25 de set de 2016

“Não sou médium”.

Procuro elucidar aqueles que muitas vezes se encontram perdidos, achando que não são médiuns e que não servem para coisa alguma.
Procuro dizer a todos os que chegam a uma Casa Espírita: a mediunidade é linda, mas o mais belo dom é o dom de servir e todos nós podemos fazer algo pelo nosso próximo.
Feliz hoje em dia daquele que tem fé.
Quem procura uma Casa Espírita está buscando espiritualizar-se e queira Deus seja bem orientado.
Temo, irmão, pelas pessoas que sentem uma vontade louca de incorporar espíritos; elas podem jogar a rede da mediunidade e pescar tristeza e ridículo em vez de peixes.
Certas pessoas, abusando da boa-fé dos que as consultam, não hesitado em profanar nomes respeitados e tornarem suspeitas uma ciência e uma doutrina que vieram para salvar e regenerar o homem.
Mediunidades desequilibradas têm afastado muitas pessoas do estudo sério do Espiritismo.
Por isso, todos nós, que assumimos uma obrigação com os livros espíritas, recebemos a incumbência de falar aos espíritas: "cuidado, não brinquem com as dores alheias, querendo passar-se, a troco de pequenas gentilezas, por quem precisa ser respeitado: o desencarnado”.


Livro: Deixe-me Viver – Irene P. Machado – Luiz Sérgio

24 de set de 2016

EU QUERIA, SENHOR!...

Eu queria, Senhor, escutar-Te, de novo,
A voz suave mansa,
Falando do Evangelho para o povo,
Enchendo as nossas almas de esperança...

Queria que voltasses dos Espaços
Sobre os mesmos caminhos,
Em que deixaste, outrora, nos Teus passos,
Tantas flores nascendo entre os espinhos...

Eu queria que aos homens repetisses
As palavras de luz,
Que foram, em quase tudo o que dissesses,
Esquecidas no dia após a cruz...

Queria ver o Teu sorriso eleito
Ao feliz pequenino,
Que, em Teu colo, apertaste junto ao peito,
Contando histórias sobre o Rei Divino...

Eu queria, Senhor, ouvir-Te ainda
Dizer suspenso ao lenho que abençoas,
Com o Teu imenso amor que não se finda,
Que outra vez nos perdoas!...

EURÍCLEDES FORMIGA (*)
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do “Grupo Espírita da Prece”, na noite de 7 de outubro de 1989, em Uberaba – MG).

(*) Nota do médium: Contam-se às dezenas as páginas de Eurícledes Formiga, e outros autores espirituais, que, inéditas, desde a década de 80, permanecem em nosso arquivo, aguardando publicação.

23 de set de 2016

NA PROPAGANDA EFICAZ

     "É necessário que ele cresça e que eu diminua." - João Batista. (JOÃO, 3:30.)

    Há sempre um desejo forte de propaganda construtiva no coração dos crentes sinceros.
    Confortados pelo pão espiritual de Jesus, esforçam-se os discípulos novos por estendê-lo aos outros.     Mas, nem sempre acertam na tarefa. Muitas vezes, movidos de impulsos fortes, tornam-se exigentes ou precipitados, reclamando colheitas prematuras.
    O Evangelho, porém, está repleto de ensinamentos nesse sentido.
    A assertiva de João Batista, nesta passagem, é significativa. Traça um programa a todos os que pretendam funcionar em serviço de precursores do Mestre, nos corações humanos.
    Não vale impor os princípios da fé.
    A exigência, ainda que indireta, apenas revela seus autores. As polêmicas destacam os polemistas... As discussões intempestivas acentuam a colaboração pessoal dos discutidores. Puras pregações de palavras fazem belos oradores, com fraseologia preciosa e deslumbrantes ornatos da forma.
    Claro que a orientação, o esclarecimento e o ensino são tarefas indispensáveis na extensão do Cristianismo, entretanto, é de importância fundamental para os discípulos que o Espírito de Jesus cresça em suas vidas. Revelar o Senhor na própria experiência diária é a propaganda mais elevada e eficiente dos aprendizes fiéis.
    Se realmente desejas estender as claridades de tua fé, lembra-te de que o Mestre precisa crescer em teus atos, palavras e pensamentos, no convívio com todos os que te cercam o coração. Somente nessa diretriz é possível atender ao Divino Administrador e servir aos semelhantes, curando-se a hipertrofia congenial do "eu".


