6 de fev de 2016

MARIAZINHA

Véspera de Natal... Mariazinha
Avança pela estrada em solidão,
Doente e mendigando proteção,
Na prova em que se vê sempre sozinha.

Ao perceber alguém que se avizinha,
Quase a desfalecer, estende a mão...
É um jovem que, ao tomar-lhe a direção,
A fim de estar com ela se encaminha.

A infeliz, então, cambaleante,
Tropeça numa pedra e cai adiante,
Por sob o peso de invisível cruz...

Porém, tomando a forma de uma estrela,
Diz o jovem, nos braços, ao sustê-la:
- Mariazinha, vem!... Eu sou Jesus!...

Eurícledes Formiga

(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, na manhã do dia 23 de dezembro de 2015, nas dependências do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, em Uberaba – MG).

5 de fev de 2016

Decisão nas Trevas

    ORGANIZADOR DE OBSESSÕES - Caros companheiros, atualmente o nosso problema intricado é o Espiritismo. Ensinamentos renovadores em toda parte, horizontes claros na mente humana...
    UM OBSERVADOR DAS TREVAS - Isso mesmo. Verdadeira lástima!
    ORGANIZADOR DE OBSESSÕES - Os espíritas criam atmosfera semelhante à que se conheceu nos tempos de Cristo. Não há meio de isolá-los nas preces inativas. Por mais sugiramos encantamentos com melodias e aromas, rituais e painéis, mas se afastam das seduções magnéticas, atirando-se ao exército do bem. Ao invés de arcas místicas, preferem tijolos para casas beneficientes. Em vez de se ajoelharem, caminham... Trocam perfumados unguentos por suor desagradável, desde que possam servir aos semelhantes. Quadro igual ao da época de Jesus, em que se realizavam caravanas de socorro aos infelizes, onde os infelizes estivessem. Sabem vocês que tudo isso ocorre em prejuízo nosso, de vez que precisamos das energias do homem, tanto quanto o homem necessita dos recursos do boi. (O gênio das sombras piscou os olhos.) Indispensável encontrar o processo de esmagá-los, destruí-los...
    UM OBSESSOR EXALTADO - Convém a guerra declarada, provocação de recinto em recinto...
    ORGANIZADOR DE OBSESSÕES - Bobagem! Perseguição é benefício aos perseguidos. Deve ser feita apenas em nossa própria família, quando quisermos acordar um companheiro e torná-lo mais vantajoso...
    UM OBSESSOR VIOLENTO - Pode-se promover o extermínio de todos eles... Desastres, envenenamentos... Um veículo motorizado é a morte de galochas, um medicamento mal dosado patrocina a desencarnação por descuido...
    ORGANIZADOR DE OBSESSÕES - Morte assim não resolve. (Sorriu, brejeiro.) Vocês sabem que desde a crucificação de Jesus não valem vítimas públicas. Vítimas são cartazes de propaganda para as ideias que representam. Que adianta retirar essa gente do corpo físico? Engrossaria aqui a fileira dos que nos combatem. Imperioso inventar diferentes empresas de anulação.
    UM MALFEITOR RECRUTA - Penso que seria ótimo se conseguíssemos formar falanges e falanges de obsessores, capazes de invadir os lares e as instituições espíritas, gerando a loucura em massa.
    ORGANIZADOR DE OBSESSÕES - Medida contraproducente. As perturbações multiplicadas induziriam os espíritas a mais amplos estudos e observações dos princípios que abraçam... E vocês não desconhecem que o Espiritismo, quanto mais observado, mais luz fornece ao pensamento... Ora, é claro que a luz não nos permite o serviço da sombra...
    UM OBSESSOR CONFUSIONISTA - Será possível engenhar novos truques, novas mistificações...
    ORGANIZADOR DE OBSESSÕES - Tolice! Isso traria mais estudo...
    UM MALFEITOR ANTIGO - Calúnias e discórdias, críticas e escárnios nunca foram empregados em vão...
