26 de jul de 2016

FRATERNA CONVOCAÇÃO

O Espiritismo, em sua característica progressiva, necessita avançar, mesmo porque, a menos que queira se nivelar às doutrinas secularmente estacionárias, não lhe sobra alternativa.
Avançar, sem perder, é claro, a sua condição de Consolador, pois, sem o Evangelho, ele será apenas e tão somente um repositório de belas elucidações de natureza filosófica.
Mais do que conhecer, o homem carece de amar.
A Humanidade, nos tempos atuais, está a revelar o que o progresso material, por si só, pode representar para ela no que tange ao perigo de autodestruição.
Neste sentido, endereçamos fraterna convocação aos adeptos espíritas de mente arejada, que não se prendem a dogmas e ortodoxias.
A Codificação Espírita, que se complementa nas obras mediúnicas da lavra de Chico Xavier, carece de prosseguir se desdobrando, estabelecendo conexões, sobretudo, com a Ciência.
A expressão atribuída a Kardec de que o Espiritismo haverá de ser científico, ou não sobreviverá, não precisa ser de sua lavra para ser autêntica.
Na Introdução de “O Livro dos Espíritos”, porém, ele consignou com meridiana clareza que “o Espiritismo é a ciência do Infinito”.
Mais do que médiuns na psicografia de obras que, em geral, apenas reafirmam os seus Princípios Básicos, a Doutrina está necessitando de estudiosos e pesquisadores, enfim, de pensadores encarnados que lhe ampliem os conceitos.
O Espiritismo, em seu aspecto científico, com uma ou outra exceção, não está se desenvolvendo por obra de seus seguidores.
Os “construtores” da Doutrina, em pequeníssimo número, estão sendo sufocados apenas pelos que sabem implodir o acanhado esforço dos que estão procurando algo acrescentar ao seu magnífico edifício.
Não é lícito que os encarnados permaneçam na expectativa de que toda a Revelação provenha dos desencarnados.
Carecemos de incentivar, em nossos Centros, maior diálogo em torno dos postulados doutrinários, não deixando que esses mesmos Centros percam a sua característica de escola.
O Movimento Espírita de difusão da Mensagem da Terceira Revelação, igualmente, precisa ser Movimento de Expansão do Pensamento Espirita em si mesmo.
Muitas perguntas permanecem sem respostas.
Pior: muitas perguntas sequer têm sido formuladas com receio das respostas que, para elas, possam ser obtidas.
André Luiz, através de Chico Xavier, disse que “a ortodoxia no mundo costuma ser o cadáver da Revelação”.
Não estamos, convém repetir, desconsiderando o valor da Mensagem Espírita, que, sobretudo, nos exorta à renovação íntima. Porém, até o presente momento, as pesquisas, por exemplo, sobre Reencarnação e Mediunidade, têm se mostrado excessivamente tímidas.
Os críticos de Doutrina agem movidos pelo “achismo” – opiniões pessoais que, não raro, ocultam intenções menores, esquecidos de que a Verdade não pode ser tomada de assalto.
Estamos, todavia, esperançosos na nova geração de espíritas, que, a pouco e pouco, naturalmente, há de substituir os que tendem à igrejificação do Espiritismo, com pretensão a seus “bispos” e “cardeais”.
Convocamos, pois, a todos os irmãos e irmãs de boa vontade, sem comprometimento com políticas doutrinárias de bastidores, a que nos unamos pela libertação do Pensamento Espírita, não consentindo na sua elitização e, muito menos, no “controle pessoal” que alguns encarnados querem ter sobre ele, esquecidos de que o “espírito sopra onde quer”!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 25 de julho de 2016. – Blog Mediunidade na Internet

