11 de dez de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXXVII

O capítulo 40 de “Nosso Lar”, que tem por título “Quem Semeia Colherá”, nos traz ensinamentos profundos. André Luiz, valendo-se de sua própria experiência na jornada terrestre, conta-nos mais um pedaço de sua história de vida.
No capítulo 35 – “Encontro Singular” –, o autor nos fala a respeito de seu encontro com Silveira, que, em “Nosso Lar”, fazia parte dos “Samaritanos” – Silveira foi a primeira pessoa que ele teve oportunidade de reconhecer além da morte. Ao contrário do que muitos imaginam, nem sempre, os que deixam o corpo, têm oportunidade, de imediato, de estarem com os corações amados que os precederam na Grande Viagem.
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A segunda pessoa que André Luiz pode identificar no Mundo Espiritual, mais particularmente em “Nosso Lar”, a cidade que abrira as portas para recebê-lo, foi Elisa, uma jovem que havia trabalhado na casa de seus pais. Quando André conheceu Elisa, ele, igualmente, era muito jovem, e, emocionalmente, deixou-se envolver.
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Então, vejamos: Silveira e Elisa foram as duas pessoas que André, em seus primeiros tempos de desencarnado, logrou identificar no Mundo Espiritual. Ele que, na condição de médico, privara na Terra com muita gente, e que, com certeza, possuía numerosa família, não nos relata que tenha se deparado com nenhum de seus amigos ou familiares, e nem mesmo com uma fisionomia conhecida.
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Quantos ensinamentos, nas páginas luminosas de “Nosso Lar”! Quantas ilusões, que, na condição de encarnados, os homens cultivam por séculos e séculos, podem desfazer-se através de uma leitura atenta dessa obra! Aquela ideia tão restrita de família que se tem na Terra, amplia-se consideravelmente, ou pode ampliar-se para aqueles que já estão começando a compreender que, em qualquer parte do Universo, temos uma família! Soam aos nossos ouvidos, uma vez mais, as palavras do Divino Mestre: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”...
Temos absoluta convicção de que os Espíritos Superiores que inspiraram André Luiz o orientaram no sentido de compor a obra “Nosso Lar” com base em suas experiências existenciais, sim, mas recorrendo a tonalidades um pouco mais fortes em sua realidade pessoal, porque, em verdade, André Luiz não é um espírito comum.
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Interessante ainda o que André nos relata, no início do capítulo em pauta, dizendo que não conseguia explicar a grande atração que ele estava sentido, ou que começara a sentir, por uma “visita ao departamento feminino das Câmaras de Retificação”.
Notemos quanto somos “atraídos”, aparentemente sem explicação, pelos nossos compromissos cármicos. “Nosso Lar”, à época, era uma cidade que contava com mais de um milhão de habitantes, e, contudo, André, de repente, se viu diante de Silveira e de Elisa.
Os nossos desafetos, tanto quanto os nossos afetos, parecem, muitas vezes, surgirem do nada – quando menos esperamos, ao dobrarmos uma esquina, damos de cara com o carma!...
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Quando os pais de André perceberam o seu envolvimento com Elisa, despediram a jovem, que, a partir daí – Elisa dizia a André que, antes de conhecê-lo, já vivenciara certas aventuras, portanto ele não era o primeiro a envolver-se com ela –,  entregou-se a experiências mais “dolorosas”, até que, contraindo sífilis, veio a desencarnar no abandono e completamente cega.
*
No próximo post desejamos efetuar outra interessante abordagem que este capítulo nos enseja à reflexão.

INÁCIO FERREIRA – Mediunidade na Internet

Uberaba – MG, 11 de dezembro de 2017.