Livro: Vinha de Luz – Francisco C Xavier - Emmanuel

22 de set de 2016

EXTENSÃO DO SERVIÇO

    Que seria do Espiritismo se não guardasse finalidades de aperfeiçoamento da própria Terra, onde se expressa por movimento libertador das consciências?
    Seria louvável subtrair o homem do campo à função laboriosa da sementeira, distraindo-o com narrativas brilhantes e induzindo-o à inércia?
    Seria aconselhável a imposição do êxtase ao esforço ativo, congelando-se preciosas oportunidades de realização para o bem?
    Mas, se nos abeirarmos do trabalhador, com o intuito de estimulá-lo ao serviço, auxiliando-lhe o entendimento, para que a tarefa se lhe faça menos sacrificial, e favorecendo-o a fim de que descubra, por si mesmo, os degraus da própria elevação, estaremos edificando o bem legítimo, no aprimoramento da vida e da coletividade.
    De que valeria a intimidade do homem com os Espíritos domiciliados em outras esferas, sem proveito para a existência que lhe é peculiar? Não será deplorável perda de tempo informarmo-nos, sem propósito honesto, quanto aos regulamentos que regem a casa alheia? Se a criatura humana ainda não pode dispensar o suprimento de proteínas e carboidratos, de oxigênio e vitaminas, se não pode prescindir do banho e da leitura, porque induzi-la ao ocioso prazer das indagações sem elevação de vistas?
    Atendamos, acima de tudo, ao essencial.
    É curioso notar que o próprio Cristo, em sua imersão nos fluidos terrestres, não cogitou de qualquer problema inoportuno ou inadequado.
    Não se sentou na praça pública para explicar a natureza de Deus e, sim, chamou-lhe simplesmente "Nosso Pai", indicando os deveres do amor e reverência com que nos cabe contribuir na extensão e no aperfeiçoamento da Obra divina.
    Embora asseverasse que "na casa do Senhor há muitas moradas", não se deteve a destacar pormenores quanto aos habitantes que os povoam.
    Não obstante exaltar o Reino Celeste, nele situando a glória do futuro, não olvidou o Reino da Terra, que procurou ajudar com todas as possibilidade de que dispunha.
    Curando cegos e leprosos, loucos e paralíticos, deu a entender que vinha não somente regenerar as almas e sim também socorrer os corpos enfermos, na recuperação do homem integral.
    Não se contentou, porém, com  isso.
    Em todas as ocasiões, exaltou nossos deveres de amor para com a vida comum.
    Recorre à semente de mostarda e à dracma perdida para alinhar preciosos ensinamentos.
    Compara o mundo a vinha imensa, onde cada servidor recebe determinada quota de obrigações.
    Consagra especial atenção às criancinhas, salientando o amparo que devemos às gerações renascentes.
    Nessa mesma esfera de realizações, os princípios do Espiritismo Evangélico se estenderão em favor da Humanidade.
    Os desencarnados testemunham a sobrevivência individual, depois da morte, provam que a alma se transfere de habitação sem alterar-se, de imediato, mas, preconizando o estudo e a fraternidade, a cultura e a santificação, o trabalho e a análise, em  obediência a ditames superiores, objetivam, acima de tudo, a melhoria da vida na Terra, a fim de que os homens se façam, efetivamente, irmãos uns dos outros no mundo porvindouro que será, indiscutivelmente, iluminada secção do Reino Infinito de Deus.