25 de jul de 2016

Momentos Mágicos

A alegria da vida consiste em aproveitá-la nos seus mínimos detalhes.
Quem dera poder estar entre vocês, vivinho no corpo físico, para saborear uma boa jaboticaba. Por aqui, temos coisas muito gostosas, sabores inimaginados por vocês, mas a saudade de uma boa jaboticaba é constante.
Quando encontrávamos os amigos por aí dávamos grandes gargalhadas de felicidade. Era um abraço caloroso, um aperto de mão sincero, um olhar alegria penetrante. Quem bom estar com você... Temos o mesmo por aqui, mas a diferença é que aí desfrutamos da frugal necessidade da sobrevivência e então descobrimos quem são os nossos amigos de verdade.
Ao encontrar um desafio, colocávamos a pensar nas soluções. Muito do que queríamos fazer era-nos impedidos pela absoluta falta de recursos. Quando não esperávamos mais nada acontecer, eis que chegava a grande solução, de um jeito totalmente enviesado por nós, mas consentâneo com a sabedoria do Pai. Que momento de alegria em saber que as portas finalmente se abriram.
Outras vezes, em plena celebração da missa, era envolvido com grande força, como se o Espírito Santo, naquele momento, me dominasse a vontade e, então, como em êxtase, vivia aquele instante de belíssima alegria e contentamento interior. Era como se estivesse caminhando nas nuvens.
Quantos e quantos momentos poderia relembrar neste espaço. Que felicidade indescritível para se narrar. Ora, meu caro, você também passou e vai passar por estes momentos mágicos. Quando isto acontecer, valorize-os. Deguste cada segundo. Mantenham-no sempre vivo em sua memória. Não deixe ele morrer jamais. Serão eles que te abrigarão as forças para superar os maiores desafios.
A felicidade, sim, é possível. A felicidade deste mundo e já é grande coisa. Pode não ser ainda a verdadeira felicidade prometida por Jesus, mas é a felicidade que já temos condições de saboreá-la, então, vamos fazer isto com muita intensidade.
Não percam a oportunidade de vivenciar estes momentos mágicos. Eles são uma demonstração de que o céu, mais do que um espaço no infinito, pode estar tão próximo de cada um de nós, basta permitir-se ser feliz.
Abraços,

Helder Camara – Blog Novas Utopias

24 de jul de 2016

LEI DE SOCIEDADE: LAÇOS DE FAMÍLIA

    - Simpatias e Antipatias
    Como seres inteligentes da criação que povoam o Universo fora do mundo material, os Espíritos cultivam entre si, a simpatia geral destinada pelas suas próprias semelhanças. Além desta simpatia de caráter geral, existem, também, as afeições particulares, tal como as há entre os homens. Esta afeição particular decorre do princípio de afinidade, como resultado de "uma perfeita concordância de seus pendores e instintos".
    Assim como há as simpatias entre os Espíritos, há, também, as antipatias, alimentadas pelo ódio, que geram inimizades e dissenções. Este sentimento, todavia, só existe entre os Espíritos impuros que não venceram, ainda, em si mesmos, basicamente, o egoísmo e o orgulho. Como exercem influência junto aos homens, acabam estimulando nestes os desentendimentos e as discórdias, muito comuns na vida humana.
    Desde que originada de verdadeira simpatia, a afeição que dois seres se consagram na Terra continua a existir sempre no mundo dos Espíritos.
    Por sua vez, os Espíritos a quem fizemos mal neste mundo poderão perdoar-nos se já forem bons e segundo o nosso próprio arrependimento. Se, porém, ainda forem maus, podem guardar ressentimento e nos perseguirem muitas vezes até em outras existências.
    Como observam os Espíritos Superiores: "da discórdia nascem todos os males humanos; da concórdia resulta a completa felicidade", e um dos objetivos da nossa encarnação é o de trabalhar no sentido de nos melhorarmos interiormente e chegarmos à perfeição espiritual.
    Isto nos leva a compreender melhor a afirmação de Jesus quando nos disse: "Amai os vossos inimigos", pois só há hoje prejuízo para o Espírito que tenha inimigos por força do mal que haja praticado, uma vez que os inimigos são obstáculos em sua caminhada e essa inimizade sempre gera infelicidade e atraso em seu progresso espiritual.
    Admitindo "que a maldade não é um estado permanente dos homens; que ela decorre de uma imperfeição temporária e que, assim como a criança se corrige dos seus defeitos, o homem mau reconhecerá um dia os seus erros e se tornará bom" compreendemos também que a nossa meta maior é superar a maldade que ainda existe em nós e nos outros, e, neste sentido, só a manifestação de amor de nossa parte pode quebrar o círculo vicioso do ódio que continua a existir, muitas vezes, mesmo depois da morte física.
    O período a esse esforço é, sem dúvida, quando estamos junto aos nossos inimigos, convivendo com eles, na condição de encarnados e desencarnados, pois é quando temos as melhores oportunidades de testemunhar nosso propósito de cultivar a concórdia para com todos, e assim, substituir os laços de ódio que nos ligavam pelos laços do amor que passam a nos unir. Allan Kardec, estudando a causa das simpatias e antipatias que se manifestam entre pessoas que se avistam pela primeira vez, diz [QE]:    "São criaturas que se conheceram e que muitas vezes se amaram em outra vida e que, ao se encontrarem nesta, atraem-se mutuamente. Também as antipatias instintivas provêm, vez por outra, de relações anteriores."
    Lembra Kardec que esses sentimentos podem ter outra causa, relacionada não a vivências anteriores, mas sim ao padrão vibratório das pessoas envolvidas, à condição moral, os gestos e tendências, enfim, a própria maneira do indivíduo ser, pensar, e agir:
    "O perispírito irradia ao redor do campo, formando uma espécie de atmosfera impregnada das qualidades boas ou não do Espírito encarnado. Duas pessoas que se encontraram pelo contato dessas auras sentem uma sensação agradável ou desagradável."

