4 de mai de 2016

VIRTUDE III

255 –Devemos nós, os espiritistas, praticar somente a caridade espiritual, ou também a material?
-A divisa fundamental da codificação kardequiana, formulada no “fora da caridade não há salvação” , é bastante expressiva para que nos percamos em minuciosas considerações.
Todo serviço da caridade desinteressada é um reforço divino na obra da fraternidade humana e da redenção universal.
Urge, contudo, que os espiritistas sinceros, esclarecidos no Evangelho, procurem compreender a feição educativa dos postulados doutrinários, reconhecendo que o trabalho imediato dos tempos modernos é o da iluminação interior do homem, melhorando-se-lhe os valores do coração e da consciência.
Dentro desses imperativos, é lícito encarecermos a excelência dos planos educativos da evangelização, de modo a formar uma mentalidade espírita-cristã, com vistas ao porvir.
Não podemos desprezar a caridade material que faz do Espiritismo evangélico um pouso de consolação para todos os infortunados; mas não podemos esquecer que as expressões religiosas sectárias também organizaram as edificações materiais para a caridade no mundo, sem olvidar os templos, asilos, orfanatos e monumentos. Todavia, quase todas as suas obras se desvirtuaram, em vista do esquecimento da iluminação dos Espíritos encarnados.
A Igreja Romana é um exemplo típico.
Senhora de uma fortuna considerável e havendo construído numerosas obras tangíveis, de assistência social, sente hoje que as suas edificações são apenas de pedra, porquanto, em seus estabelecimentos suntuosos, o homem contemporâneo experimenta os mais dolorosos desenganos.
As obras da caridade material somente alcançam a sua feição divina quando colimam a espiritualização do homem, renovando-lhe os valores íntimos, porque, reformada a criatura humana em Jesus-Cristo, teremos na Terra uma sociedade transformada, onde o lar genuinamente cristão será naturalmente o asilo de todos os que sofrem.
Depreende-se, pois, que o serviço de cristianização sincera das consciências constitui a edificação definitiva, para a qual os espiritistas devem voltar os olhos, antes de tudo, entendendo a vastidão e a complexidade da obra educativa que lhes compete efetuar, junto de qualquer realização humana, nas lutas de cada dia, na tarefa do amor e da verdade.
256 –Como interpretar a esmola material?
-No mecanismo de relações comuns, o pedido de uma providência material tem o seu sentido e a sua utilidade oportuna, como resultante da lei de equilíbrio que preside o movimento das trocas no organismo da vida.
A esmola material, porém, é índice da ausência de espiritualização nas características sociais que a fomentam.
Ninguém, decerto, poderá reprovar o ato de pedir e, muito menos, deixará de louvar a iniciativa de quem dá a esmola material; todavia, é oportuno considerar que, à medida que o homem se cristianiza, iluminando as suas energias interiores, mais se afasta da condição de pedinte para alcançar a condição elevada do mérito, pelas expressões sadias do seu trabalho.
Quem se esforça, nos bastidores da consciência retilínea, dignifica-se e enriquece o quadro de seus valores individuais.
E o cristão sincero, depois de conquistar os elementos da educação evangélica, não necessita materializar a idéia da rogativa da esmola material, compreendendo que, esperando ou sofrendo, agindo ou lutando, nos esforços da ação e do bem, há de receber, sempre, de acordo com as suas obras e de conformidade com a promessa do Cristo.


Livro: “O Consolador” – Francisco C. Xavier – Emmanuel - Os livros espíritas como este, vendidos em nossa loja, terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira. 

