31/10/2014

Mensagem de João

          "Se ouvirdes dizer que o Evangelho de Jesus é a guerra e o derramamento de sangue, eu vos digo em verdade que esse é o Evangelho dos rancorosos e vingativos, mas não o de Jesus, que amou os homens e lhes pregou a paz.
          Se vos disserem que o Evangelho é o fausto, as riquezas e as comodidades dos ministros da palavra, eu vos digo em verdade que esse é o Evangelho dos mercadores do templo, mas não o de Jesus, que recomendou aos seus discípulos a pobreza de coração e o desprendimento dos bens da Terra.
          Se vos disserem que o Evangelho é a água, as mãos levantadas ao céu, as pancadas no peito, as formas e o culto externo, eu vos digo em verdade que esse Evangelho é o dos hipócritas, mas não o de Jesus, que recomendou o amor e a adoração a Deus em espírito e em verdade.
          Se vos disserem que o Evangelho é a resistência às leis e aos princípios que governam os povos, eu vos digo em verdade que esse é e Evangelho dos rebeldes e ambiciosos, mas não o de Jesus, que mandou dar a Deus o que é de Deus, e ao príncipe o que é do príncipe.
          Se vos disserem que o Evangelho é a intolerância, o anátema, a perseguição, a violência e o ódio, eu vos digo em verdade que esse é o Evangelho da soberba e da ira, mas não o de Jesus, que rogava ao Pai de misericórdia pelos seus mortais inimigos.
Tudo isso foi dito ao povo acerca do Evangelho.
          Por que estranhais que João fale assim dos doutores e ministros da palavra? Porventura julgais que João venha dissimular e esquecer a verdade, que há de ser o alimento espiritual do povo?
          Em verdade vos afirmo que vi aquilo que vos digo, e que vos falo em testemunho da verdade; porque o Evangelho é a verdade - minhas palavras são verdadeiras, em testemunho do Evangelho de Jesus - e o Evangelho de Jesus é o testemunho da verdade das minhas palavras.
          Não estranheis, portanto, que João fale assim dos doutores e dos ministros da palavra.
          Eis o que digo à igreja pequena:
          Acuso-te de haver deixado a tua primitiva caridade, aquele amor que te ensinou o coração de Jesus, e pelo qual ele morreu na ignorância das gentes, aquele amor puríssimo que abandonaste, para conceber o desejo de domínio, e o da perseguição pelo domínio.
          Fizeste o teu reino neste mundo.
          Acuso-te de haver abandonado a tua primitiva mansidão, aquela mansidão com que Jesus falava aos que o insultavam e nele cuspiam - e, deixada essa mansidão, te rebelaste contra os príncipes e minaste nas trevas os poderes da Terra.
           Acuso-te de haveres deixado a tua simplicidade primitiva, aquela com que Jesus chamava a si os pequeninos; deixada àquela simplicidade, foste frágil com os poderosos e arrogante com os humildes do infortúnio.
          Acuso-te de haveres deixado o teu primitivo desinteresse, aquele desinteresse com que Jesus falava dos bens da vida, sem nunca pensares no dia de amanhã - e, deixado esse desinteresse, buscaste amontoar riquezas, como os que se esquecem da vida do Espírito e só visam às comodidades da carne, e, assim, apagaste a fé do coração dos homens que pensam em seu entendimento.
          Acuso-te de haveres deixado a tua humildade primitiva, aquela humildade com que Jesus se abaixava aos pés dos seus discípulos - e, deixada essa humildade, consentiste que o orgulho se assenhoreasse do teu entendimento, usurpaste as chaves do céu, condenaste, salvaste, e idolatraste a ti mesma, fazendo um deus para o teu próprio entendimento.
          Igreja pequena! não te maravilhes das palavras de João, antes, medita-as e chora - porque já soa a hora, e o tempo chega de surpresa, como o ladrão.
          Igreja pequena! recorda-te dos teus princípios, dos que esqueceste. Eu, João, te digo: Teus dias não serão contados, desde que de ti se separou o Espírito de Jesus até à consumação do teu orgulho.
          Volta a ti; converte-te ao Evangelho de Jesus e põe os teus olhos na misericórdia do Altíssimo Senhor, cuja vontade onipotente dispõe dos céus e da Terra.
          Não vês que as almas mirram em teu seio, como as plantas privadas de água?
          A tua palavra, já não é a benéfica chuva, nem o orvalho consolador, mas sim o sopro frio do setentrião que gela os corações.
          Igreja pequena! que fizeste da sociedade cristã? Olha ao redor de ti mesma, e responde.
          Volve à tua primitiva caridade, à tua primitiva adoração, à tua primitiva mansidão, ao desinteresse e à humildade dos primeiros tempos do século de Jesus Cristo - e o Espírito de Jesus voltará a ti; serás a sua esposa, e ele o teu esposo, como nesses primeiros tempos.
          Medita e ora - e repelirá o demônio do orgulho que te cega o entendimento; porque, então, conhecerás a lei que vem de Deus.
           Não cerre os ouvidos às palavras de João, igreja pequena! porque, as palavras de João, João as escreve, os homens as lerão, e elas se fixarão na mente e no coração deles.
          Dormes, Igreja pequena; desperta! Falo aos homens: Jesus é o caminho, a verdade e a vida.
          Deus é a minha última palavra.
          A paz seja convosco, irmãos.
                                                                                                                                                                                                             Eu - João."
Fonte: Roma e o Evangelho - Traduzido do Espanhol Roma y el Evangelio 1874

