22/10/2014

ENGANO NA ESCOLHA

Questão 269 do Livro dos Espíritos

O Espírito pode perfeitamente se enganar na escolha da prova que queira experimentar na Terra. A sua percepção, não atingindo a realidade, leva-o a pensar que está sendo inteligente escolhendo provas de ociosidade, tendo, como no dizer popular, só "sombra e água fresca". Quando volta ao mundo espiritual ele se arrepende, e deseja retornar com volume maior de obrigações e com provas duras, para compensar o tempo perdido, na ilusão que lhe enganava.
Ele pode, também, pedir provas além das suas forças e sucumbir no meio do caminho. Os extremos são perigosos, mesmo quando objetivamos o bem; tudo depende das forças da alma que já despertou, e os benfeitores espirituais deixam, em nome do Criador, que certas situações ocorram, quando isso serve de lições mais profundas ao Espírito, de maneira a se conscientizar da verdade. Até o próprio engano é lição, porque as conseqüências favorecerão ao Espírito a oportunidade de procurar os caminhos mais acertados.
Ninguém engana a Deus. As Suas leis são agentes de luz na disciplina das criaturas; compete a cada uma analisar e decidir-se a fazer a vontade do Senhor que vibra em tudo.
A Doutrina dos Espíritos, como bênção de Deus, ajuda os homens no labor de compreender, mesmo na Terra, certas leis que vigoram e os faz entender o que devem seguir, encontrando na caridade o mesmo amor que salva e que instrui, que aprimora e que eleva, que clareia a vida e que dá vida. É no sentido do bem para todos que pedimos aos nossos companheiros que não percam tempo.
Escutemos as conversações dos homens honrados, estejam eles onde estiverem. Quantos desses não estão no mundo com a missão de levantar o padrão moral das criaturas!? Registra-se esse fato em todo o mundo. Copiemos a vida dos grandes seres, que eles são rastros de luz a deixar herança para os que têm boa vontade no aprendizado.
Procuremos analisar as verdades que já nos foram apresentadas, que encontraremos caminhos iluminados por onde seguir, na marcha para Deus.
Os enganos são inúmeros na Terra, sendo sinal de volta dolorosa à mesma, com serviço dobrado e deveres multiplicados pela soma da ignorância. Comecemos agora a trabalhar o nosso interior. A cada passo que dermos, conscientes do nosso dever de esforçar para subir, as mãos de Deus auxiliar-nos-ão, com mais vigor, por termos aproximado delas, pela decisão de trabalhar em nosso bem e no bem comum.
Não nos esqueçamos da oração, que ela nos colocará em condições de fugir do engano, a dispensar-nos meios de compreender o valor do nosso próprio trabalho em nosso favor.
Analisemos o provérbio: Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará. Essa é uma grande verdade, que não deveria ser somente dita, mas vivida. Quem cultiva seu campo íntimo, caminhando lado a lado com Jesus, espalha sementes de luz no próprio caminho, e será clareado por ele, e nunca se enganará nas escolhas que pode fazer para a sua glória, rumo à glória de Deus.
 

Livro: Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

21/10/2014

OBSESSÃO “NATURAL” E “ANTINATURAL”


Bem, vamos lá. O que eu entendo por obsessão “natural” e obsessão “antinatural”?!
Vou tentar resumir.
Obsessão “natural” é aquela que determinadas mentes, encarnadas ou desencarnadas, ainda um tanto quanto primárias, se vinculam ao nosso psiquismo, não com o intuito ou propósito declarado de nos vampirizar.
Não chega a ser, propriamente, uma patologia.
O homem encarnado não carrega em seu corpo milhares de vidas microscópicas que com ele devem evoluir?! A flora e fauna não são parasitadas por seres que delas se nutrem?!
A questão é que certas mentes, um pouco mais evolvidas, devem se responsabilizar por outras, que, então, passam a girar à sua órbita, “alimentando-se” de seus conhecimentos, de sua força espiritual, enfim, de tudo quanto elas ainda não sabem produzir e não sejam capazes de obter à custa de esforço próprio.
Os planetas do Sistema não se equilibram ao derredor de uma estrela única, que é o Sol?! E mesmo o Sol, por sua vez, com o seu cortejo de mundos, não se deixa arrastar por outro que, em brilho e grandeza, lhe é superior?!
E a chamada obsessão “antinatural”, o que seria?!
Ela é motivada pelo ódio, pela inveja, pela mágoa, pelo desejo de vingança...
Esta, sim, é patogênica, e tem uma tendência de se agravar, inclusive levando à possessão e/ou loucura, decretando a morte.
Não há, sobre a Terra, e mesmo no Mais Além, quem não padeça de alguma das muitas espécies de manifestação da obsessão “natural”! Sim, porquanto, mentalmente, com maior ou menor poder de atuação, todos nos responsabilizamos pela condução de determinado grupo de espíritos...
A Humanidade, por exemplo, não vive em estreita simbiose com a Mente do Cristo – a Luz do Mundo! – como a Lhe sugar as energias, das quais, psiquicamente, se alimenta, ou deve aprender a se alimentar?!
O líder encarnado de uma família na Terra, muitas vezes, não toma sobre os seus ombros o fardo de problemas que diz respeito a cada integrante da parentela e do grupo como um todo?!
Não nos queixemos, pois, daqueles espíritos mais débeis que, para caminhar, necessitam de nosso auxílio como escora, pois, de certa maneira, todos nós vivemos no exercício da obsessão “natural” sobre alguém.
Não há, pois, quem não seja o obsessor espontâneo de alguém, nem quem, neste exato momento, não esteja sendo vítima de um processo de obsessão “natural”.
Antes que se cronifique, a influencia que deve ser detectada e combatida, é a obsessão “antinatural”, que sempre, ou quase sempre, objetiva a destruição da vítima pelo algoz.

INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 20 de outubro de 2014.

20/10/2014

Ciclos na Vida


A vida é feita de ciclos. Ciclos que têm início e têm fim. Mal se percebe e se está envolvido num deles. É algo que inevitavelmente é preciso se passar. Uma experiência nova, um relacionamento, um acidente, uma doença, um trabalho profissional, enfim, tudo que possua prazo certo normalmente se constitui num ciclo de vida.
Todos eles são necessários para o bem do ser humano. Começa e termina. É importante identificá-lo, vivenciá-lo, aprender com ele, e quando ele estiver em declínio,  indo embora, não resistir, deixar ele se ir. Isto porque há ciclos que nos dão enorme prazer. É natural, portanto, que desejemos que eles perdurem indefinidamente. Nestes casos, fundamental, é exercer o desapego. 
Um relacionamento amoroso é o melhor exemplo disso. Começa-se um namoro, apaixona-se, trocam-se juras, pensam até em se casar. Com o tempo, como aquilo não era para valer, as coisas começam a esfriar para um dos lados, não se tem mais interesse. Ora, quem ainda está envolvido não quer deixar passar aquela oportunidade, mas, na prática, o relacionamento já se acabou. O que fazer? Aceitar e deixar tudo nas mãos de Deus.
Um emprego é a mesma situação. O trabalhador se entusiasma, gosta do que está fazendo, fica motivado, parece ser o emprego da sua vida. Em dado instante, não se sabe bem quando, toda aquela energia vai diminuindo. Isto não é bom para ninguém, nem para o patrão nem para o trabalhador. É algo que precisa desatar logo para não prejudicar ninguém.
O ciclo é uma etapa que se inicia, tem um ápice, geralmente, e depois declina até chegar ao ponto inicial de energia zero. A leitura dos ciclos nas nossas vidas é essencial para se viver bem.
Uma pessoa que sabe que algo está em declínio e começa a se preparar para abandonar aquela situação é sábia.
Um dos ciclos mais comuns é a própria vida na Terra.
Começa o ciclo como criança, passa-se para a adolescência, entra-se na maturidade, e aí, lentamente, tem início o processo de partida. É preciso paciência para enfrentar o decesso. Aliás, em cada fase do ciclo devemos buscar a melhor experiência possível para tirar o proveito daquela situação.
Sofrer pelo fim de um ciclo é algo compreensível, aceitável, mas não é desejável que perdure por muito tempo porque, além de gastar energias interiores preciosas, atrasa o início de novo ciclo que já bate à sua porta.
Aprenda com a natureza. Com o mar, que gera as suas ondas lá distante, chega ao cume e se dissipa ao chegar à areia. Com a lua, que se renova constantemente em quatro fases, da plenitude ao ocaso. Com a própria noite, que chega sorrateira com a ida do próprio sol, mas é inteligente em ir embora quando percebe que ele está irremediavelmente de volta.
Ciclos. Ir e vir. Avançar e declinar. Tudo para começar de novo em novas bases. Como seria bom que os homens entendessem estas máximas da vida. Evitariam transtornos enormes e, certamente, viveriam mais feliz.
Que Deus nos abençoe!
Helder Camara

19/10/2014


"Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles" Mateus 18,20
19 - Em verdade ainda vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu pai que está nos céus.
20 - Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles" (Bíblia de Jerusalém).
E, além disso, termina o evangelho com as seguintes palavras de Jesus: "E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28,20).

18/10/2014

QUANDO APRENDER

Tempo haverá de chegar,
Em que aprendendo a lição,
O homem repetirá,
Sem mais qualquer ilusão:

- A um poço de petróleo,
A jorrar, de forma eterna,
Derramando em meu quintal
Eu prefiro uma cisterna!...

Eurícledes Formiga
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã do dia 8 de outubro de 2014, em Uberaba – MG).