    - As Almas gêmeas
    Em [LE-qst 298] vemos que "não há união particular e fatal, de duas almas. A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a categoria que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos."
    Devemos compreender que um Espírito não é a metade do outro.
    "Se um Espírito fosse a metade do outro, separados os dois, estariam ambos incompletos." [LE-qst 299]
    "A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união de dois Espíritos simpáticos. Trata-se de uma expressão usada até na linguagem vulgar e que se não deve tomar ao pé da letra."[LE-qst 303-a]

    - A Importância da Família
    A vida familiar deve ser a vida de todo homem integrado na unidade social, denominada família. Esta palavra, família, pode ser conceituada num sentido mais restrito - constituído pelos nossos familiares consangüíneos - como num sentido mais amplo - o representando por agrupamentos de Espíritos afins, quer intelectual, quer moralmente.
    A família é a abençoada escola de educação moral e espiritual, oficina santificante onde se lapidam caracteres; laboratório superior em que se encadeiam sentimentos, estruturam aspirações, refinam idéias, transformam mazelas antigas em possibilidades preciosas para a elaboração de misteres edificantes.
    A família é, pois, o mais prodigioso educandário do progresso humano. A importância não se mede apenas como fonte geratriz de seres racionais, mas como oficina de onde se projetam os homens de bem, os sábios, os benfeitores em geral. "A família é mais do que um resultante genético. (...) São os ideais, os sonhos, os anelos, as lutas e árduas tarefas, os sofrimentos e as aspirações, as tradições morais elevadas que se cimentam nos liames da concessão divina, no mesmo grupo doméstico onde medram as nobres expressões da elevação espiritual na Terra. Quando a família periclita, por esta ou aquela razão, sem dúvida a sociedade está a um passo do malogro."
    A vida em família, para que atinja suas finalidades maiores deve ser vivenciada dentro dos padrões de moralidade, compreensão e solidariedade. A família é uma instituição divina cuja finalidade precípua consiste em estreitar os laços sociais, ensejando-nos o melhor modo de aprendermos a amar-nos como irmãos. Por tão incontestáveis razões, a vida em família, de todas as associações é, talvez a mais importante em virtude da sua função educadora e regenerativa.

    - Laços Corporais e Laços Espirituais Existem duas modalidades de família e, em conseqüência, duas categorias de laços de parentescos: as que procedem da consangüinidade e as que procedem das ligações espirituais.
    "Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar no desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir."[ESE-cap XIV it 8]
    Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família, e sim, os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações.
    Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente já na existência atual.