10 de dez de 2017

O Endemoniado Geraseno

    Rodolfo Calligaris

    "Tendo atravessado o mar, desembarcaram no país dos gerasenos e, mal Jesus descera da barca, veio ter com ele um homem possuído do espírito imundo, homem esse que ninguém conseguia dominar nem mesmo com correntes, pois muitas vezes estivera com ferros aos pés e preso por cadeias, os quebrara. Vivia dia e noite nas montanhas e as sepulcros, a gritar e a flagelar-se com pedras. Ao ver Jesus, de longe, correu para ele e o adorou, exclamando em altas vozes: Que tens tu comigo, Jesus, filho de Deus Altíssimo? Eu te suplico, não me atormentes. Isso porque Jesus lhe ordenava:
    Espírito imundo, sai desse homem. Perguntando-lhe Jesus: como, te chamas? - respondeu: Chamo-me Legião, porque somos muitos.
    Ora, havia ali uma grande vara de porcos pastando na encosta do monte, e os demônios faziam a Jesus esta súplica: manda-nos para aqueles porcos, a fim de entrarmos neles. E como Jesus lhes desse permissão para isso, os Espíritos impuros, saindo do possesso, entraram nos porcos; toda a manada saiu a correr impetuosamente e foi precipitar-se no mar, onde se afogou.
    Os que a apascentavam fugiram e foram espalhar na cidade e nos campos a notícia do que se passara.     Logo acorreram muitos até onde estava Jesus e, encontrando o homem que ficara livre dos demônios sentado a seus pés, vestido e de perfeito juízo, se encheram de temor. Ouvindo, então, dos que presenciaram o fato, a narrativa do que sucedera ao possesso e aos porcos, todos pediram a Jesus que deixasse aquelas terras."    (Marcos 5,1-20)

    Temos aqui um caso impressionante de possessão, cuja vítima, subjugada por uma falange de Espíritos perversos, tornara-se o terror dos sítios em que vivia.
    Pelo relato dos evangelistas, bem podemos imaginar-lhe a terrível figura: seminu e coberto de feridas sangrentas, olhos esfogueados, cabelos longos e em desalinho, pedaços de corrente a lhe penderem das pernas, mais haveria de parecer uma fera do que propriamente uma criatura humana.
    Compadecido do infeliz, Jesus liberta-o de tão má influência, como que lhe restitui de pronto a razão, o domínio de si mesmo, e, convidando-o a sentar-se junto de si, põe-se a edificá-lo com seu verbo terno e esclarecedor, preparando-o para que viesse a ser mais um arauto da Boa Nova, e, ao voltar para a companhia dos familiares, ao contar-lhes que coisa estupenda o Senhor fizera por ele, estivesse habilitado anunciar-lhes também a doutrina de Amor, e Tolerância e de Justiça que estava sendo trazida ao mundo, cuja observância é o mais seguro remédio contra todos os males que afligem e infelicitam a Humanidade.
    Quanto aos Espíritos obsessores, não entra nos porcos, como supuseram os circunstantes, coisa que hoje melhor se compreende; apenas se fizeram visíveis aos suínos e estes, espavoridos, se precipitaram do monte para baixo em tão desabalada carreira que, não podendo estacar ao chegarem à praia, introduziram-se no mar, perecendo afogados.
    O episódio em tela, ao mesmo tempo que ressalta o extraordinário poder de Jesus (baseado na perfeição de seu caráter) e sua incomensurável piedade para com os sofredores, pôs em relevo, por outro lado, a mesquinhez de muitos homens, para os quais o interesse material a tudo sobreleva.
    A cura daquele possesso que os trazia em sobressalto deveria ser, para os gerasenos, motivo de se regozijarem e se mostrarem agradecidos àquele que operara tal maravilha. Ao invés disso, porém, só levaram em conta a perda de seus animais e, receosos de novos prejuízos pecuniários, despediram de suas terras, qual se fora um intruso indesejável, o próprio Filho de Deus que os honrara com sua augusta presença.
    Agora meditemos.
    Nós outros não estaremos agindo, ainda hoje, de igual maneira? Não continuamos colocando as conveniências mundanas acima dos galardões espirituais?

    Conquanto nos pese reconhecê-lo, todas as vezes que contrariamos a Doutrina Cristã, porque seguir-lhe os preceitos nos custaria o sacrifício de algum lucro temporal, é como se, visitados pelo Mestre, o puséssemos para fora de nossa porta!