    ORGANIZADOR DE OBSESSÕES - Tudo isso é técnica superada. O povo em si quer rendimento de boas obras. Toda pessoa injuriada vence fàcilmente essas tramóias, desde que se conserve trabalhando...
    UM OBSESSOR FABRICANTE DE DÚVIDAS - A melhor providência seria, decerto, a dúvida. As maiores cerebrações caem pela incerteza, imitando árvores poderosas quando sufocadas pela erva-de-passarinho... Procuremos atrasar o passo dos espíritas, instilando-lhes a vacilação em matéria de fé... Bastará um tanto mais de trabalho em nossas organizações e desconfiarão da Providência Divida e da imortalidade da alma, acabando com a mediunidade e arquivando as doutrinas pregadas por eles mesmos...
    ORGANIZADOR DE OBSESSÕES - A ideia é interessante, mas o tiro sairia pela culatra. Sobrariam aqueles de ânimo inquebrantável que, estimulados pela  dúvida, se decidiriam por mais ampla incursão nos domínios da realidade e, quando se pronunciassem, depois de mais amplas visões da vida, atrairiam multidões contra o nosso próprio esforço.
    UM VAMPIRIZADOR EXPERIENTE - Tenho um projeto que me parece viável. Será fácil treinar alguns milhares de companheiros para a hipnose em larga escala e faremos que os espíritas se acreditem santos de carne e osso. Mobilizaremos legiões de amigos nossos que lhes assoprem lisonja ao coração, ocupando a mediunidade, seja na palavra falada ou escrita, para a sustentação de elogios mútuos. Faremos que se suponham heróis e reis, místicos e fidalgos reencarnados com títulos honoríficos, garantidos nos mundos superiores, como os beatos do tempo antigo se julgavam donos de poltronas cativas no reino dos Céus. Depois dessa primeira fase, estarão dispostos a serem bonzinhos, a viverem na santa paz com todos. Não mais abraçarão problemas; considerarão a análise desnecessária; não estimarão perder a companhia dos desencantados ou encarnados que os bajulem; ao invés de canseira, a serviço dos outros, mergulharão a existência em meditações no colchão de molas, esperando que os anjos lhes emprestem asas para a ascensão aos Espaços Felizes; usarão o silêncio para que a verdade não os incomode e aproveitarão a palavra, quando se trate de dourar a mentira que os favoreça. Cada qual, assim, passará a viver entronizado na pequenina corte dos adoradores que lhes mantenham as ilusões. Colocarão considerações terrestres muito acima dos patrimônios espirituais, para não ferirem a claque dos amigos que os incensem; abominarão desgostos e aborrecimentos; nada quererão com discernimento e raciocínio; dirão que o mal será apagado pela bondade de Deus e não se lembrarão de que Deus espera por eles para que o bem triunfante do mal, estirando-se em meditações inoperantes acerca dos milênios vindouros; fugirão do mundo para não perderem a veste imaculada; detestarão qualquer empreendimento que vise a movimentar as ideias espíritas nas praças do mundo, a fim de não sofrerem incompreensões e desgastes... Em suma, há religiões que possuem santos de pedra ou gesso, mas nós, com a hipnose na base da ação, acabaremos improvisando neles santos de carne e osso por fora, conquanto prossigam na condição de homens e mulheres por dentro... Creio que, desse modo, enquanto estiverem preocupados em preservar a postura e a mascara dos santos, não disporão de tempo algum para os interesses do espírito...
    ORGANIZADOR DE OBSESSÕES - Excelente! Excelente! (O Chefe mostrou largo sorriso de satisfação.) Até que enfim! Até que enfim!... Mãos à obra!...
    MILHARES DE MALFEITORES E OBSESSORES - Muito bem!... Muito bem!...