 Bibliografia
1) O Livros dos Espíritos - Allan Kardec
2) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
3) O Que é o Espiritismo - Allan Kardec
4) Vida e Sexo - Emmanuel/Chico Xavier
5) Estudos Espíritas - Joanna de Ângelis/Divaldo Franco


 Apostila Original: Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora - MG

23 de jul de 2016

FORJA DIVINA

Agitação, correria,
Conflitos em profusão,
O tempo passando a esmo,
A vida sem direção...

Disputas, ressentimentos,
Desespero, provação,
A vida passando a esmo,
Expectante aflição...

Violência, rebeldia,
Fanatismo sem perdão,
O tempo passando a esmo,
Crise de Fé e Razão...

A Verdade relegada,
Injustiça, exploração,
O tempo passando a esmo,
O mundo em desolação...

O prazer a qualquer preço,
Taças erguidas à mão,
O tempo passando a esmo,
Tremenda desilusão...

Preconceitos e mentiras,
Fome de paz e de pão,
O tempo passando a esmo,
Semente morta no chão...

Mas, para aquele que ama
E tem Deus no coração,
Ante a luz da Eternidade,
O tempo não passa em vão...

Pois, construindo o futuro,
Em busca da Perfeição,
O tempo, passando a esmo,
Forja divina em ação!...

Eurícledes Formiga

(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do C. E. “Allan Kardec”, na noite de domingo do dia 22-1-95, na cidade de Ribeirão Preto – SP).