9 de dez de 2017

TROVAS DE APRENDIZ

O mundo é uma grande escola
Que nos ensina a viver,
Quem não estuda e trabalha
Não pode se promover.
*
Muitas vidas já vivi...
Quantas foram eu não sei.
Mas, a viver noutro corpo,
Sei que ainda voltarei.
*
Da Lei que a Vida se imanta,
Impressiona-me a didática:
Cada qual colhe o que planta
Com precisão matemática.
*
É verdade cristalina:
Seja a falta grave ou leve,
Ante a Justiça Divina,
Ninguém paga o que não deve.
*
À crença em Deus te assista,
Não faças ouvidos moucos.
A Vida devolve a vista
O que lhe damos aos poucos.
*
Quando deixei o meu corpo
E noutra vida me vi,
Nada em mim doeu mais forte
Do que o tempo que perdi...
*
Somente a reencarnação
Pode explicar a contento,
À excelsa luz da razão,
A causa do sofrimento.
*
Meu amigo, reflitamos,
Sempre a Verdade padece,
Pode ocultar-se algum tempo,
Mas nunca desaparece.
*
Neste conceito profundo
Ponho os pensamentos meus:
Tudo o que existe no mundo
Vive à procura de Deus.
*
Na tristeza ou na alegria,
Esta Lei se cumprirá:
De aprender a cada dia
O homem nunca deixará.

Eurícledes Formiga

(Trovas recebidas pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do “Grupo Espírita da Prece”, na noite de 18 de junho de 1988, em Uberaba – Minas Gerais).