Autor: D. Jose Amigò Y Pellicer

30/10/2014

Quetão 270 do Livro dos Espíritos
VOCAÇÃO

Parece-nos simples essa pergunta, no entanto, ela foi feita para enriquecer mais os conhecimentos espirituais das criaturas. O Codificador era inspirado pelos benfeitores espirituais na formulação das perguntas, de maneira a mostrar a verdade aos que desejarem despertar seus dons que se encontram em estado latente.
A vocação de certas pessoas para tal ou qual profissão está ligada à escolha que fez quando Espírito livre da matéria. Parece, para os ignorantes, que a criatura escolheu, naquele momento, o que deveria seguir, mas a escolha já se encontrava feita nos guardados da consciência.
A vida é organizada porque Deus é harmonia, e harmonia na sua profundidade é Amor. O passado reflete no presente, assim como esse nos fala do futuro. Se desejamos um futuro de paz e de luz, não escondamos as mãos; acionemo-las, no trabalho honesto e na dignidade cristã, lembrando-nos sempre de dar com uma mão sem que a outra veja.
Cada criatura de Deus é um mundo com extensões imensuráveis. Existem campos e mais campos de trabalho, e a lavoura é fértil em todos os seus aspectos. Estamos com o celeiro cheio de sementes depositadas pelos nossos atos. Examinemos que tipo delas guardamos no coração, se as devemos lançar ao solo, pois sabemos que colhemos o que semeamos.
Se deve o encarnado fazer algumas reformas morais, que as faça logo, enquanto se encontra nas lides do mundo, aproveitando a oportunidade de se render à evidência. Se escolheu com alegria por que deve optar como profissão, não deve se esquecer que a vida é um solo santo que recebe o que nele se deposita, devolvendo mais tarde os frutos correspondentes para o seu caminho.
Não devemos chorar de revolta pelas dificuldades que atravessamos na carne ou em Espírito. Elas são as conseqüências do que fizemos das oportunidades. Se escolhemos a medicina na linha de reajustes no mundo, vejamos o que dela fazemos. Lembremo-nos primeiro da honestidade na profissão. O ouro empana a visão daqueles em que a usura é filha da sua ganância. Se seguimos o caminho do Direito, observemos a conduta ante o desespero alheio. Se fecharmos os olhos ao nosso mandato, podemos complicar a nossa vida quando voltarmos para a pátria verdadeira.
A vocação é um ministério, e cada profissão deve ser um sacerdócio em Cristo, ajudando a despertar os valores morais em cada coração. Devemos ganhar para viver, e não vivermos para ajuntar o ouro, sem que esse ouro circule em favor do próximo. A profissão tanto pode elevar como destruir as nossas possibilidades.
Se já somos conscientes da verdade, podemos ajudar aos que nos cercam, mostrando a cada um, pela palavra e pelo exemplo, o que devemos fazer das profissões, para que o mundo de amanhã se torne um paraíso de Deus, e benefício dos homens, mas, para tanto, a conquista é o molde de luz para a paz de consciência. Não joguemos fora o que Deus depositou em nosso caminho, como trabalho. Aprimoremos cada vez mais tudo que fazemos, sem nos esquecermos de convidar Jesus para nos inspirar no que fazer das oportunidades que nos foram entregues por misericórdia.
 