22 de jul de 2016

LEI DE LIBERDADE

    A LIBERDADE NATURAL E A ESCRAVIDÃO
    A liberdade é a condição básica para que a alma construa o seu destino. A princípio parece limitada às necessidades físicas, condições sociais, interesses ou instintos. Mas, ao analisar-se a questão mais profundamente, vê-se que a liberdade despontada é sempre suficiente para permitir que o homem rompa esse círculo restrito e construa pela vontade o seu próprio futuro.
    Intrinsecamente livre, criado para a vida feliz, o homem traz, no entanto, inscritos na própria consciência, os limites da sua liberdade.
    Jamais devendo constituir tropeço na senda por onde avança o seu próximo, é-lhe vedada a exploração de outras vidas sob qualquer argumentação, das quais subtraia o direito de liberdade.
    A liberdade legítima decorre da legítima responsabilidade, não podendo triunfar sem esta.
    A responsabilidade resulta do amadurecimento pessoal em torno dos deveres morais e sociais, que são a questão matriz fomentadora dos lídimos direitos humanos.
    Pela lei natural todos os seres possuímos direitos que, todavia, não escusam a ninguém dos respectivos contributos que decorrem do seu uso.
    A toda criatura é concedida a liberdade de pensar, falar e agir, desde que essa concessão subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo.
    Ser livre, portanto, é saber respeitar os direitos alheios, porque "desde que juntos estejam dois homens, há entre eles direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar." [LE-qst 826]
    Vivemos num planeta que se caracteriza pela predominância do mal sobre o bem; é um planeta inferior, onde os seus habitantes estão submetidos a provas e expiações; daí ser comum que muitos Espíritos não possuam o discernimento natural para o emprego da liberdade que Deus lhes concedeu. A ocorrência de abusos de poder, manifestada nas tentativas de o homem escravizar o próprio homem, nas variadas formas e intensidade, é o exemplo típico do mau uso desta lei natural.
    À medida que o ser humano evolui, cresce com ele a responsabilidade sobre os seus atos, sobre as suas manifestações verbais e, até mesmo, sobre os seus pensamentos. Neste estágio evolutivo, passa a compreender que a liberdade não se traduz por fazer ou deixar de fazer determinada coisa, irresponsavelmente. Passa a medir a sua linha de ação, de maneira que esta não atinja desastrosamente o próximo. Compreende, enfim, que sua liberdade termina onde começa a do próximo.
    A vontade própria ou livre-arbítrio é, então, exercitada de uma maneira mais coerente, mais responsável. O livre-arbítrio é definido como "a faculdade que tem o indivíduo de determinar a sua própria conduta", ou em outras palavras, a possibilidade que ele tem de, entre duas ou mais razões suficientes de querer ou de agir, escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre as outras."
    Sem o livre-arbítrio, o homem não teria mérito em praticar o bem ou evitar o mal, pois a vontade e a liberdade do Espírito não sendo exercitadas, o homem não seria mais do que um autômato. Pelo livre-arbítrio, ao contrário, passa o indivíduo a ser o arquiteto da sua própria vida, da sua felicidade ou infelicidade, da maior ou menor responsabilidade em qualquer ato que pratique.
    A liberdade e o livre-arbítrio têm uma correlação fundamental na criatura humana e aumentam de acordo com a sua elevação e conhecimento. Se por um lado temos a liberdade de pensar, falar e agir, por outro lado, o livre-arbítrio nos confere a responsabilidade dos próprios atos por terem sido eles praticados livremente e por nossa própria vontade.
    A sujeição absoluta de um homem a outro homem é um erro gravíssimo de conseqüências desastrosas para quem o pratica. A escravidão, seja ela física, intelectual, sócio-econômica, é sempre um abuso da força e que tende a desaparecer com o progresso da Humanidade... É um atentado à Natureza onde tudo é harmonia e equilíbrio. Quem arbitrariamente desfere golpes cerceando a liberdade dos outros, escravizando-os pelos diversos processos que o mundo moderno oferece, sofre a natural conseqüência, e essa é a vergasta da dor , que desperta e corrige, educa e levanta para os tirocínios elevados da vida.
    A nossa liberdade não é absoluta porque vivemos em Sociedade, onde devemos respeitar os direitos das pessoas. Baseando-se neste preceito, torna-se absurdo aceitar qualquer forma de escravidão: física, social, econômica, ideológica, religiosa, etc.
    Durante muito tempo aceitou-se, como justa, a escravidão dos povos vencidos em guerras, assim como foi permitido pelos códigos terrenos que os homens de certas raças fossem caçados e vendidos, quais bestas de carga, na falsa suposição de que eram seres inferiores e, talvez, nem fossem nossos irmãos em Humanidade.
    Coube ao Cristianismo mostrar que, perante Deus, só existe uma espécie de homens e que, mais ou menos puros e elevados, eles o são, não pela cor da epiderme ou do sangue, mas pelo Espírito, isto é, pela melhor compreensão que tenham das coisas e principalmente pela bondade que imprimam em seus atos.
    Com a abolição da escravatura, todos nós podemos dispor livremente das nossas vidas.
    Sem dúvida, estamos ainda muito distantes de uma vivência de integral respeito às liberdades humanas; todavia, já as aceitamos como um ideal a ser atingido, e isso é um grande passo, pois tal concordância há de elevar-nos, mais dia, menos dia, a esse estado de paz e felicidade a que todos aspiramos.