8 de dez de 2017

O CEGO DE SILOÉ
    Parte II    (continuação)
    Encontrando Jesus o "cego de nascença", viu logo que a cegueira era de nascimento e não provinha do pecado dos pais, por isso deliberou curar o cego.
    Se a cegueira desse cego viesse do pecado dos pais, é bem possível que o Mestre não se arrojasse a fazer tão dificultosa cura.
    De quantos cegos espirituais está cheio o mundo, sem que o próprio Jesus atualmente os possa curar!
    E isso por quê? Porque a cegueira é proveniente do pecado dos pais; a "religião enganosa" dos pais fez belidas nos olhos dos filhos, e como a vista é coisa melindrosa, eles não permitem que se lhes tirem a catarata.
    A cegueira pode ter por causa o pecado do próprio cego.
    Como analisar esta hipótese sem admitir a lei da reencarnação?
    Como pode Deus criar uma alma pecadora, e por ser pecadora, condená-la à cegueira?
    Admitindo uma única existência terrestre para cada indivíduo, não se explica porque uns nascem cegos, outros surdos, outros aleijados, outros idiotas, outros estúpidos; ao passo que outros são sadios e inteligentes!
    As religiões dominantes não explicam essas anormalidades.
    Encarando-se a questão em face da Filosofia Espírita, aquilo que parecia hipótese, o viver muitas vezes na Terra, torna-se realidade. Chega-se à conclusão de que o Espírito já existia antes do nascimento do corpo, e continua a existir depois da morte desse mesmo corpo, e, por uma série de vidas sucessivas, se vai aperfeiçoando, passando por provas necessárias ao seu progresso e adquirindo conhecimentos indispensáveis à sua evolução.
    O que é deformado fez mau uso dos seus membros; o aleijão é o resultado do mau emprego dos órgãos que o Espírito fez, quando encarnado de outra vez na Terra.
    A língua foi dada ao homem para falar bem; se ela falar mal, estará desviando o seu itinerário e paralisar-se-á um dia, como a locomotiva fora dos seus trilhos.
    Os olhos são duas luminárias para guiar o corpo, como diz o Evangelho - se eles não desempenham esse mister, se escurecem.
    É a isto que se chama "cegueira produzida pelo próprio cego".
    Entretanto, este pecado é mais fácil de extinguir-se do que o outro, esta cegueira é mais fácil de ser curada do que a outra, que resulta do pecado dos pais, porque quando foi o próprio cego que pecou, o pecador é um só, e quando foram os pais que pecaram, os pecadores são três: o pai, a mãe e o filho; o pai porque ensinou, a mãe porque confirmou, o filho porque aceitou e referendou o pecado, passando-o à sua descendência.
    Cegos por pecados próprios, diz o Evangelho haver Jesus curado muitos durante a sua peregrinação na Terra. Além daqueles a quem abriu os olhos diante dos mensageiros de João Batista e em outras ocasiões narradas pelos evangelistas, refere Mateus que, logo após a ressurreição da filha de Jairo, curou a dois que o seguiam e clamavam: "Filho de Davi, tem compaixão de nós".
    Quando Jesus passava na estrada de Jericó, outros dois clamavam: "Filho de Davi, tem misericórdia de nós".
    E o divino Mestre fê-los recuperar a vista.
    Passemos à terceira hipótese:
    A cegueira de nascença é graça de Deus para que suas obras sejam manifestas.
    Todas essas doenças incuráveis que Jesus curou, durante a sua passagem por este mundo, são graças de Deus; e os doentes, longe de serem pecadores ou sofrerem a conseqüência do pecado de seus pais, eram Espíritos missionários, enviados para que neles as obras de Deus fossem manifestas. Foi isto que Jesus quis dar a entender, quando curou o "cego de nascença", e disse, em primeiro lugar, "que nem ele nem seus pais pecaram, mas deu-se isto para que as obras de Deus fossem manifestas"; e em segundo lugar, quando mandou o "cego" lavar-se na piscina de Siloé.
    Siloé quer dizer enviado, e mandando Jesus lavar-se o cego naquela piscina, quis mostrar a seus discípulos e aos mais que assistiam à cura, que aquele "cego" era "enviado".
    Enviado para que as obras de Deus fossem manifestas publicamente por seu intermédio.
    Passemos agora ao cego propriamente dito.
    Exame feito no cego.
    Jesus passou, viu um homem cego, viu que a causa da cegueira não era pecado próprio do cego, nem de seus pais.
    Viu mais, que a cegueira em vez de ser treva, era luz, e deliberou curar o homem, porque, curando-o, as obras de Deus seriam manifestas.
* * * * *
    Havia muitos anos vivia o homem que era cego, e vivia andando pelas ruas porque era mendigo e esmolava.
    Todos os dias os fariseus encontravam esse homem e nunca se deram ao incômodo de examiná-lo, nem de tentar curá-lo.
    Foi preciso que os vizinhos do cego o levassem à sinagoga, à igreja, para ser examinado pelos sacerdotes do farisaísmo que, apesar de todos os testemunhos de cegueira, não quiseram crer que o homem tivesse sido cego de nascença!
    Inquiriram as testemunhas, mas não creram nas testemunhas; inquiriram os pais do cego, e não acreditaram nos pais do cego; inquiriram o cego e não acreditaram no cego; finalmente, por causa de todas as informações e afirmações, o cego foi expulso da igreja! Sabendo Jesus disso, deliberou dar uma lição aos fariseus, pois era mister fazer a obra de Deus resplandecer ainda com mais intensidade.
    Chamou, então, o que fora cego e lhe perguntou: "Crês tu no Filho de Deus?" "Quem é ele, Senhor?", perguntou o cego. "Sou eu que falo contigo", respondeu Jesus. O homem que fora cego tornou: "Creio, Senhor", e o adorou. Jesus então disse abertamente: Eu vim a este mundo para um juízo, a fim de que os que não vêem vejam; e os que vêem se tornem cegos.
    Esta sentença mostra a justiça dos desígnios de Deus e a sua admirável sabedoria.
    O cego que era pobre, que mendigava, despido de sabedoria, de aparatos, fora da igreja, foi curado, viu Jesus, afirmou sua crença no Filho de Deus e o adorou.
    Os fariseus, que não eram cegos, que não eram pobres, que não mendigavam, que eram cheios de sabedoria terrena, que eram sacerdotes e estavam dentro das igrejas, viram Jesus, mas não creram em Jesus, não o receberam e até o perseguiram e crucificaram
    Que triste contraste entre os fariseus e o cego!
    E por que é assim? Porque o cego se fez cego por amor à glória de Deus, para que a glória de Deus fosse manifesta; ao passo que os fariseus se fizeram videntes por ódio à glória de Deus, para que a glória de Deus não fosse manifesta.
    O que não via começou a ver, e os que pensavam ver se tornaram cegos! Cegos, completamente cegos; cegos da pior espécie de cegueira: a cegueira espiritual, moléstia que permanece na vida eterna.
    Tão cegos eram os fariseus, e tanto mais cegos se tornaram, que chegaram ao auge de não mais se conhecerem e de nem mesmo saber que eram cegos! Tal foi a confusão em que se achavam que perguntaram a Jesus: "Porventura somos nós também cegos?"
    E Jesus respondeu-lhes, fazendo alusão ao cego de nascença a quem havia curado, porque não tinha pecado e por ser necessária a manifestação das obras de Deus: "Se fôsseis cegos não teríeis pecado algum, mas o vosso pecado fica subsistindo, porque vós dizeis: Nós vemos."
    Mas, que viam os fariseus?
    Viam o mundo, viam as ruas, viam as casas, viam as coisas da Terra, viam o dinheiro!(*)
    Mas, será isto, verdadeiramente, ver? Se assim é, qualquer asno também vê. O asno também vê as ruas, as casas, os carros.
    Os fariseus viam como vêem os asnos, mas não viam como vêem aqueles que querem ver manifestas as obras de Deus. Na verdade, eles não viram Jesus, não viram a cura do cego, não viram o cego, não viram as obras de Deus que foram manifestas a todos! Entretanto, o cego fora curado diante deles, Jesus estava à sua frente, e as obras de Deus foram manifestas ante os seus olhos!
* * * * *
    As graças de Deus são luzes que nos iluminam o caminho da vida, que nos mostram as obras divinas, desvendando-nos o reino da felicidade imortal.
    Quem ama a Deus e procura cercar-se de suas obras, se é cego, fica vendo; se é surdo, ouve; se é mudo, fala; porque as obras de Deus vivificam os nossos sentidos para nos extasiar com as suas maravilhas.
    (*) Viam a lei, e diz Paulo: "É evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé. "(Gál.,III, 11.)


Livro: Parábolas e Ensinos de Jesus - Cairbar Schutel

7 de dez de 2017

O CEGO DE SILOÉ

Parte I

    "Jesus, ao passar, viu um homem cego de nascença. Perguntaram-lhe seus discípulos: Mestre, quem pecou para que este nascesse cego, ele ou seus pais? Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais, mas isto se deu para que as obras de Deus nele sejam manifestas. É necessário que façamos as obras de quem me enviou enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Estando eu no mundo, sou a luz do mundo. Tendo assim falado e fazendo lodo com saliva, aplicou-o nos olhos do cego, dizendo: Vai lavar-te no tanque de Siloé (que quer dizer, Enviado ). Ele foi, lavou-se e voltou com vista. Então os vizinhos e os que dantes o conheciam de vista, como mendigo, perguntavam: Não é este o que se assentava para mendigar? E ele mesmo, respondiam uns; não é, mas é parecido com ele, diziam outros. Porém ele dizia: Sou eu mesmo. Perguntaram-lhe, pois: Como te foram abertos os olhos? Respondeu ele: Aquele homem chamado Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos e disse: Vai a Siloé e lava-te: então fui, lavei-me e fiquei vendo. E eles perguntaram: Onde está ele? Respondeu: não sei".
   "Levaram aos fariseus o que fora cego. Ora, era Sábado o dia em que Jesus fez lodo e lhe abriu os olhos. Então os fariseus, por sua vez, perguntaram-lhe como recebera a vista. Ele respondeu: Aplicou lodo aos meus olhos, lavei-me e agora vejo. Pelo que alguns dos fariseus diziam: como pode um homem pecador fazer tais milagres? E havia dissensão entre eles. Tornaram a perguntar ao cego: Que dizes tu a respeito dele, visto que te abriu os olhos? É profeta, respondeu ele. Mas os judeus não acreditaram que ele tivesse sido cego e tivesse recebido a vista, enquanto não chamaram os pais dele e os interrogaram: É este vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Como, pois, vê agora? Responderam seus pais: Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego; mas como agora vê, não sabemos, ou quem lhe abriu os olhos, nós não sabemos; interrogai-o, já tem idade; ele mesmo falará por si. Isto disseram seus pais porque tinham medo dos judeus; porquanto estes já tinham combinado que se alguém confessasse ser Jesus o Cristo, fosse expulso da sinagoga. Por isso disseram seus pais: Ele já tem idade, interrogai-o. Então chamaram pela Segunda vez o homem que fora cego e lhe disseram: Dá glórias a Deus: nós sabemos que este homem é pecador. Ele respondeu: Se é pecador eu não sei: uma coisa sei: Eu estava cego e agora vejo. Perguntaram-lhe, pois: Que te fez ele? Como te abriu os olhos? Ele lhes respondeu: Já vo-lo disse e não ouvistes: por que quereis ouvir outra vez? Porventura quereis também vós tornar-vos seus discípulos? E injuriaram-no e disseram: Discípulo dele és tu; mas nós somos discípulos de Moisés, mas este não sabemos donde ele é. Respondeu-lhes o homem: É maravilhoso que não saibais donde ele é, e contudo, ele me abriu os olhos. Sabemos que Deus não ouve a pecadores, mas se alguém temer a Deus e fizer a sua vontade, a este ele ouve. Desde que há mundo, nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este homem não fosse de Deus, nada poderia fazer. Eles lhe replicaram: Tu nasceste todo em pecados e nos estás ensinando? E lançaram-no fora."
    "Soube Jesus que o haviam lançado fora e encontrando-o, lhe perguntou: Crês tu no Filho do Homem? Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele? Respondeu o homem.
    "Disse-lhe Jesus: Já o viste e é ele quem fala contigo. E ele disse: Creio Senhor; e o adorou. Jesus prosseguiu: Eu vim a este mundo para um juízo, a fim de que os que não vêem, vejam; e os que vêem, se tornem cegos. Ouvindo isto alguns dos fariseus, que estavam com ele, perguntaram-lhe: Porventura somos nós também cegos? Respondeu-lhes Jesus: Se fósseis cegos, não teríeis pecado algum; mas agora dizeis: Nós vemos; fica subsistindo o vosso pecado." (João, IX, 1-41).

