naturalmente, se imprime ao corpo que ele ocupa, inclusive, e principalmente, ao corpo espiritual. O corpo é um arsenal de genes – nele, existem genes para tudo! A falta de sinapses entre os neurônios dificulta o aprendizado. As células da memória são mais ativas em uns cérebros que em outros. Predisposições ao alcoolismo são comuns nos descendentes de alcóolatras. Não é que a ignorância possa ser transmitida “geneticamente”, mas, sim, que geneticamente ela possa ser facilitada em sua manifestação.
INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 22 de maio de 2016.

23 de mai de 2016

Acertando o Passo

Silencio-me, Pai, para que Tu possas falar por mim.
Deixo que Tu me digas que caminho devo seguir.
Sou tão pretensioso ao dizer que Tu falas por mim, porque nem sequer direito consigo Te escutar.
Sou, porém, um servo dedicado, desejo acertar o passo.
Quero que Tu me digas, em alto e bom som, o que devo fazer para melhor Te seguir.
Na condição que estou ainda tropeço nos meus próprios passos.
Do jeito que ainda ando, vou demorar demais a me aproximar de Ti.
Sei, contudo, que Tu olhas por mim, que Tu desejas o meu melhor e, por isso, animo o passo.
Quero seguir mais adiante, mas tenho pressa demasiada e sei que o ritmo ideal é ditado por Ti.
Acalma, meu coração, Pai!
Eu sei que queres o meu fortúnio, o meu progresso, a minha paz e isto é que me faz mais confiante.
Todos os obstáculos, todas as mal-querenças, todos os problemas hão de dispersar-se no caminho.
Eu sei que Tu andas comigo onde quer que eu vá e quando pareço sozinho, aí sim, é me abrigas no Teu peito paterno.
Desculpa, Pai, o mau jeito. Sou inquieto, eu sei, e, às vezes, dou-em a fazer coisas que não deveria.
Agora mesmo, nesta súplica, desejo o bem de todos e que se faça logo, porque me causa dor ver meus irmãos em sofrimento.
A quem mora na rua, peço-Te abrigo.
A quem vive a chorar, peço-Te alívio.
A quem vive a penar, peço-Te esperança.
A quem vive a te blasfemar, peço-Te compreensão.
A quem deseja precipitar-se na vida, peço-Te a luz interior.
A quem deseja ser amado, peço-Te que aprenda a amar.
São tantos os que vagueiam por aí a própria sorte.
São tantos os que não vêem perspectiva na própria vida.
São tantos os questionam o porquê de viver assim.
A todos, eu sei, que Tu ajudas, mesmo que eles não percebam.
Peço humildemente, Pai, que este mundo inicie o logo a sua grande transformação porque desejamos acertar o passo de vez.
Estou Contigo!
Estarei sempre Contigo!
Porque sei, como prometeste através de nosso irmão e Teu filho querido, que estarás conosco até o final dos tempos.
Deus, nos abençoe!

Helder Câmara – Blog Novas Utopias.