    LIBERDADE DE PENSAR E DE CONSCIÊNCIA
    A liberdade de pensamento, e de ação, constituem atributos essenciais do Espírito, outorgados por Deus ao criá-lo.
    A liberdade de pensar é sempre ilimitada, porquanto ninguém pode domar o pensamento alheio, aprisionando-o. Assim ensinam os Espíritos [LE-qst 833] ao responderem que "no pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não há como pôr-lhe peias. Pode-se-lhe deter o vôo, porém, não aniquilá-lo." Quando muito, ainda pela inferioridade e imperfeição de nossa civilização, tenta-se conter a manifestação exterior do pensamento, ou seja, a liberdade de expressão.
    Se há algo que escapa a qualquer opressão é a liberdade de pensamento. Somente por ela pode o homem gozar de liberdade absoluta. Ninguém consegue aprisionar o pensamento de outrem - embora possa entravar-lhe a liberdade de exprimi-lo.
    Pela ação da lei do progresso, a liberdade, em todas as suas modalidades evolui, especialmente a liberdade de pensar, pois atualmente já não vivemos na época do "crer ou morrer", como acontecia nos tempos da Inquisição ou Santo Ofício.
    Na verdade, de século para século, menos dificuldade encontra o homem para pensar sem peias e, a cada geração que surge, mais amplas se tornam as garantias individuais no tange à inviolabilidade do foro íntimo.
    Evidencia-se bem distinta a liberdade de pensar e de agir, pois enquanto a primeira se exerce com maior amplidão, sem barreiras, a última padece de extensas e profundas limitações.
    Apesar de a liberdade de pensar ser ilimitada, ela depende do grau evolutivo de cada Espírito, na sua capacidade de irradiação e de discernimento. À medida que um Espírito progride, desenvolve-se-lhe o senso de responsabilidade sobre seus atos e pensamentos.
    Qualquer oposição exercida sobre a liberdade de uma pessoa é sinal de atraso espiritual. "Constranger os homens a procederem em desacordo com o seu modo de pensar é fazê-los hipócritas. A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e progresso."
    "A toda criatura é concedida a liberdade de pensar, falar e agir, desde que essa concessão subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo.
    Desde que o uso da faculdade livre engendre sofrimento e coerção para outrem, incide-se em crime passível de cerceamento daquele direito, seja por parte das leis humanas, sem dúvida nenhuma através da Justiça Divina.
    Graças a isso, o limite da liberdade encontra-se inscrito na consciência de cada pessoa, que gera para si mesma o cárcere de sombra e dor, a prisão sem barras em que expungirá mais tarde, mediante o impositivo da reencarnação, ou as asas de luz para a perene harmonia."
    O limite da nossa liberdade está, portanto, determinado onde começa a do próximo.
    "Em todas as relações sociais, em nossas relações com os nossos semelhantes, é preciso nos lembremos constantemente disto: Os homens são viajantes em marcha, ocupando pontos diversos na escala da evolução pela qual todos subimos. Por conseguinte, nada devemos exigir, nada devemos esperar deles, que não esteja em relação com seu grau de adiantamento."
    Logo, o Espírito só está verdadeiramente preparado para a liberdade no dia em que as leis universais, que lhe são externas, se tornem internas e conscientes pelo próprio fato de sua evolução. No dia em que ele se compenetrar da lei e fizer dela a norma de suas ações, terá atingido o ponto moral em que o homem se possui, domina e governa a si mesmo.
    Daí em diante já não precisará do constrangimento e da autoridade social para corrigir-se. E dá-se com a coletividade o que se dá com o indivíduo. Um povo só é verdadeiramente livre, digno de liberdade se aprendeu a obedecer a lei interna, lei moral, eterna e universal que não emana nem do poder de uma casta, nem da vontade das multidões, mas de um Poder mais alto. Sem a disciplina moral que cada qual deve impor a si mesmo, as liberdades não passam de um logro; tem-se a aparência, mas não os costumes de um povo livre.
    Tudo o que se eleva para a luz eleva-se para a liberdade.

    LIVRE-ARBÍTRIO E DETERMINISMO
    Determinismo ou Fatalismo é uma doutrina segundo a qual todos os fatos são considerados como conseqüências necessárias de condições antecedentes. De acordo com essa maneira de pensar todos os acontecimentos foram irrevogavelmente fixados de antemão, sendo o homem mero joquete nas mãos do destino.
    O livre-arbítrio, por sua vez, é a concepção doutrinária que afirma que o homem dispõe sempre da liberdade de escolha, podendo gerenciar as suas decisões e a sua vida.
    Denomina-se o livre-arbítrio, segundo os dicionários, como a faculdade do homem de determinar-se a si mesmo.