17/10/2014

O Não Saber


Quando menos esperamos a vida toma rumos insuspeitados!
Qual foguete desgovernado, muitos riscam os céus e sucumbem perdidos no firmamento infinito.
Perder faz parte da vida. Há que deixar algo para se conquistar coisas mais importantes.
A criança, neste dia, continuará sendo o exemplo perfeito para nós. Veja como procedemos quando bebês. De tudo necessitados. Precisamos de quem nos dê banho, comida, carinho e tudo o mais para ‘crescermos’. Depois começamos a mudar descamando a pele, caindo os cabelos, nascendo dentinhos de ‘leite’. Engatinhamos, andamos e por aí vai…
Que aconteceria se continuássemos dependentes de nossos cuidadores da infância? Permaneceríamos alimentando-nos de ‘leite’ e papinha? Que aconteceria se permanecêssemos com dentes de ‘leite’ e quiséssemos ficar com uma arcada dentária infantil? E após vinte, trinta anos? Seríamos considerados adultos?
Exemplificando assim parece um tanto pueril, mas se pensarmos de como nos portamos, somos como crianças mimadas. Dá-me isto! Quero aquilo!
Pois, bem! A maturidade espiritual também vem com as perdas. Seria impossível retornar à infância espiritual, tão querida à Teresinha de Lisieux, se não soubermos perder. Rebaixarmo-nos, curvarmo-nos frente à sabedoria dos pequeninos.
Pai de bondade, dá-nos força e coragem de não esmorecermos na busca da Verdade que é o Cristo.
Que saibamos crescer em estatura , sabedoria e graça como o nosso Modelo Maior que é o Cristo Jesus.
Que saibamos cada vez mais vos adorar em Espírito e Verdade.
Assim seja!
Helder Camara
Texto recebido pela médium Maria Antonieta Sousa, no blog "O Coração do Mundo":
http://antonietasouza.wordpress.com/

16/10/2014

AS PROVAS TÊM UM FIM?

Questão 268 do Livro dos Espíritos

O Espírito, em certas faixas evolutivas, passa por provas, por vezes duras, com o objetivo de despertar ou aprimorar suas qualidades espirituais, depositadas, em sua consciência, pelo Criador.
O progresso da alma tem um preço: a passagem pela porta estreita.
Em princípio, o homem abusa dos poderes que lhe foram concedidos, do ouro que lhe foi entregue por empréstimo do Pai; da saúde que a vida lhe ofertou, e a inferência disso são os sofrimentos de toda ordem, que vêm lhe ensinar o roteiro mais proveitoso a trilhar.
Quando a lição é aprendida, cessa a necessidade da presença da dor, mestra incomparável, que deixa o homem entregue a si mesmo, consciente dos seus deveres. As provas, portanto, têm um fim, e quando o Espírito já não necessita de passar por situações penosas, outros vêm a ser os seus deveres, quando ele empregará os valores conquistados, com alegria, no seu adiantamento e no progresso dos que se acham na retaguarda, assim como ele mesmo recebe do Alto a assistência nos seus caminhos de redenção.
Tudo na vida progride. A própria dor, que no mundo material é quase considerada como um fantasma apavorante, continua volatizada entre os Espíritos elevados, em outra faixa, também evoluída e que dá prazer, como deveres ante a Paternidade Universal.
As virtudes do Espírito têm cada uma sua expressão própria e com sua ascensão elas ganham pureza cada vez mais sublimada, de modo a iluminarem o Espírito em qualquer estágio em que ele se encontre.
Os motivos que fazem a criança chorar não são os mesmos que inquietam o adulto.
A visão de Jesus em relação à sociedade humana era uma, e a da humanidade em si era outra bem diferente. Foi por isso que Ele, em muitos casos, falou por parábolas, deixando de dizer muitas coisas que os homens não estavam preparados para ouvir.
As provas, se assim podemos chamá-las, para os benfeitores da humanidade, consistem em levá-los a auxiliar no progresso, com paciência, com amor e com energia, e sentem eles muita satisfação nessas lutas.
Cada vez que o Espírito muda de plano, alcançando mais um degrau na escala espiritual, ele sente a necessidade de deveres diferentes, reclamando a sua falta, pois sempre tem que lutar para se elevar.
Os Espíritos Superiores sentem alegria em amanhar o bem onde quer que sejam chamados a servir e estão atentos à vontade de Deus, sob as vistas do Divino Mestre.
As provas dolorosas são breves, as lutas não. O esforço próprio para evoluir cada vez mais é, pois, eterno. Quando se encerra um ciclo evolutivo, inicia-se outro, em dimensão diferente. Essa é a vida, dentro da vida de Deus.
Os Espíritos que estão na Terra, se movendo em um corpo de carne, podem avaliar suas atividades e notar a que grau pertencem na ascensão para a libertação.
Conscientes do que precisamos, devemos trabalhar para nos melhorarmos moralmente. Esse é o dever de todos nós, nos dois planos da vida.
Vale a pena trabalhar pelo bem, na lavoura íntima, e essa se reflete em tudo o que fazemos, tornando-nos conhecidos pelas nossas obras.
No fim das provas brotará em nossa consciência a tranqüilidade imperturbável. 
 

Livro: Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez