16/04/2014


Questão 298 do Livro dos Espíritos
   ALMAS GÊMEAS
 
    Quando falamos em almas gêmeas, não é generalizando o termo, mas no sentido de que existem almas gêmeas nos planos onde ainda não existe a verdadeira perfeição do espírito. Deus não fez uma alma somente para outra, de modo que somente as duas possam sentir o verdadeiro amor entre si. Isso não existe dentre os espíritos puros.
    No entanto, antes de chegar à pureza espiritual, é claro que temos necessidade de estarmos unidos por sentimentos mais profundos a determinada alma, que nos ajuda e nos sustenta na própria vida. A existência de almas gêmeas depende, pois, do plano em que se situam. No seio da pureza angélica, repetimos, não existe; ali o amor é perfeitamente universal. Mas, nos planos próximos à Terra, certamente que existem almas gêmeas.
     Estamos caminhando para a perfeição, para amar ao próximo como a nós mesmos, como o Cristo nos ensinou. O próximo são todas as almas, em todos os planos de vida. Verificamos esse entendimento sublimado na vida de Francisco de Assis, para quem o encontro com Clara de Assis, foi motivo para que ele amasse mais ao seu próximo, aos animais, às plantas, aos peixes, às estrelas, enfim, a toda a natureza, em profusão. E acima de tudo, ele amou a Deus, com a presença de Jesus.
    Procuremos experimentar deixar fluir o amor puro para fora do lar, atingindo os que sofrem fome, sede e nudez. Avancemos com esse amor para os animais, as aves, as plantas, o ar, o sol, as estrelas, os alimentos, que notaremos uma vida renovada e uma consciência mais livre, a nos inspirar a verdadeira paz no coração.
    A Doutrina Espírita, revivendo Jesus, não pede sacrifícios que não se possa fazer, mas, ensina que se tenha boa vontade onde se foi chamado para viver. Que vivamos com mais gratidão aos que nos cercam, com mais carinho para com aqueles que nos deram a oportunidade de reencarnar, para com os nossos parentes e amigos. Se a vida continua, o nosso amor deve continuar nos dando paz de consciência e prometendo felicidade onde quer que estejamos.
    Não há união particular e fatal, nos assevera "O Livro dos Espíritos", porque Deus é Deus de amor, e os espíritos puros são livres, sem exigências e sem ciúmes que possam levá-los à prisão dos sentimentos. A grandeza de Deus é bem maior do que se pensa. Ele, sendo a Inteligência Suprema, não iria nos pedir opinião antes de fazer as leis para o bem da criação universal.
     Unamo-nos no bem coletivo sem apego, ligados pelo amor que universaliza todos os sentimentos, para que a paz de todos forme a paz de Deus em nossos corações para sempre.
    Existem almas gêmeas sim, pois todas as almas são gêmeas pela força do amor de Deus.

Livro: Filosofia Espírita VI - João Nunes Maia - Miramez

15/04/2014


OBSESSÃO ENTRE ENCARNADOS

Falando a respeito da obsessão entre encarnados, que, na minha modesta opinião, é a pior das obsessões, não estou querendo me referir à opressão de natureza física e mental que, de maneira impiedosa, certas pessoas exercem sobre outras.
Muito comum, por exemplo, nos depararmos com quadros de pais que subjugam filhos, e vice-versa, quanto de cônjuges que escravizam cônjuges no relacionamento que estabelecem...
Quando na Terra, tive oportunidade de me deparar com muitas situações assim, em que um espírito encarnado, praticamente, anulava o outro, impedindo o seu crescimento diante da Vida.
Uma mãe vampirizava tanto a pobre da filha, que, ao vê-las adentrando o meu consultório, eu tinha a impressão de que a dementada genitora sugava todas as energias da pobre menina, pela qual ela a todo instante chamava, impedindo que a garota saísse de seu raio de influência, ou que sequer respirasse sem a sua permissão...
Fiz o que pude para libertar a jovem daquela possessão afetiva, que, a cada dia, tornava-a mais debilitada, inclusive fisicamente, e que terminou por levá-la à pneumonia, vindo a desencarnar primeiro que sua perturbada mãe.
E o pior é que, então, criou-se tal dependência psíquica entre as duas, que, mesmo após ter desencarnado, a filha não conseguia se libertar da mãe que, poucos anos depois, igualmente veio a deixar o corpo ainda chamando, com insistência, por ela.
Quero, no entanto, através deste pequeno registro, alertar para outro tipo de obsessão que, com frequência, impera entre os que se encontram encarnados – obsessão, talvez, menos agressiva, porém não menos nociva do que aquela que mencionei entre uma senhora e sua filha única.
Trata-se de uma obsessão exercida à distância, apenas e tão somente pela força do pensamento que dispara na direção do alvo que pretende atingir...
Nesta espécie de obsessão entre encarnados, não raro, o obsessor age com plena consciência do que pretende na emissão de vibrações agressivas que, constantemente, emite na direção da vítima de sua inveja, de sua mágoa, de seu ódio...
Tais vibrações enfermiças, se não rechaçadas por quem, direta ou indiretamente, as esteja motivando, podem ir minando a sua resistência, fazendo com que, por exemplo, ele se veja dominado pelo desânimo na tarefa que cumpre.
De repente, sem explicação alguma, a vítima começa a se sentir tomado pela falta de disposição física, exteriorizando vários sintomas de doenças que, na realidade, não existem.
Então, procurando vários médicos, toma medicamentos sem necessidade de tomá-los, e, caso não venha a reagir contra tal estado de abatimento, de tanto somatizar as vibrações que recebe, pode, de fato, acabar dentro de um quadro patológico real.
Daí a necessidade de todos os que costumam despertar tais reações ao seu derredor – a alguns metros, ou alguns quilômetros de si – criarem, em nível de pensamento, defesas capazes de repelir as vibrações que desejam a sua queda e o seu fracasso.
A primeira providência para isto, evidentemente, é a de se tomar consciência de que os adversários estão sempre à espreita e dardejam vibrações negativas que mentalizam, sem pausa, contra quem querem prejudicar... A segunda providência é a de se esforçar no sentido de, sob qualquer hipótese, não lhes oferecer sintonia, criando, com base na prece e na prática do bem aos semelhantes, um escudo magnético de proteção em volta de si...
No mais, é deixar que as vibrações infelizes não encontrando receptividade da parte do destinatário, tornem ao seu anônimo remetente, cujo endereço elas conhecem, e, pela Lei de Causa e Efeito, ensinem a lição que lhe cabe aprender.
INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 14 de abril de 2014.

14/04/2014


Peleja

Tem gente que diz assim:
- Não quero briga com ninguém, mas quando entro em uma, duro a sair.
Meu Deus, comprar briga não é bom para ninguém, a menos que seja uma boa briga, uma briga que valha a pena viver e morrer por ela, mas uma briga qualquer, ah!, esta não vale a pena.
Brigar por qualquer coisa não é saudável, é até perda de tempo. Põe-se os nervos em ebulição, a cabeça perde o equilíbrio, e, no final, sai-se sempre perdendo, mesmo parecendo que ganhou alguma coisa.
Tudo pode ser resolvido no diálogo, mesmo aquilo em que a outra parte não está disposta a ele. Na verdade, haverá um momento em que a pessoa ficará cansada de querer uma peleja e é neste momento que o diálogo prevalecerá.
Conheço gente, pelo contrário, que adora uma peleja. Se anoitecer um dia sem ter arrumado uma briga com alguém, dorme insatisfeito e aí briga com ela mesma.
Tem gente que parece que está enfrentando os outros o tempo todo. Se alguém diz “a”, ela diz “b”, se diz “b”, ela diz “c”. Quer ser sempre do contra. Como é difícil lidar com estas pessoas porque no fundo nunca querem entendimento.
É certo que há aqueles que assim procedem para aparecer na multidão. Imaginam que se concordarem com tudo ninguém vai lhe dar atenção, então é melhor contrariar a todos para que enxerguem a ela. Não é por aí. Por que não ser percebida na multidão pelas qualidades, pelo pensamento original, pelo argumento forte?
É difícil a convivência com uma pessoa assim, é verdade, mas acho que na essência é uma maneira delas pedirem carinho, atenção, entendimento. É um jeito diferente de pedirem amor.
Portanto, dê amor a todos, mesmo a estes que se pegam com todos. Não se diz que “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”? Então, esta pedra está pedindo água, meu irmão.
Fique em paz com a sua consciência e tente, sempre que possível, ajudar a transformar o azedo em doce, as trevas em luz, o ruim no bom. Você também possui esta responsabilidade.
Paz,
Helder Camara

Resposta do Dom
PERGUNTA DE LEITOR DO BLOG PARA DOM HÉLDER CÂMARA

Dom Helder, o regime e a sua Igreja lhes perseguiram durante o regime militar? É sabido que havia membros da Igreja Romana subservientes nas hostes do regime militar.
RESPOSTA

- Meu filho, tudo tem a sua razão de ser na história. Se aquilo aconteceu, o golpe dos militares, não é porque tinha que ser assim, mas se houve, havia uma necessidade de aprendizagem com isso e temos que tirar sempre as lições daquele momento tenebroso.
Sim, claro que sim, claro que havia pessoas na Igreja que aderiram aos militares, não apenas na Igreja, mas em muitas outras instituições, mas os tempos eram outros.
Havia o medo coletivo da implantação do regime comunista no Brasil e em muitas partes do mundo. Ninguém sabia direito o que era o Comunismo, mas a maioria da gente achava coisa ruim.
De fato, o princípio de retirada das liberdades para implantar um regime utópico comum era e é uma ficção. Agora, defender a justiça, a liberdade, a construção de uma sociedade mais justa e menos desigual, naquelas épocas, por contrariar o status quo, era-se tachado de comunista. Um contrassenso, na verdade, mas era assim.
Não responsabilizo a ninguém em específico da Igreja por isso, porque, no fundo, havia também desinformação e medo, e não necessariamente subserviência. Em todo caso, já passou, e que não se repita jamais.

13/04/2014

A sua dúvida sistemática produz incerteza nos outros. A sua agressividade mental fere os que o cercam, mesmo que você não arroje os dardos da palavra rude ou da ação violenta.
O seu azedume gera mal-estar no meio em que você vive.
A sua leviandade inspira receios entre aqueles que lhe comportem aconvivência.
A sua insatisfação promove um clima de desconcerto entre os seus amigos.
A sua suspeita contínua afasta os que desejariam tornar-se seus companheiros.
O seu desalinho emocional inquieta os outros e fá-los temer sua convivência.
O que lhe é pernicioso e recebe cultivo torna-se insuportável às criaturas que o acercam. 

Livro: Momentos de Decisão - Divaldo P FRanco - Marco Prisco

12/04/2014

MENSAGEIRO

Mensageiro da paz e da alegria,
Que o Senhor te conduza nos caminhos
Em que varas escuros torvelinhos,
Para acender a luz do Novo Dia.

Deus te abençoe no esforço que te guia,
Superando empecilhos tão mesquinhos,
Plantando flores e colhendo espinhos
Ante o mal que te agride e desafia...

Não te deixes viver em sobressalto,
Cantando ao mundo cada vez mais alto
A mensagem do amor que te seduz...

Prossegue a solfejar tua canção,
Recordando a Cantiga do Perdão
Que Jesus entoou por sobre a cruz!...

Eurícledes Formiga
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Grupo Espírita “Seara de Deus”, na manhã de domingo do dia 30 de março de 2014, em Paulista, na Grande Recife, Pernambuco).

11/04/2014


Natureza

As dádivas que a natureza nos traz são infindáveis. Pouco olhamos para as maravilhas que estão ao nosso redor nos pedindo para serem contempladas. Vêm de todos os lados, estão em todos os lugares e simplesmente pedem:
- Vejam-me, apreciem-me, toquem-me, eu estou aqui para servir-te, para ajudar-te, para colaborar nos teus dias.
É assim que se apresenta a natureza, esfuziante e bela, pronta para nos servir e o que fazemos, invariavelmente? Esquecemos-nos dela, maltratamo-la, não a valorizamos.
A natureza é bela, mas exige cuidados. Cuidado para se manifestar plenamente. Cuidado para se renovar continuamente. Cuidado para se preservar dos imprudentes.
A natureza faz parte de nós. Não pensemos que ela é uma coisa e somos outra, não, nós fazemos parte da natureza. O que acontece, tão somente, é que ignoramos o nosso pertencimento e a nossa função nela. Desequilibramos a natureza, desfrutamos, mas não a conservamos. Que papel fazemos...
A natureza hoje nos pede atenção. Por causa da nossa imprudência, ela dá sinais de desequilíbrio. São furacões, tsunamis, chuvas torrenciais, seca, escassez, e variados estados de coisas provenientes da nossa incúria.
Preservar a natureza, meus irmãos, é preservarmos a nossa própria vida. A nossa existência está comprometida porque não soubemos cuidar adequadamente da mãe Natureza. E que mãe ela é.
Mãe como as outras, ela nos oferece tudo de graça, apenas por amor. Fica feliz quando somos agraciados pelos seus frutos. Comer uma manga ou uma banana deliciosa. Tomar um suco de caju ou de pitanga. Deliciar-se com saladas de folhas mil. Sentar-se na varanda e sentir a brisa refrescante. Tomar aquela água gostosa a saciar a nossa sede. Entreter-se com o cachorro em brincadeiras juvenis. Admirar as roseiras brotando em beleza inigualável. Que benefícios incontáveis a natureza nos traz.
Pois bem, então o que fazer para evitar a sua destruição, permanente e gradual?
É preciso que possamos nos sentir integrados a ela, não seres a parte da Criação. Quando nos sentimos um com ela a tendência natural é não fazermos aquilo que não gostaríamos que nos fosse feito. Eis o segredo principal ensinado por Nosso Senhor Jesus Cristo e que serve com fidelidade também para este propósito.
É isto aí, meus amigos, pense nestas palavras. Escute a voz interior que nos pede cuidado, preservação, amparo. A natureza somos nós, obras do mesmo Criador. Vivamos, pois, em harmonia com o todo e com tudo.
Paz,
Helder Camara