    POSIÇÃO ESPÍRITA
    O Espiritismo nos ensina que não há um fatalismo absoluto, um determinismo que norteará a vida do homem.
    O livre-arbítrio foi talvez a grande conquista do princípio inteligente em sua jornada evolutiva, pois, através dele, tornou-se o Espírito responsável pelos seus atos.
    Embora o homem esteja subordinado ao seu livre-arbítrio, sua existência está também submetida a determinada característica de acordo com o mapa de seus serviços e provações na Terra e, delineado pela individualidade em harmonia com as opiniões de seus guias espirituais antes da reencarnação.
    As condições sociais, as moléstias, os ambientes viciosos, o cerco das tentações, os dissabores, são circunstâncias da existência do homem. Entre elas, porém, está a sua vontade soberana.
    O homem é, pois, livre para agir, para escolher o tipo de vida que procura levar. As dores, as dificuldades existentes na sua vida são provas e expiações que vem muitas vezes como conseqüência do uso incorreto do livre-arbítrio em existência anteriores.
    "Se o homem tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina." [LE-qst 843]
    Allan Kardec didaticamente separa o livre-arbítrio em:
    a) No estado de Espírito: consiste na escolha da existência e das provas.
    b) No estado corpóreo: consiste na faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que estamos submetidos.
    Lembra, no entanto, Kardec, que excetuando-se as Almas Puras, que já atingiram a Perfeição que lhes é possível, em todos os outros o Livre-arbítrio é uma faculdade sempre limitada.
    Na medida em que a nossa liberdade termina onde se inicia a liberdade do outro, certos atos, contrários à ordem geral que regem a evolução das criaturas, são vedados.
    Assim sendo, o livre-arbítrio será diretamente proporcional a evolução intelecto-moral da criatura. Os Espíritos mais evoluídos o possuem em grau maior; as almas mais inferiorizadas terão uma faixa de escolha mais limitada.
    Em outras condições, como no período da infância e na loucura, o livre-arbítrio pode momentaneamente ser retirado do homem.
    Situações onde o Livre-Arbítrio torna-se muito limitado:
    . Seres inferiores (animais, homem primitivo)
    . Período de infância
    . Estado de loucura
    André Luiz [Ação e Reação] assim se manifesta:
    "Nas esferas primárias da evolução, o determinismo pode ser considerado irresistível. É o mineral obedecendo às leis invariáveis de coesão e o vegetal respondendo, fiel, aos princípios organogênicos, na consciência humana a razão e a vontade, o conhecimento e o discernimento entram em junção nas forças do destino, conferindo ao Espírito as responsabilidades naturais que deve possuir sobre si mesmo. Por isso, embora nos reconheçamos subordinados aos efeitos de nossas próprias ações, não podemos ignorar que o comportamento de cada um de nós, dentro desse determinismo relativo, decorrente de nossa própria conduta, pode significar liberação abreviada ou cativeiro maior, agravo ou melhoria em nossa condição de almas endividadas perante a Lei."

    CONCLUSÕES
    1. Pelo uso do livre-arbítrio, construimos o nosso destino, que pode ser de dores ou de alegrias.
    2. Livre-Arbítrio, na fase evolutiva em que nos encontramos, é sempre relativo.
    3. O determinismo, também relativo, pode ser traduzido como a conseqüência inaceitável de nossa conduta prévia.

Bibliografia
1) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec
2) Ação e Reação - André Luiz/Chico Xavier
3) A Constituição Divina - Richard Simonetti
4) Leis Morais da Vida - Joanna de Ângelis/Divaldo Franco
5) Leis Morais - Rodolfo Calligaris


Apostila Original: Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora - MG

21 de jul de 2016

EVOLUÇÃO

Emmanuel
DOR
239 –Entre a dor física e a dor moral, qual das duas faz vibrar mais profundamente o espírito humano?
-Podemos classificar o sofrimento do espírito como a dor-realidade e o tormento físico, de qualquer natureza, como a dor-ilusão.
Em verdade, toda dor física colima o despertar da alma para os seus grandiosos deveres, seja como expressão expiatória, como conseqüência dos abusos humanos, ou como advertência da natureza material ao dono de um organismo.
Mas, toda dor física é um fenômeno, enquanto que a dor moral é essência.
Daí a razão por que a primeira vem e passa, ainda que se faça acompanhar das transições de morte dos órgãos materiais, e só a dor espiritual é bastante grande e profunda para promover o luminoso trabalho do aperfeiçoamento e da redenção.
240 –De algum modo, pode-se conceber a felicidade na Terra?
-Se todo espírito tem consigo a noção da felicidade, é sinal que ela existe e espera as almas em alguma parte.
Tal como sonhada pelo homem do mundo, porém, a felicidade não pode existir, por enquanto, na face do orbe, porque, em sua generalidade, as criaturas humanas se encontram intoxicadas e não sabem contemplar a grandeza das paisagens exteriores que as cercam no planeta. Contudo, importa observar que é no globo terrestre que a criatura edifica as bases da sua ventura real, pelo trabalho e pelo sacrifício, a caminho das mais sublimes aquisições para o mundo divino de sua consciência.