22 de mai de 2016

Cultura Exploratória

Abriga-se no Brasil a intenção de torná-lo uma potência mundial. Quando se vê a extensão dos seus recursos naturais e a pujança de seu povo este sonho pode ser naturalmente acalentado, quando, porém, vislumbramos o que de fato se faz com esta terra é que perdemos quase de todo a nossa esperança.
Instalou-se no Brasil, durante muito tempo e que reina até hoje, uma cultura predominantemente exploratória. O País vive, dia após dia, de assaltos aos seus cofres e as suas riquezas. De norte a sul, de leste a oeste, o povo é saqueado por mãos ávidas por dinheiro e poder. Foi assim no tempo colonial, foi do mesmo jeito nos tempos do império e, naufragadamente, continou a sê-lo nos idos da república.
Esta intenção devorativa dos bens locais deixou sequelas no seu povo que viu subtrair, pouco a pouco, a sua esperança de ser uma nação próspera e feliz por querer ver suas riquezas distribuídas a muita gente. Ao contrário, criou-se demasiadamente uma concentração de renda, onde os poderosos de plantão se alimentavam cada vez mais para si sem fazer a justa distribuição da riqueza que era gerada.
Este foi o procedimento durante a geração da riqueza pela cana-de açúcar e depois na febre do ouro. Outra vez mais com a cultura do café que alimentou os barões de mais e mais poder. O povo, como sempre, ficava de espectador da abastança de uns poucos.
No Brasil atual, infelizmente, não é diferente. A grande maioria de seu povo ainda é pobre e muitos são contados na leva dos miseráveis. As políticas públicas recentes e os movimentos de justiça social deram um quinhão a mais a uma classe que historicamente ficou por fora da distribuição das benesses materiais. Maltratada, esfomeada, morando em casebres, vivendo ao Deus dará.
A realidade crua e cruel é que não soubemos, por puro egoísmo, traduzir em abastança geral o que aqui foi produzido. Uns poucos se acharam donos do País e até hoje esta cultura predomina. O mal maior, aliado a falta de sensibilidade com o bem geral, é que criamos uma corja de salteadores dos bens públicos e isto se tornou uma normalidade, infelizmente.
Em todos os recantos desse imenso País, o povo vive das esmolas oficiais governamentais ou da mendicância informal, diminuindo-se em dignidade como cidadão.
A corrupção, manifestada das mais diversas formas, engole as riquezas geradas para as mãos de uns poucos e ajuda a nutrir o grau de dependência da maioria. Os pobres ficam mais pobres, os ricos ficam mais ricos.
O mal se enraizou de tal forma no nosso tecido social brasileiro que se tornou natural, comum, provinciano. Não há a indignação real, mas apenas formal. Se não fosse como agora uma ação corretiva exemplar pelas vias da justiça todos estes salteadores do bem público continuariam passeando por aí como bons moços e benfeitores do País.
Estamos, ainda, bem distantes da condição ideal. Não é um mal que se vá rapidamente. Se fossem feitos os tribunais de correção em todo o País e em todos os níveis de poder, entraríamos em grande estado de caos porque salvar-se-iam poucos.
Afugentar do País a cultura da corrupção é prioridade moral de um povo que deseja de verdade ser livre e feliz, mas temos que tocar na moral da nação para que isto aconteça.
Temos mais.
Temos que invocar uma justiça implacável e nada benevolente para que cidadão algum se ache estimulado a corromper ou deixar ser corrompido.
Temos que abominar qualquer prática, mínima que seja, de corrupção moral ou material. A lei deve ser imperiosa para que todos se conscientizem que esta prática não é bemvinda.
Se não tocarmos com violência a corrupção da práxis de nosso País continuaremos dando voltas em si mesmo porque o progresso teimará em tardar por falta de coragem para se fazer o certo.
Somos um sonho de república, ainda, mas por que não venhamos a ensinar a nossos meninos, desde cedo, os valores inalienáveis da honestidade e da integridade para que tenhamos uma geração mais correta e intolerável ao furto do alheio?
Juntemo-nos as nossas mãos por um princípio. Não tomemos que isto seja cria de um partido, pois não é. É um mal social dado que os homens, numa parte deles, são enfermos em seus valores e desprezam a sua própria dignidade.
Sejamos altivos no que nos tange e elaboremos um código de conduta verdadeiramente cristão e, portanto, são em seus fundamentos maiores.
Honremos o nosso futuro deste jeito. Aí sim, poderemos almejar ser um País grande, porque justo e honesto seremos.
É assim que se começa a mudar um País.
Abracemos esta causa.

Joaquim Nabuco – Blog Reflexões de um imortal.

21 de mai de 2016

OBSESSÃO E TRABALHO

Obsessão das maiores
Que já vi na humana liça,
Da qual pouca gente escapa,
Tem o nome de “preguiça”.
*
Trabalho quando aparece
Trás doença a muita gente,
Mas se ele vai embora
Surge a cura de repente.
*
Foi descoberto, por fim,
Depois de muito chilique,
Que o obsessor de Firmino
Morava num alambique.
*
Gente antiga já dizia,
Sem rodeio e sem sofisma,
Que não há pior doença
Que a tal “doença de cisma”.
*
Quando o obsidiado
Desiste de trabalhar,
O obsessor cruza os braços
E deixa de incomodar.
*
Não existe obsessão
Que resiste à boa guerra
De quem se entrega a capina
De extensa gleba de terra.
*
Por onde Jesus passava,
Em seu plantio de amor,
Treva se fazia em luz,
Espinho virava flor.

Eurícledes Formiga

(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião íntima no Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã do dia 13 de maio de 2016, em Uberaba – MG).

20 de mai de 2016

FALATÓRIOS

    "Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade." - Paulo. (II TIMÓTEO, 2:16).
    Poucas expressões da vida social ou doméstica são tão perigosas quanto o falatório desvairado, que oferece vasto lugar aos monstros do crime.
    A atividade religiosa e científica há descoberto numerosos fatores de desequilíbrio no mundo, colaborando eficazmente por extinguir-lhes os focos essenciais.
    Quanto se há trabalhado, louvavelmente, no combate ao álcool e à sífilis?
    Ninguém lhes contesta a influência destruidora. Arruinam coletividades, estragam a saúde, deprimem o caráter.
    Não nos esqueçamos, porém, do falatório maligno que sempre forma, em derredor, imensa família de elementos enfermiços ou aviltantes, à feição de vermes letais que proliferam no silêncio e operam nas sombras.
    Raros meditam nisto.
    Não será, porventura, o verbo desregrado o pai da calúnia, da maledicência, do mexerico, da leviandade, da perturbação?
    Deus criou a palavra, o homem engendrou o falatório.
    A palavra digna infunde consolação e vida. A murmuração perniciosa propicia a morte.
    Quantos inimigos da paz do homem se aproveitam do vozerio insensato, para cumprirem criminosos desejos?
    Se o álcool embriaga os viciosos, aniquilando-lhes as energias, que dizer da língua transviada do bem que destrói vigorosas sementeiras de felicidade e sabedoria, amor e paz? Se há educadores preocupados com a intromissão da sífilis, por que a indiferença alusiva aos desvarios da conversação?
    Em toda parte, a palavra é índice de nossa posição evolutiva. Indispensável aprimorá-la, iluminá-la e enobrecê-la.
    Desprezar as sagradas possibilidades do verbo, quando a mensagem de Jesus já esteja brilhando em torno de nós, constitui ruinoso relaxamento de nossa vida, diante de Deus e da própria consciência.
    Cada frase do discípulo do Evangelho deve ter lugar digno e adequado.
    Falatório é desperdício. E quando assim não seja não passa de escura corrente de venenos psíquicos, ameaçando espíritos valorosos e comunidades inteiras.


Livro: Vinha de Luz – Francisco C Xavier – Emmanuel - Todos os livros espíritas como este, vendidos em nossa loja, terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira.

19 de mai de 2016

FALANDO AO TRABALHADOR

    Trabalhador da vida persevera agindo no bem.
    As criaturas na Terra, de certo modo, se parecem com matérias brutas antes de serem trabalhadas.
    Diante do solo que te não pode oferecer argila para a olaria ou leiras para a sementeira, evita a blasfêmia.
    Trabalha a terra, dando-lhe o amor que te escorre abundante e amparando-a com a dádiva da linfa vivificante.
    Ante a montanha não amaldiçoes as pedras.
    Trabalha-as e arrancarás formas preciosas.
    Frente à árvore retorcida não lhe desprezes os galhos.
    Trabalha o lenho, retirando tábuas e mourões que ensejem agasalhos e utilidades.
    Face ao ferro envelhecido e gasto não o injuries.
    Trabalha nele com o auxílio do fogo e aplica-o em vários usos.
    Defrontando o lodo não o insultes.
    Trabalha, drenando-o, e conseguirás aí abençoada seara que se cobrirá, oportunamente, de flores e frutos.
    Há muitos corações, igualmente assim, na estrada dos homens.
    Espíritos difíceis de entender, empedernidos na indiferença, retorcidos pelo ódio, envelhecidos no erro, perdidos na inutilidade, comprazendo-se na ignorância e na crueldade.
    Não reclames nem os desprezes.
    Abre os braços e socorre-os em nome do amor.
    Quando te seja possível trabalha junto a eles e neles, confiante no Divino Trabalhador.
    Possivelmente os resultados não virão logo nem o êxito do trabalho surgirá de imediato.
    Muitas vezes sangrarão tuas mãos na execução da obra e dilacerarás o próprio coração.
    De início a dificuldade, o esforço e a perseverança no trabalho.
    Mais tarde a assistência carinhosa e o zelo cuidadoso.
    Por fim surpreenderás, feliz, a vitória do trabalho paciente, sorrindo como flores na lama, saudando a beleza e a glória da vida em nome de Jesus, o Obreiro da felicidade de nós todos.


Divaldo P Franco - Joanna de Ângelis