    A vida de Jesus é uma lição extraordinária. Fonte de ensinamentos inesgotáveis que jorra para a vida eterna, só por ela seremos capazes de nos fortalecer para o cumprimento dos desígnios divinos.
    Todos os mestres da Terra têm errado e continuam a errar, só Jesus falou a eterna verdade, que irá sendo assimilada à proporção que crescermos no seu conhecimento e à medida que as graças de Deus abundarem em nós.
* * * * *
    Jesus passava e viu um homem que era cego de nascença, e logo que viu o cego conheceu tudo. Pela natureza da cegueira conheceu não só que o cego o era de nascença, mas também que seus pais não haviam pecado para que o cego assim nascesse, isto é, que a "mazela" não era hereditária.
    Conheceu mais o médico excelente: que a cegueira desse homem não provinha de pecado que ele houvesse cometido; mas, antes, que aquela enfermidade longe de ser um castigo, era uma graça de Deus, para que suas obras fossem manifestas.
    Três coisas podemos supor deste trecho que acabamos de ler:
    1 - Que a cegueira de nascença é produzida por pecados dos pais.
    2 - Que a cegueira de nascença é produzida por pecados do próprio cego.
    3 - Que a cegueira de nascença é graça de Deus para que suas obras sejam manifestas.
    Vamos analisar estas três proposições em ligeiros detalhes.
    A cegueira de nascença é produzida por pecado dos pais?
    Dura coisa é ir contra os ensinos sagrados, ou sofismar com o sentido das Escrituras.
    Como poderemos afirmar, de um lado, que os "filhos não pagam pelos pecados dos pais", e , de outro, dizer que "a cegueira de nascença é produzida por pecados dos pais"?
    Não será, porventura, uma injustiça e uma blasfêmia afirmar-se que, se os pais roubaram, injuriaram, mataram, perseguiram, os filho venham a sofrer as conseqüências destes desatinos, destes pecados, destes males praticados por seus progenitores?
    Se Jesus disse aos seus discípulos que cada um é responsável por suas obras, como posso eu responder pelos pecados de meus pais?
    Jesus nunca faltou com a verdade; sua palavra é de vida e de luz; nele não há trevas; como afirmar que "a cegueira pode Ter como causa os pecados dos pais?"
    Está escrito no trecho do Evangelho que acima transcrevemos, que, havendo os apóstolos perguntado ao Mestre: "Quem pecou para que este homem nascesse cego, ele ou seus pais?", Jesus respondeu: "Nem ele pecou nem seus pais."
    Pela pergunta dos apóstolos compreendemos que eles acreditavam ser a cegueira de nascimento ocasionada, ou por pecados de pais, ou por pecado do próprio Espírito.
    E pela resposta que Jesus lhes deu, também podemos compreender que esta crença não era destituída de fundamento, porque, se fosse, Jesus, que lhes estava ensinando, que era o Mestre de todos eles, lhes diria: "Errais no vosso pensamento, porque o pecado dos pais não pode cegar os filhos, assim como ninguém pode pecar antes de nascer."
    Mas Jesus não lhes disse isto: deixou que alimentassem a sua crença, o seu modo de pensar, e se limitou a afirmar, quanto àquele cego, que: "nem ele pecara, nem seus pais, mas se havia produzido aquela cegueira para que as obras de Deus fossem manifestas".
* * * * *
    De fato, de acordo com os ensinos do Cristo, iluminados pelo Espiritismo, os filhos não podem pagar pelos pecados dos pais, mas os pecados dos pais podem chegar ao auge de cegar os filhos.
    Eis aqui a interpretação da crença dos apóstolos, que Jesus não quis destruir: Se os pais furtam, os filhos não são responsáveis pelo furto; se eles matam, os filhos não são responsáveis pela morte; se eles mentem, caluniam, difamam, os filhos não têm de responder pela mentira, pela calúnia, pela difamação; mas se os pais educam os filhos nessas paixões, nesses vícios, esses defeitos dos pais se refletem nos filhos e os filhos pagam as conseqüências funestas dessa má educação; pela mesma forma, os pais têm de prestar severas contas a Deus pelas faltas que seus filhos praticarem, visto serem elas causadas pela educação que receberam no lar.
    De modo que, quer falando moralmente, quer falando espiritualmente, os pais são condenados pelas faltas dos filhos, e os filhos são condenados pelas faltas dos pais.
    Conta-se a história de uma mulher que nunca soube dar educação ao filho e que, tornando-se este ladrão e assassino, fora condenado à forca. Solicitado, como era de uso noutros tempos, a fazer o seu último pedido, disse Ter o desejo de beijar a sua mãe antes de morrer. Foi-lhe dada permissão e para tal fim fizeram a velha subir as escadas da forca, onde se achava o filho prestes a ser executado.
    Ele abraçou a mãe, e, chegando o seu rosto ao dela, com os dentes arrancou-lhe um pedaço de carne da face, e disse: "Tu és culpada do meu suplício; ele é o resultado da educação que me deste".
    Eis aí um fato que resume milhares de outros fatos que se verificam no mundo: de filhos sofrerem o pecado dos pais e pais sofrerem o pecado dos filhos.
    Assim como acontece no plano moral, também acontece no plano espiritual.
    Haverá mal que mais tenha feito sofrer os filhos do que a "religião" chamada "dos nossos pais"?
    Não é este o maior dos pecados dos pais, pelo qual pagam os filhos?
    O que acontece aos filhos de católicos e de protestantes que herdam, como se a religião fosse dinheiro, casa ou fazenda, a "religião de seus pais"?
    Nós temos tido a felicidade de estar em relação com o mundo espiritual e de conversar com os "mortos", sabemos bem de perto quão grandes são os sofrimentos dos que carregam para o além-túmulo essa herança sem valor. Embora os comunicantes não deixem de ser Espíritos de certa categoria, passam muito tempo em grande perturbação; caminham de um lado para outro sem encontrar o Céu, o Inferno e o Purgatório, que haviam recebido por "herança" de seus pais; e começam a verificar que os sacramentos que receberam nenhum benefício lhes fez, e até despertarem desse terrível pesadelo, bebem o fel que lhes foi dado, em vez da água pura da revelação espiritual! E a dor por que passam também os pais perturbados, ao verem assim alucinados seus filhos, a ponto de não os conhecerem, nem quererem ouvi-los, para se iniciarem na vida espiritual!
    Mesmo excluindo esse quadro muito comum, que se desenrola no outro plano da vida, não será um sofrimento atroz para um pai, pensar que seu filho foi para o "Inferno eterno" que lhe ensinaram existir do outro lado do túmulo? Ou então o filho que vê morrer seu pai ou sua mãe, julgar esses entes queridos condenados para sempre ao reino de Plutão?
    Eis como o pai paga pelo filho, e o filho pelo pai.
    Quando Jesus disse que: "quem amasse mais a seu pai, a sua mãe, a seus irmãos, a seus amigos do que a Ele, não seria digno dEle", quis afirmar que o pecado de crenças falsas e preconceitos dos pais é tão venenoso, tão prejudicial, que chega a contaminar os filhos, obscurecendo-lhes a visão da vida espiritual.
    Donde vêm as guerras, o ódio, o egoísmo, as dissensões? Não será das más crenças dos pais, refletindo-se nos filhos?
    Diz a sentença popular: "tal pai, tal filho", fazendo alusão a essa herança prejudicial que impede o progresso da família e da sociedade.
* * * * *continua.