 Livro “O Consolador” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz

20 de jul de 2016

VIDA INTRA-UTERINA

Questão 354 do Livro dos Espíritos

O útero da mulher é uma câmara sensível, na qualidade de ninho, onde tem todas as qualidades necessárias para a geração da criança, fenômeno humano, mas que tem feição divina. No encontro do óvulo com o espermatozóide, se dá o casamento interno de duas forças, que são envolvidas por energias imponderáveis, na formação de uma consciência instintiva, que passa a comandar como se fosse um computador altamente condicionado, porém, no qual brilha, nas suas irradiações de luz, a presença de Deus.
O feto cresce pele comando das forcas internas, como sendo uma árvore, mas que com o passar dos tempos ele alcança variadas feições, como estágios nas lembranças dos seus ancestrais, por onde o Espírito percorreu na sua marcha evolutiva, até sentir a razão nos esplendores da raça humana.
O seio uterino é um mundo onde se pode notar em ação as leis que regulam o próprio universo. São ondas, raios e impulsos se intercruzando para garantir uma vida. O corpo humano, não cansamos de dizer, é uma cópia do universo, estudado há milênios sem conta e experimentado por milhões de vezes na sua jornada, para que pudesse obedecer ao progresso. Ele, cada vez mais, vai oferecendo ao Espírito os meios, dentro de suas possibilidades, de cumprir sua missão cada vez mais elevada na face da Terra.
Esse corpo biológico foi planejado e executado pelas mãos do Cristo. A Sua presença nunca faltou, para que esse corpo se expressasse como tal. Certamente que em seu derredor muitos engenheiros siderais estavam a postos para as Suas ordens, em experimentações variadas. Em futuro próximo, o corpo físico tomara outra expressão que seja mais para o lado da fluidez, oferecendo assim a alma que o vai comandar meios mais sutis para altos cargos de experimentação.
No campo da vivência dos conceitos evangélicos, sem as prováveis reações que se dão no corpo de hoje.
É nesse sentido que se deve começar a ajudar os engenheiros do mundo espiritual nas lutas para descondicionar as vibrações negativas no perispírito, porque o seu campo de hoje é sofrido pelos pensamentos imantados no ódio, na inveja, no orgulho, no egoísmo e em tantos outros departamentos das trevas, que o Espírito, na sua ignorância, alimenta.
O Espírito passa por diversas fases na formação do seu corpo, lembrando, mesmo na inconsciência, o que tem de fazer para o seu crescimento, atingindo, assim, a vida espiritual onde ele deve aprumar, procurando, por lei, a plenitude da vida em libertação com o Cristo. A ciência humana deve estudar a vida animal em formação na intimidade das nossas irmãs, para que a humanidade tenha mais respeito pelas crianças, senão pelos fetos. Disse o Cristo, de certa feita: “Vós sois o sal da terra.” Os Espíritos, movendo um corpo no mundo, são realmente o sal da terra, porque a alma vem temperar toda a expressão do entendimento, vem dar a compostura sagrada a própria natureza e essa, devolvendo ao mesmo homem as leis mais visíveis, para que ele se liberte dos laços inferiores que o prendem às paixões.
A vida intra-uterina é como que a vida em uma das maiores capitais do mundo, sendo que ela é mais perfeita por não desrespeitar as leis que sustentam a sua própria harmonia. Falando aos homens, pedimos que respeitem a formação da vida física e, em seguida, respeitem a criança. Ela é o homem de amanhã e pede hoje que amemos a Deus sobre todas as coisas. Eduquemo-las, não somente com palavras, mas através do exemplo.


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