Livro: Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

29/10/2014

SOCIOLOGIA 3

59 –Tem o Espiritismo um papel especial junto da Sociologia?
-Na hora atual da humanidade terrestre, em que todas as conquistas da civilização se subvertem nos extremismos, o Espiritismo é o grande iniciador da Sociologia, por significar o Evangelho redivivo que as religiões literalistas tentam inumar nos interesses econômicos e na convenção exterior de seus  prosélitos (adeptos).
Restaurando os ensinos de Jesus para o homem e esclarecendo que os valores legítimos da criatura são os que procedem da consciência e do coração, a doutrina consoladora dos Espíritos reafirma a verdade de que a cada homem será dado de acordo com seus méritos, no esforço individual, dentro da aplicação da lei do trabalho e do bem; razão pela qual representa o melhor antídoto dos venenos sociais atualmente espalhados no mundo pelas filosofias políticas do absurdo e da ambição desmedida, restabelecendo a verdade e a concórdia para os corações.
60 –Como se deverá comportar o espiritista perante a política do mundo?
_O sincero discípulo de Jesus está investido de missão mais sublime, em face da tarefa política saturada de lutas materiais. Essa é a razão por que não deve provocar uma situação de evidência para si mesmo nas administrações transitórias do mundo. E, quando convocado a tais situações pela força das circunstâncias, deve aceita-las não como galardão para a doutrina que professa, mas como provação imperiosa e árdua, onde todo êxito é sempre difícil. O espiritista sincero deve compreender que a iluminação de um mundo, salientando-se que a tarefa do Evangelho, junto das almas encarnadas na Terra, é a mais importante de todas, visto constituir e consolar e instruir, em Jesus, para que todos mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da vida. Trocá-la por um lugar no banquete dos Estados é inverter o valor dos ensinos, porque todas as organizações humanas são passageiras em face da necessidade de renovação de todas as fórmulas  do homem na lei do progresso universal, depreendendo-se daí que a verdadeira construção da felicidade geral só será efetiva com bases legítimas no espírito das criaturas.
61 –Como devemos encarar a política do racismo?
-Se é justo observarmos nas pátrias o agrupamento de múltiplas coletividades, pelos laços afins da educação e do sentimento, a política do racismo deve ser encarada como erro grave, que pretexto algum justifica, porquanto não pode apresentar base séria nas suas alegações, que mal encobrem o propósito nefasto de tirania e separatividade.
62 –O “não matarás” alcança o caçador que mata por divertimento e o carrasco que extermina por obrigação?
-À medida que evolverdes no sentimento evangélico; compreendereis que todos os matadores se encontram em oposição ao texto sagrado.
No grau dos vossos conhecimentos atuais, entendeis que somente os assassinos que matam por perversidade estão contra a lei divina. Quando avançardes mais no caminho, aperfeiçoando o aparelho social, não tolerareis o carrasco, e, quando estiverdes mais espiritualizados, enxergando nos animais os irmãos inferiores de vossa vida, a classe dos caçadores não terá razão de ser.
Lendo, os nossos conceitos, recordareis os animais daninhos e, no íntimo, haveis de ponderar sobre a necessidade do seu extermínio. É possível, porém, que não vos lembreis dos homens daninhos e ferozes. O caluniador não envenena mais que o toque de uma serpente? Com frieza a maquinaria da guerra incompreensível não é mais impiedosa que o leão selvagem?...
Ponderemos essas verdades e reconheceremos que o homem espiritual do futuro, com a luz do Evangelho na inteligência e no coração, terá modificado o seu ambiente de lutas, auxiliando igualmente os esforços evolutivos de seus companheiros do plano inferior, na vida terrestre.