Livro: Roteiro - Francisco C Xavier - Emmanuel

21 de set de 2016

PAIXÕES DIFERENTES

Questão 363 do Livro dos Espíritos

As paixões que têm os Espíritos que moram na Terra e que viajam com ela na sua órbita, como sendo o seu mundo espiritual, não são diferentes das dos homens; elas são as mesmas, porque eles se sucedem pelos processos das reencarnações. Os Espíritos são os mesmos homens, e os homens são os mesmos Espíritos, que se entregam às mutações como força da lei do progresso espiritual.
Convém que todas as criaturas estudem mais as leis de Deus, que passem a conhecer na sua profundidade, os ensinamentos de Jesus Cristo, porque a verdade, no dizer do Mestre, nos coloca em liberdade. Os homens, quando enraizados nas paixões inferiores, levam-nas para além-túmulo e, por vezes, ainda mais fortes, que se encontram em estado de Espírito, sem o entrave do corpo.
O Espírito, quando passa para a carne pelos processos das vidas sucessivas, igualmente traz as suas paixões, se as tem, de modo a educá-las ao passar por variados abrolhos dos caminhos. Não nos percamos nos emaranhados das ilusões. Onde quer que estivermos, os métodos educativos se encontram a nos espreitar de maneiras diversas, e para entendermos as lições, a vida nos aplica muitos meios que correspondem às nossas necessidades.
As paixões da alma devem desaparecer. Certamente que é difícil essa limpeza, por estarem entranhadas em muitos corpos que o Espírito usa para a sua jornada na Terra. Contudo, não devemos esmorecer. Todo aquele que venceu na vida começou algum dia a dar os primeiros passos no aprendizado, na autoiluminação. Para começar basta buscar os caminhos de Jesus, como Mestre dos mestres, que não se errará o ideal da felicidade.
Verifiquemos hoje mesmo quais as paixões que vibram em nossa alma e não deixemos para amanhã o combate a elas. Comecemos agora, que o Senhor nunca deixa Seus filhos sozinhos nos combates internos. A Doutrina dos Espíritos é um manancial de ensinamentos capazes de nos levar à vitória. As guerras existem por toda a parte, no entanto, os homens esqueceram que a verdadeira luta proveitosa é a que travamos no nosso interior, no combate com nossos inimigos do coração, e os piores são o orgulho e o egoísmo, fonte de onde dimanam todos os outros, contrários ao bem estar da alma. As paixões inferiores envenenam a atmosfera do planeta, a água que se bebe e os alimentos. Elas deturpam a natureza no seu laboratório divino, de modo que seus frutos entram em decadência o organismo humano e mesmo o dos animais. Para combater as paixões, é necessário ter fé em Deus, e procurar outra vez o Cristo, sem contar o tempo que se gastará para limpar a veste espiritual e tranquilizar a consciência. Que se use a oração, mas que não fique somente nisso: é necessário vigiar todos os segundos da vida e, ainda sim, não ficar somente nisso; é preciso trabalhar como Jesus nos ensinou a operar.
Paixões e virtudes travaram lutas no reino do Espírito imortal.
Necessário se faz que continuem a lutar, porque o mal nunca vence o bem, e é nessa caridade para conosco, da iluminação interior, que Jesus nos garante a vitória, de modo que a consciência receba o premio da tranquilidade imperturbável. Que queremos mais? Isso basta, por ser o céu na profundidade do ser.


Livro Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

20 de set de 2016

Virtude – II

255 –Devemos nós, os espiritistas, praticar somente a caridade espiritual, ou também a material?
-A divisa fundamental da codificação kardequiana, formulada no “fora da caridade não há salvação” , é bastante expressiva para que nos percamos em minuciosas considerações.
Todo serviço da caridade desinteressada é um reforço divino na obra da fraternidade humana e da redenção universal.
Urge, contudo, que os espiritistas sinceros, esclarecidos no Evangelho, procurem compreender a feição educativa dos postulados doutrinários, reconhecendo que o trabalho imediato dos tempos modernos é o da iluminação interior do homem, melhorando-se-lhe os valores do coração e da consciência.
Dentro desses imperativos, é lícito encarecermos a excelência dos planos educativos da evangelização, de modo a formar uma mentalidade espírita-cristã, com vistas ao porvir.
Não podemos desprezar a caridade material que faz do Espiritismo evangélico um pouso de consolação para todos os infortunados; mas não podemos esquecer que as expressões religiosas sectárias também organizaram as edificações materiais para a caridade no mundo, sem olvidar os templos, asilos, orfanatos e monumentos. Todavia, quase todas as suas obras se desvirtuaram, em vista do esquecimento da iluminação dos Espíritos encarnados.
A Igreja Romana é um exemplo típico.
Senhora de uma fortuna considerável e havendo construído numerosas obras tangíveis, de assistência social, sente hoje que as suas edificações são apenas de pedra, porquanto, em seus estabelecimentos suntuosos, o homem contemporâneo experimenta os mais dolorosos desenganos.
As obras da caridade material somente alcançam a sua feição divina quando colimam a espiritualização do homem, renovando-lhe os valores íntimos, porque, reformada a criatura humana em Jesus-Cristo, teremos na Terra uma sociedade transformada, onde o lar genuinamente cristão será naturalmente o asilo de todos os que sofrem.
Depreende-se, pois, que o serviço de cristianização sincera das consciências constitui a edificação definitiva, para a qual os espiritistas devem voltar os olhos, antes de tudo, entendendo a vastidão e a complexidade da obra educativa que lhes compete efetuar, junto de qualquer realização humana, nas lutas de cada dia, na tarefa do amor e da verdade.
256 –Como interpretar a esmola material?
-No mecanismo de relações comuns, o pedido de uma providência material tem o seu sentido e a sua utilidade oportuna, como resultante da lei de equilíbrio que preside o movimento das trocas no organismo da vida.
A esmola material, porém, é índice da ausência de espiritualização nas características sociais que a fomentam.
Ninguém, decerto, poderá reprovar o ato de pedir e, muito menos, deixará de louvar a iniciativa de quem dá a esmola material; todavia, é oportuno considerar que, à medida que o homem se cristianiza, iluminando as suas energias interiores, mais se afasta da condição de pedinte para alcançar a condição elevada do mérito, pelas expressões sadias do seu trabalho.
Quem se esforça, nos bastidores da consciência retilínea, dignifica-se e enriquece o quadro de seus valores individuais.
E o cristão sincero, depois de conquistar os elementos da educação evangélica, não necessita materializar a idéia da rogativa da esmola material, compreendendo que, esperando ou sofrendo, agindo ou lutando, nos esforços da ação e do bem, há de receber, sempre, de acordo com as suas obras e de conformidade com a promessa do Cristo.