Livro: Contos desta e doutra vida - Francisco C Xavier - Irmão X

4 de fev de 2016

INTELECTUALISMO

204 –A alma humana poder-se-á elevar para Deus, tão-somente com o progresso moral, sem os valores intelectivos?
O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita.
No círculo acanhado do orbe terrestre, ambos são classificados como adiantamento moral e adiantamento intelectual, mas, como estamos examinando os valores propriamente do mundo, em particular, devemos reconhecer que ambos são imprescindíveis ao progresso, sendo justo, porém, considerar a superioridade do primeiro sobre o segundo, porquanto a parte intelectual sem a moral pode oferecer numerosas perspectivas de queda, na repetição das experiências, enquanto que o avanço moral jamais será excessivo, representando o núcleo mais importante das energias evolutivas.
205 –Podemos ter uma idéia da extensão de nossa capacidade intelectual?
-A capacidade intelectual do homem terrestre é excessivamente reduzida, em face dos elevados poderes da personalidade espiritual independente dos laços da matéria.
Os elos da reencarnação fazem o papel de quebra-luz sobre todas as conquistas anteriores do Espírito reencarnado. Nessa sombra, reside o acervo de lembranças vagas, de vocações inatas, de numerosas experiências, de valores naturais e espontâneos, a que chamais subconsciência.
O  homem comum é uma representação parcial do homem transcendente, que será reintegrado nas suas aquisições do passado, depois de haver cumprido a prova ou a missão exigidas pelas suas condições morais, no mecanismo da justiça divina.
Aliás, a incapacidade intelectual do homem físico tem sua origem na sua própria situação, caracterizada pela necessidade de provas amargas.
O cérebro humano é um aparelho frágil e deficiente, onde o Espírito em queda tem de valorizar as suas realizações de trabalho.
Imaginai a caixa craniana, onde se acomodam células microscópicas, inteiramente preocupadas com sua sede de oxigênio, sem dispensarem por um milésimo de segundo a corrente do sangue que as irriga, a fragilidade dos filamentos que as reúnem, cujas conexões são de cem milésimos de milímetro, e tereis assim uma idéia exata da pobreza da máquina pensante de que dispõe o sábio da Terra para as suas orgulhosas deduções, verificando que, por sua condição de Espírito caído na luta expiatória, tudo tende a demonstrar ao homem do mundo a sua posição de humildade, de modo que, em todas as condições, possa ele cultivar os valores legítimos do sentimento.


Livro: “O Consolador” – Francisco C. Xavier – Emmanuel - Os livros espíritas, como este vendidos em nossa loja, terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira.

3 de fev de 2016

PREOCUPAÇÃO COM A REENCARNAÇÃO

Questão 331 do Livro dos Espíritos

Nem todos os Espíritos se preocupam com a reencarnação. Muitos deles não compreendem essa lei. Há Espíritos que, mesmo sendo trabalhadores de certas colônias espirituais, ignoram muitas leis. Eles não têm tamanho espiritual para compreenderem os destinos da alma com maior extensão. Muitos deles são afetuosos, de sorte a agradar aos que convivem com eles; a bondade já faz parte dos seus sentimentos, no entanto, ignoram as leis que os dirigem e comandam. Porém, o dia deles chegará como aviso a reingressar na carne, em busca de novos aprendizados, juntos aos homens, onde antes foram homens igualmente.
A vida em todas as dimensões é uma eterna busca de crescer e prosperar. A diversidade no campo evolutivo das almas é sobremaneira grandiosa, de modo a muitos ignorarem essas qualificações, mas Deus assim o quis para atender a todos, nas posições que desejarem tomar.
Notamos que em muitos Espíritos de certa evolução, nas linhas da compreensão, no momento de reencarnarem, a emotividade toma seus sentimentos e o medo invade seu íntimo. Há outros que desconhecem o medo, mesmo sem certo alcance das leis de Deus; não obstante, a reencarnação não deixa por isso de ser um instrumento de despertar espiritual para todos, sem exceção.
As leis de Deus são fatos imutáveis, na mutabilidade do tempo e do espaço; entrementes, os grandes missionários do amor passam pela porta estreita das vidas sucessivas, cantando o hino da esperança. Isso nos encoraja a todos a fazermos o mesmo, confiando mais em Deus, na esperança de que o Cristo não abandonará Suas ovelhas, que são de todos os apriscos, entregues a Ele pelo Pai.
Em momento algum podemos esquecer Jesus, em todos os planos em que Ele se encontra, e a vida nos mostra Sua presença divina em todos os fatos. A reencarnação é como se fossem degraus em toda a nossa subida espiritual: cada troca de corpo representa um degrau alcançado. São mudanças de aprendizado, onde a consciência cresce e o coração se ilumina.
A reencarnação pode ser, em alguns casos, a regressão da forma, não do Espírito imortal, que guarda na consciência todas as experiências, como talentos de ouro. A Doutrina dos Espíritos, que veio mostrar o Cristo na Sua plenitude de amor, é mão de luz que nos guia para uma compreensão maior, a nos preparar para a desencarnação sem, ou com pouca' perturbação na harmonia mental.
Quem se encontra de posse das mensagens espirituais da obra do codificador do espiritismo e dos seus prosseguimentos e que não foge à verdade dos princípios doutrinários de Allan Kardec, encontra-se munido de meios e forças para avançar e prosseguir, na carne e fora dela, no conhecimento de si mesmo, sabendo a verdade que tem o poder de nos libertar da ignorância.
Sejamos discretos no que fazemos, verdadeiros no anúncio da Boa Nova de Jesus e doadores por excelência naquilo a que fomos chamados pelos dons que possuímos. Não percamos tempo com as paixões, que podem nos iludir por muitos anos.
O Espiritismo nos acorda para as realidades e nos mostra Jesus como Ele não deixa de ser. Se mesmo reencarnado o medo das voltas à carne imperar, que se trabalhe mais no bem comum, amando mais todos e tudo, que a caridade salvará o Espírito desse estado negativo, dotando-o de coragem para voltar ao mundo das formas quantas vezes forem necessárias para a sua felicidade.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia - Os livros espíritas, como este vendidos em nossa loja, terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira

2 de fev de 2016

SÍNDROME DO PÂNICO

(Perguntas e respostas)

- Dr. Inácio, o senhor crê que, na chamada “Síndrome do Pânico”, possa existir alguma espécie de influenciação de espíritos obsessores?
- Tenho certeza disso. Não obstante, não nos esqueçamos de que os espíritos, sejam eles bons ou não, agem com a função do fermento, fazendo crescer a massa – sem a farinha de trigo, ou outra que lhe possa substituir a finalidade, o fermento não passa de elemento inócuo.
- O que o senhor quer dizer com isso?...
- Quero dizer o que está dito: a Síndrome do Pânico, em sua causa básica, antes é uma fragilidade espiritual, ou psicológica – escolham o termo que melhor lhes adequar –, de quem esteja padecendo de semelhante processo de intranquilidade em si mesmo, do que devido somente à ação externa de espíritos perturbadores.
- “Causa básica”... Qual seria ela?...
- Na realidade, podem ser apontadas várias, não obstante, a mais comum é a do medo que o espírito encarnado faceia ante a perspectiva da “morte”, porque, de alguma maneira, traz a sua consciência comprometida por determinadas atitudes, ou, no mínimo, pela falta de bom aproveitamento do tempo ao seu dispor na encarnação. Outra, de não menor ocorrência, seria cobrança que, através do inconsciente, a consciência lhe efetua.
- O senhor não crê, então, na existência de desajustes na química cerebral, ou, ainda, nas condições hormonais do organismo, determinando o “Pânico”?...
- Todos os nossos desajustes espirituais, os mais sutis, encontram, e encontrarão sempre, a sua correspondência no corpo físico, como efeitos, e não causas determinantes deles – a causa de todos os nossos males, sem dúvida, é a nossa imperfeição espiritual! O corpo é instrumento das doenças do espírito! Aliás, como já foi dito não me recordo por quem – talvez André Luiz –, o corpo carnal é o escoadouro das mazelas do espírito!...
- Considera, no entanto, louvável o esforço da Farmacologia, com as prescrições médicas no sentido de controlar as manifestações da referida “Síndrome”?!...
-Claro! Não obstante, medicamento algum, por si só, será capaz de fazer o trabalho interno que o portador da “Síndrome do Pânico” deve ser orientado a fazer em si mesmo, no fortalecimento espiritual que não há quem possa adquirir a não ser TRABALHANDO em favor de uma causa nobre.
- Doutor, contudo, existem pessoas que, emocionalmente, se mostram fragilizadas demais...
- Que se arrastem! Que alguém as arraste! Pois, caso contrário, após o seu desenlace, o estado de pânico haverá de persistir nelas – desencarnação não cura doença psíquica! Exceções, em final de prova, podem existir, mas, a rigor, muitos doentes se transferem para o Mundo Espiritual com as doenças que adquiriram – e não estou me referindo apenas às doenças psíquicas, não!...
- Para vencer esse pavor do desconhecido, ou da morte, que, em muitos, se manifesta em forma de doença, que o senhor aconselharia?...
- Ah, que pensem com serenidade na possibilidade de “morrerem” como Emmanuel aconselhou a Chico Xavier, que gritava, com outros passageiros, ante a iminência de fatal acidente aéreo: “Morrer com educação”! Não é fácil, mas, treinando, a gente consegue...
- Doutor, o senhor é hilário...
- Eis aqui um “santo” remédio contra a “Síndrome do Pânico”: ALEGRIA! Eu nunca vi ninguém verdadeiramente alegre sofrer da tal “Síndrome”! A tais enfermos, eu digo: está lhes faltando encontrarem alegria no trabalho, fazendo o trabalho da alegria!...
- E os obsessores?!...
- Obsessores, encarnados e desencarnados, não aguentam gente alegre – eles querem gente triste como pasto!...
- Acredita que a “Síndrome do Pânico” possa inutilizar alguém na encarnação, levando-a a ficar excessivamente dependente de medicamentos?...
- Infelizmente, milhares de casos assim existem, no mundo todo! Mas, afinal, ninguém reencarna para o fracasso. Movimentemos os recursos de nossa fé em Deus, sem, no entanto, ficarmos na expectativa de soluções que nos cheguem de “fora para dentro”...
- Outro conselho final a quem esteja sofrendo assim?...
- Meu irmão/ minha irmã: pegue o seu “Pânico” e vá trabalhar com “ele” – como, igualmente, ensinava Chico Xavier, convide o seu possível obsessor, para que possa ir junto – ele também deve estar com medo de alguma coisa, e, em geral, o medo dele é o de reencarnar a qualquer hora! Um espelho nunca reflete apenas quem se mira nele, mas também a quem se encontra ao lado... Levante-se, com humildade, e vá trabalhar – se você desencarnar a caminho do serviço com Jesus Cristo, você O encontrará, MAS EM SUA CAMA, OU EM SEU SOFÁ, ISTO NUNCA IRÁ ACONTECER!...

INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet.

1 de fev de 2016

Solidariedade - Solução Universal

A experiência humana na Terra é cheia de altos e baixos. Ora, o homem progride velozmente, outro momento ele destrói a si mesmo em escalas elevadas. Parece que ele não sabe o que quer. Na verdade, estas contradições indicam o estágio de desenvolvimento do homem no planeta. Ele ainda é assim, cheio de contradições.
Se por um lado consegue avanços tecnológicos gigantescos a ponto de curar doenças terríveis, por outro, ainda saqueia cidades e promove matanças.
Se, em outra parte, demonstra progresso na ciência a ponto de levar o homem a outro planeta, contrariamente, não conseguiu sequer erradicar a fome entre irmãos.
Se, no uso de sua inteligência, faz arranha-céus cada vez mais altos como a desafiar a lei da gravidade, em outra direção, o homem é incapaz de diminuir números de violência em vários indicadores de sua manifestação.
Ora, irmãos meus, por que tudo isto acontece?
Na minha análise, como “padre morto”, vejo que não conseguimos, no conjunto da nossa espécie, evoluir moralmente na mesma escala que fazemos na inteligência.
Somos absorvidos pela curiosidade de fazer coisas cada vez mais potentes, difíceis de materializar, mas somos desprovidos de mesmo entusiasmo na erradicação da miséria humana, seja pela falta de comida, seja pela falta de fibra moral.
Tudo avança em direções contrárias neste sentido. Uma força puxa para o atraso; outra para a superação das barreiras tecnológicas.
É verdade que conseguimos elevar alguns indicadores sociais no planeta, mas convenhamos, eles são bastante tímidos na proporção que deveria ser. São acanhados demais. O progresso é medido olhando para os dois lados da moeda. De um lado, o ser humano; de outro, as conquistas materiais, que devem ser canalizadas em benefício da outra face da moeda.
Asseguro que se o homem der prioridade, de fato, ao progresso humano pela via moral, muitos problemas naturalmente sucumbirão, pois o que falta na maioria dos casos é uma postura moral diferenciada. A causa de muitos males que assola a humanidade está dentro do próprio homem. Um deles se chama o egoísmo.
O egoísmo é destruidor do próprio ser humano, haja vista que é uma apropriação exclusivista das conquistas, enquanto a solidariedade representa a evolução coletiva de toda a raça humana.
Se adotássemos ao mínimo este princípio de vida todos os outros seriam espontaneamente beneficiados porque a solidariedade, a distribuição do bem produzido, promove uma reação em cadeia de incríveis proporções. Os efeitos benéficos da solidariedade são contados em escala geométrica, de modo que se faz bem mais com bem menos.
Este é o segredo que o ser humano precisa desvendar no século 21 para abolir todas as mazelas existentes e construir um novo amanhã.
Fiquem em paz!
Helder Câmara – Blog Novas Utopias