Da  obra “O Consolador” – Espírito: Emmanuel – Médium: Francisco Cândido Xavier - Livro a venda

28/10/2014


“BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO, PÁTRIA DO EVANGELHO”
De quando a quando, na imprensa espírita, surgem críticas infundadas sobre o teor da excelente obra “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, da lavra mediúnica de Chico Xavier, psicografada por Humberto de Campos, cuja primeira edição veio a lume em 1938.
Alguns, mais exaltados, censuram a postura do autor espiritual que, em capítulo específico, destaca a importância do trabalho desenvolvido pela “Federação Espírita Brasileira”, que, de fato, em décadas passadas cumpriu com relevante papel na defesa dos postulados espíritas.
Todavia, sem, outra vez, desejar entrar no mérito do chamado “Pacto Áureo”, e das atividades doutrinárias atuais da FEB, que, em muitos aspectos, não coadunam com o nosso pensamento, desejamos dizer que a controvertida questão, de o Brasil vir a ser, ou não, a futura Pátria do Evangelho, não depende unicamente da conduta, ou mesmo do desejo, dos espíritas.
Para que no Brasil se concretize a esperança que a Espiritualidade Superior nele deposita, na proposta que encerra o livro de Humberto de Campos, evidentemente, muita coisa necessita mudar...
No caráter do povo...
Na idoneidade dos políticos...
Na sinceridade dos religiosos...
E, por aí vai.
Não será pela lavratura de um decreto de natureza espiritual, que, a rigor, não existe, e ao som de clarinadas angelicais, que o Brasil haverá de se tornar a Pátria do Evangelho!
E, caso não venha a ser o que dele se espera que seja, nada há de se estranhar, ou de culpar a Espiritualidade que referendou a obra de Humberto de Campos, porque, afinal, a inicialmente escolhida Pátria do Evangelho, a Judeia, se transformou em sangrento campo de batalha!
Do Espiritismo em seu berço, pouco mais resta que o dólmen de Allan Kardec, no Père-Lachaise, em Paris, a difundir os princípios da Terceira Revelação, que, praticamente, foram sepultados por várias guerras que, envolvendo a França, assolaram a Europa.
Prefaciando o mencionado livro, Emmanuel escreveu: “Peçamos a Deus que inspire os homens públicos, atualmente no leme da Pátria do Cruzeiro, e que, nesta hora amarga em que se verifica a inversão de quase todos os valores morais, no seio das oficinas humanas, saibam eles colocar muito alto a magnitude dos seus precípuos deveres.”
Infelizmente, contudo, a nosso ver, em relação aos homens públicos, salvo uma exceção ou outra, isto está muito longe de acontecer – não por falta de inspiração dos Planos Maiores, mas por falta de receptividade das mentes humanas que se encontram no leme da promissora Pátria do Cruzeiro!
Neste sentido, pedimos vênia para, igualmente, dizer que, movido por interesses subalternos, até mesmo ao homem comum está faltando amor pelo Brasil, para que, de uma vez por todas, ele consiga se erguer no concerto das nações, e não mais se apresente ao mundo de modo tão miseravelmente desmoralizado como vem acontecendo.
Humberto de Campos, no último parágrafo do seu “Esclarecendo”, exortou: - “Brasileiros (...)! Não nos compete estacionar, em nenhuma circunstância, e sim marchar, sempre, com a educação e com a fé realizadora, ao encontro do Brasil, na sua admirável espiritualidade e na sua grandeza imperecível.”

INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 24 de outubro de 2014.

26/10/2014

EGOISMO E ORGULHO


“A Humanidade tem realizado, até ao presente, incontestáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral. Não poderiam consegui--lo nem com as suas crenças, nem com as suas instituições antiquadas, restos de outra idade, boas para certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, havendo dado tudo o que comportavam, seriam hoje um entrave. Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho.”
Allan Kardec.

Livro: A Gênese, capítulo 18, item 5

25/10/2014

O DIABO TAMBÉM

- Mas, fulano é inteligente,
E fala com propriedade...
Tem grande conhecimento
A respeito da Verdade.

Assim, ao Dr. Inácio,
Dizia um amigo cioso,
Exaltando as qualidades
De palestrante famoso...

 - Da Bíblia, ele sabe tudo...
Além, do mais, é eloquente!
E, insistindo, asseverava:
- Ele é muito inteligente!...

- Meu amigo – respondeu
O paladino da fé:
- Inteligente e eloquente,
O Diabo também é!...


Eurícledes Formiga
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de sábado do dia 17 de outubro de 2014, em Uberaba – MG).

24/10/2014

Espírito Masculino/Feminino
O Espiritismo ensina que o Espírito não tem sexo, podendo encarnar-se como homem ou como mulher, em diferentes existências, mas que costuma escolher, preferentemente, um ou outro sexo, renascendo continuamente como home ou mulher, (Questões números 200 a 202, de "O Livro dos Espíritos".) Ao comentar as respostas, Kardec escreveu o seguinte:
"Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não tem sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens."
Dessa forma, não são muito precisas as expressões Espírito feminino e Espírito masculino, que são usadas à falta de outras. A questão é bem mais complexa do que parece à superfície.
Certa vez, perguntei a um amigo espiritual por que difere tanto, na sua  estrutura psíquica, o Espírito encarnado como homem, daquele que se encarna como mulher. O homem é mais agressivo, dado a gestos de coragem física, menos sentimental, ao passo que a mulher inclina-se mais à compassividade, à renúncia, ao recato, sendo, portanto, mais acessível à emoção e aos sentimentos. Por que isso, se, não tendo sexo, os Espíritos deveriam ser semelhantes?
Disse-me ele, coerente com os postulados doutrinários, que como Espíritos conservam características em comum, mas ao se reencarnarem, aceitam condições que lhe facultam desenvolvimento de certa faculdades, em detrimento de outras; ou melhor, optam pelo aprimoramento de alguns aspectos espirituais em que estejam particularmente interessados.
Assim é realmente. Como a perfeição deverá resultar, um dia, do desenvolvimento harmonioso de todas as faculdades possíveis ao ser humano, é natural que este tenha que ir por etapas, cultivando-as em buques, até que, alcançando o ponto desejado, possa encetar outras realizações.
Tentemos, não obstante, ampliar um pouco mais a questão, na esperança de alcançar uma visão mais clara de suas dificuldades. Ao responderem à pergunta formulada por Kardec (Têm sexos os Espíritos?), os instrutores informaram o seguinte:
“Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da orga­nização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na con­cordância dos sentimentos.”
Certamente que sentiram, esses instrutores, que não era tempo, ainda, de aprofundar mais a questão, mas disseram o bastante para compreendermos alguns pontos essenciais. De fato, a Doutrina nos ensina, alhures, que o ser encarnado resulta de um “arranjo” entre três componentes distintos: espírito, perispírito e corpo físico. Ao declararem que o sexo depende da organização, deixaram bem en­tendido que a diferenciação sexual não alcança o núcleo da indivi­dualidade, representado pelo Espírito imortal, pois fica contida nos limites extremos da organização perispiritual.
 

Livro: Dialogo com as Sombras - Hermínio C. Miranda - a venda