Livro: Parábolas e Ensinos de Jesus - Cairbar Schutel

6 de dez de 2017

REATAR LAÇOS

Questão 424 do Livro dos Espíritos

O assunto focalizado pela pergunta quatrocentos e vinte e quatro, com a sua magistral resposta é muito interessante. Ela focaliza um tema a que se dá muita esperança, mostrando que o Espírito tem poderes extraordinários, desde quando se empenhe em fazer o bem com consciência dentro do saber e do amor.
Em muitos casos, quando o encarnado está prestes a desencarnar e se encontra com mãos generosas, pode-se mudar completamente o quadro dessa situação, pois, o médium generoso é capaz de assimilar o fluido universal, transformando-o em magnetismo animal e, se em torno de si existem companheiros de alta linhagem espiritual, é possível levantar caídos, curar enfermos e mesmo reatar laços quase a serem desfeitos.
O magnetismo pode muito em diversos casos. Ele tem o poder de fazer circular a força vital em corpos já desfalecidos por carência de tal energia. É nesse sentido que recomendamos o passe bem orientado, a água fluidificada, a leitura nobre e conversações edificantes.
Jesus, o Mestre dos mestres, conhecedor de todos os segredos da vida humana, dava apenas uma ordem ao moribundo e restabelecia todas as funções dos seus órgãos em decadência. Assim fazia com os cegos, leprosos e mesmo com os tidos como mortos. Era a força poderosa da Sua mente, carregada de magnetismo divino.
A Doutrina Espírita, com a sua valiosa função de fazer reviver o cristianismo, orienta todos os interessados em melhorar seu padrão vibratório, para franquearem suas qualidades espirituais, para que possam sentir em suas mãos a força espiritual de curar enfermos e dar esperança aos que sofrem. E a fonte de todas essas esperanças se encontra no amor. Os tempos estão chegando; o chamado de Jesus se aproxima mais das criaturas, no sentido de amarem e aprenderem. O mundo espiritual responsável pela educação dos povos não está procurando feitos exteriores nas criaturas da Terra e, sim, incentivando-as para a melhoria íntima. É a transformação dos seus hábitos perniciosos, em virtudes elevadas, que as levarão para a paz de consciência.
Sejamos instrumentos de alegria para os tribulados, mas, para tanto, é necessário que nos preparemos, educando nossos pensamentos com o Senhor da vida. Seja nossa boca profusão de luzes; sejam nossas mãos bênçãos de Deus semeando paz e tranquilidade por onde passarmos. Quantos enfermos existem no mundo precisando de mãos santas, para que o toque seja feito por amor, sem esquecermos as palavras que podem ajudar no restabelecimento da harmonia em todos os seus corpos, que sofrem todos os tipos de padecimentos! Devemos também reatar laços que já estão se desestruturando em todas as áreas da vida, tanto espiritual quanto de amizades, para que a fraternidade cresça em todos rumos e possa levantar a fé nas criaturas, abrindo caminhos para um novo mundo, onde brilharão novas estrelas e novo céu. Cada vida que ativarmos para o bem será um ponto de luz a nosso favor. Não nos esqueçamos dessa verdade, mas, isso sempre deve ser feito sem exigências, nas linhas do amor mais puro, como sendo a caridade bem conduzida, em cujos caminhos se reflete a alegria mais elevada.


Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

5 de dez de 2017

ESPIRITISMO PRÁTICA – VI

381 –Muita gente procura o Espiritismo, queixando-se de perseguições do Invisível. Os que reclamam contra essas perturbações estão, de algum modo, abandonados de seus guias espirituais?
-A proteção da Providência Divina estende-a a todas as criaturas.
A perseguição de entidades sofredoras e perturbadas justifica-se no quadro das provações redentoras, mas, os que reclamam contra o assédio das forças inferiores dos planos adstritos ao orbe terrestre, devem consultar o próprio coração antes de formularem as suas queixas, de modo a observar se o Espírito perturbador não está neles mesmos.
Há obsessores terríveis do homem, denominados “orgulho”, “vaidade”, “preguiça”, “avareza”, “ignorância” ou “má vontade”, e convém examinar se não se é vítima dessas energias perversoras que, muitas vezes, habitam o coração da criatura, enceguecendo-a para a compreensão da luz de Deus. Contra esses elementos destruidores faz-se preciso um novo gênero de preces, que se constitui de trabalho, fé, esforço e boa -vontade.


Livro “O Consolador” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.