Livro “O Consolador” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz

19 de set de 2016

"JOÃO" E O “APOCALIPSE”

Dias atrás, encontrei aqui, em uma de nossas ruas mais movimentadas, com uma das folclóricas figuras de nossa cidade espiritual – ou, porventura, acham vocês que, deste Outro Lado, elas, igualmente, não existem?!
- Dr. Inácio?! – cumprimentou-me de semblante preocupado.
- Como vai, “Apocalipse”?! – perguntei apertando-lhe a mão, que estendera para mim, e chamando-o como ele faz questão de ser chamado.
- Vamos indo, Doutor.
- Muito trabalho?! – inquiri no diálogo breve que mantivemos.
- O senhor nem imagina...
E ajeitando, no corpo, as roupas, um tanto andrajosas, que fazem jus ao seu codinome, acrescentou:
- Se eu fosse Deus, ainda que por um minuto, eu acabava com o mundo...
- Mas assim, sem mais ou menos?! – insisti.
- Ah, Doutor, a Humanidade está dando muito trabalho para o João... Do jeito que a coisa está não pode continuar! Eu acabaria com tudo – transformaria tudo em poeira cósmica!...
- “Dando trabalho para o João”?!... – interroguei curioso.
- Ora, Doutor – esclareceu, com uma ponta de indignação –, para o João Capeta, meu amigo?!...
- João Capeta?! De quem se trata?!...
- Do próprio!...
- Do “Chifrudo”?!...
- Ele mesmo, Doutor! É muito meu amigo...
- Não me diga, “Apocalipse”! Eu sempre soube que você tem muitas amizades nas altas esferas, mas...
- Dr. Inácio, o senhor é um homem inteligente – ponderou, segurando-me, afavelmente, no antebraço. – O senhor quer me dizer que o João, meu amigo, não está tendo mais trabalho que Jesus Cristo no mundo?!...
- Aí eu sou obrigado a concordar com você! – exclamei, dando um passo atrás, devido ao forte cheiro de cebola que emanava de sua boca desencarnada.
- Então?!...
- De fato, devo reconhecer que, em nosso país, lá pelas bandas da Capital Federal, o João anda tendo muito trabalho – chega a ser de desanimar quem, ao que sei, até hoje, desde quando apareceu a Adão e Eva, em forma de uma serpente, ainda não havia desanimado!...
- Doutor, coitado de Jesus Cristo! Aquele povo que, um dia, ele expulsou do templo... Lembra-se?! Expulsou com um chicote na mão...
- Claro que me lembro – redargui. – Ainda trago nas minhas costas a marca da lambada que levei...
- O senhor estava lá?!...
- Penso que sim, “Apocalipse”, pois eu não tenho outra explicação para a dor que, até hoje, está doendo em mim.
- Então, Doutor, com exceção do senhor, aquele povo voltou tudinho – a coisa está pior do que antes!...
- Realmente – concordei com a figura conhecidíssima de nós outros e que, quando encarnada, vivia anunciando o fim do mundo.
- É por isto que digo, Doutor: eu não posso ser Deus, porque se eu fosse Deus por um minutinho só...
- Melhor, “Apocalipse”, que você não seja – nem você e nem eu!...
- O quê?! O senhor também?!...
E antes que o assunto desandasse e ele cismasse em me emprestar o seu megafone colorido, despedi-me do amigo, mas não sem antes lhe pedir, encarecidamente:
- Recomende-me ao João, “Apocalipse”!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 12 de setembro de 2016.