31 de jan de 2016

Aristocracia Moral

Há muito tempo, tive a oportunidade de assumir a cátedra de uma escola filosófica no lado de cá da vida. Possuía as minhas limitações de conhecimento e fiz-me apenas portador do que aprendera sobre o assunto. Esforcei-me em tentar traduzir o que sabia coligado ao ensinamento dos espíritos superiores. Era isso o que eles desejavam que eu fizesse.
Pois bem, enumerei uma série de fatos que demonstra a imortalidade depois da vida física e porque estamos nesta roda de idas e voltas no corpo físico.
O pensamento filosófico, como sabe, permite ilações que provocam o juízo humano para sair das esferas de pensamento corrente. Se assim não fosse seria extremamente desnecessário filosofar.
Minha vez de conjecturar dizia respeito ao governo dos cidadãos na terra.
O que via por aqui era algo totalmente diferente do que já conhecera. Primeiramente, não há o que tanto pregamos quando estamos no corpo, não há espaço para democracia. Isso mesmo. Pode chocar a muitos, mas definitivamente este não é o modo como eles encaram o governo por aqui. Damos opiniões, somos ouvidos, nos consideram, mas a decisão final vem sempre lá de cima. O que se pratica por aqui é uma espécie de aristocracia, o governo dos melhores.
Os mais capacitados, os mais cultos, os mais preparados para a governança, os mais hábeis, os mais desenvolvidos moralmente, são convocados por instâncias superiores para dar a sua contribuição a um conjunto de pessoas num determinado lugar. E ninguém contesta, é tudo aceito com absoluta passividade e todos gostam.
Alguém poderia exclamar: impossível, isto é um retrocesso. Não é, meus senhores, é uma aristocracia moral, o governo dos bons.
O eleito, ou melhor, o escolhido para governar uma cidade por exemplo, possui todos os requisitos possíveis para estar naquela posição e os outros facilmente compreendem ou percebem esta qualidade superior. E, ao contrário, de se sentirem menores, são agradecidos, porque a governabilidade estará garantida sem prejuízo de andamento do que havia em desenvolvimento.
Os espíritos escolhidos para liderarem contingentes mais numerosos de pessoas possuem qualidades “natas” para exercer o cargo. Respeita a todos, ouve a todos, responde a todos, interage com todos. É um líder na melhor expressão da palavra.
Mas isto é possível aí, Joaquim, por aqui, está muito distante.
Concordo com a assertiva, mas o que impede que se possa escolher com mais acuidade os vossos representantes?
Por que eles não passam por um exame apurado de suas possíveis qualidades?
O que impede dele ser antecipadamente treinado para o cargo?
Por que ele não assume gradativamente responsabilidades de acordo com seu nível de competência?
Por que não existe uma espécie de conselho dos nobres da sociedade que atestem a qualidade daquele candidato a governante?
Sei que o que tem aí, com raras exceções, é produto da escolha do povo, mas o processo em si, na maioria das vezes, é completamente viciado.
Aproveite as eleições municipais para exercitarem este poder de escolha e começar a separar o joio do trigo, os melhores dos incapazes. Somente assim, numa seleção criteriosa, podemos aperfeiçoar o mecanismo democrático até um dia, certamente, ele se tornar a gestão dos melhores.

Joaquim Nabuco – Blog Reflexões de um Imortal