3 de mai de 2016

PEDIDO DE PROVIDÊNCIA

Fui procurado por um amigo altamente preocupado com a questão mediúnica, que, com veemência, me abordou da seguinte maneira:
- Dr. Inácio, o senhor que vem escrevendo para a Terra, precisa tomar uma providência... Assim não dá! O bicho está pegando e a coisa está chegando ao cúmulo...
- ?...
- Estou me referindo à mediunidade... O pessoal anda extrapolando muito, Doutor?! Meu Deus do Céu! Que falta de senso, de discernimento, de sei lá o quê...
- ?...
- A Doutrina está sendo exposta ao ridículo – no Brasil e no Exterior! Foi só o Chico Xavier desencarnar, a turma está colocando as manguinhas de fora... Tenho acompanhado o assunto de perto e até eu, que sei que já estou morto, tenho começado a duvidar de minha própria imortalidade! O que muitos médiuns andam fazendo é um desserviço à Causa...
- ?...
- E todos estão usando o nome de Chico Xavier a valer – mentindo descaradamente! Estão dizendo que privaram com ele, que desenvolveram mediunidade com ele, que frequentaram a casa dele, que receberam “ordens” dele... O que se anda evocando o nome de Chico para endossar as suas loucuras na Doutrina é uma grandeza, ou melhor, uma safadeza! O senhor, ou alguém daqui de Cima, precisa tomar providência urgente...
- ?...
- Doutor, tem médium que não sabe se psicografa, se incorpora, se cura, se ouve, se vê... Tem médium “pintando e bordando o sete”! Como se não bastasse o contato com os humanos desencarnados, estão mantendo contato com extraterrestres – outro dia, eu soube de um médium que manteve relações sexuais com um extraterrestre! Doutor, onde é que nós vamos parar?!...
- ?...
- E o pior é que tem muita gente engolindo, Doutor! Gente boa, gente sincera, gente honesta... Os médiuns não andam se contentando com a mediunidade que tem!...
- ?...
- Eu soube de um médium que, antes de receber mensagens, está consultando o Google... A mensagem vem até com o número do CPF do morto! Meu Deus! Esse quer ser mais que Chico Xavier! Para mim, tinham que chamar o Sérgio Moro para esses médiuns...
- ?...
- O senhor não vai dizer nada – vai ficar o tempo todo calado?! Logo o senhor que é um homem tão positivo! Não, Doutor! A coisa anda feia: quem não quer dinheiro, quer fama; quem não quer fama, quer sexo; quem não quer sexo, quer viagem internacional...
- ?...
- Se não se colocar um basta nesses absurdos “mediúnicos”, a onda de descrença em torno da Doutrina irá se acentuar... Ninguém mais se contenta em ser mediumzinho – quer ser mediumzão! Poucos são os que querem dar passes nos doentes nos hospitais, receber os seus espíritos sofredores nas reuniões mediúnicas, exercitar a mediunidade por tempo longo no silêncio dos Centros Espíritas humildes... Agora é assim: psicografou, quer publicar livro! E é tal de se falar em “meu” Espírito Protetor disse isso, ou disse aquilo... Virou uma farra! Não é a “farra do boi”, mas é a do Belzebu!...
- ?...
- Afinal, o senhor vai tomar providência, ou não vai?!...
- Meu irmão – respondi –, para a gravidade do problema que você está expondo, a providência tem que ser de Ordem Divina, e não humana! Enquanto, porém, o Senhor não delibera empunhar o chicote e, de novo, expulsar os vendilhões do templo, só nos resta apelar para que ninguém consinta que os vendilhões transformem em mercado as nossas casas de oração!...

INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 2 de maio de 2016

2 de mai de 2016

União na Diversidade

Quando menino, lá no meu Ceará, ouvia dizer que muita gente não iria para o céu se não aceitasse a Jesus – e particularmente na sua igreja de preferência.
Ficava intrigado com tudo aquilo. Como é que pode ser que alguém vá para o inferno simplesmente porque não teve a oportunidade de conhecer a Cristo?
Eu encontrei Cristo, desde cedo, na Igreja Católica Apostólica Romana. Foi a minha forma e os outros como seriam?
Eu tive, posteriormente, a sorte de conhecer outros padres de outras denominações cristãs, pastores protestantes, espíritas e até amigos tive no seio da Umbanda. Todos eram meus colegas e irmãos em Cristo e não conseguia conciliar porque teria que haver disputas e ódios entre irmãos que, no fundo, desejavam o mesmo objetivo: ajudar a todos a se encontrarem com Deus.
Foi aí que passei a ter uma conduta mais ecumênica. A juntar todos, quando podia, em torno do Cristo. Ou de Deus, como fosse.
Quando me juntava a eles, por exemplo, num culto ecumênico, era de uma alegria tamanha tê-los ao meu lado a compartilhar dos mesmos ensinamentos.
Achava que Cristo ficaria com muito feliz vendo os seus irmãos juntos numa mesma causa.
Tive que me conter, várias vezes, para não passar a impressão de ser um bispo ecumênico por demais, afinal, os meus pares defendiam certa homogeneização da fé católica.
Esta alegria, meus caros, aumentou depois que “morri”.
Tive a oportunidade no lado de cá de me encontrar e trabalhar com diversos irmãos de caminho de outras paragens religiosas. Aliás, o que menos se preocupa por aqui é com a denominação a, b ou c. O que importa mesmo é o trabalho no bem.
Pois então, o que fiz e faço nesta vida é me juntar com todos que querem fazer algo de melhor para a humanidade. São belíssimos os encontros que já presenciei. E quando nos encontramos com esta diversidade é que nos sentimos verdadeiramente mais filhos de Deus.
A diversidade nos completa.
Não ficamos a defender princípios particulares, nem nos lembramos disto. O que fazemos é nos reunir em torno de uma causa e debatermos qual a melhor alternativa de solução e como cada um pode contribuir nesta direção.
Abraçamo-nos. Beijamo-nos. Congratulamo-nos o tempo todo.
É maravilhoso este convívio de irmãos e incentivamos que eles façam o mesmo aí entre vocês.
Queremos ver irmãos abraçando a mesma causa, independentemente das crenças particulares.
Infelizmente, o divisionismo ainda persiste no seio das igrejas cristãs, sobretudo naquelas que não aprenderam ainda a conjugar o principal ensinamento do Cristo: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
É isto o que humildemente fazemos aqui e aí.
Depois que escrevi estes livros, tenho sido convidado a participar, na contraparte espiritual do sistema, a eventos ecumênicos e fraternos. Quando não, apareço, a convite, em reuniões do Candomblé, da Umbanda, do Evangelismo e de outras correntes de pensamento. Tudo na mais absoluta tranquilidade e conforto.
E continuarei esta peregrinação com o Cristo ao meu lado, abrindo veredas para o amor entre os homens.
Um abraço,

Helder Câmara – Blog Novas Utopias

1 de mai de 2016

Reconstrução Moral

Brasília ferve. De todos os lados chegam notícias alvissareiras de que um novo governo se impõe e outro já gesta na República.
O que fazer diante dos críticos e daqueles que acreditam ser uma ruptura legal contra outros que defendem fielmente que a constituição foi desrespeitada?
Os embates continuarão sejam quais forem os desígnios deste ambiente de grande disputa pelo poder central.
Muitos acreditam que o que está por vir seja melhor do que o que aí está. Na verdade, os donos do poder atual mexeram com aquilo que de mais sagrado existe num povo: a sua esperança.
Quando um trabalhador do povo chegou ao poder supremo da nação imaginou-se que ele carregaria em si o peso da responsabilidade em traduzir em ações de governo os principais anseios populares. Houve avanços e isto é reconhecido por todos até mesmo daqueles que lhe faziam oposição. Hoje, no entanto, a história é outra e os mesmos que o acalantaram no passado são os primeiros a dar-lhe a chicotada do ódio e do desprezo.
A população assiste estupefata a tudo isso e deseja imediatamente melhoras. Já não aguenta mais tanto desaforo dos políticos que deveriam defender os seus interesses e, na verdade, defendem os próprios.
Os crimes de corrupção são notórios e beira à calamidade moral de um povo. Como se pode, ao longo de tantos anos, e de muitos governos, alimentarmos tão grandemente este dragão infame?
Nossos costumes morais foram abatidos, embora se falseie em dizer que isto é apenas o mal de um governo só. O nosso País, o grande Brasil, é objeto da delapidação privada há séculos e atualmente só se repete o mesmo catecismo de ontem.
O que fazer senão proceder a grande varredura moral em nossos governos federal, estadual e municipal. Se mais não fosse, que olhássemos ao menos daqui por diante e evitássemos com leis e a sua rigorosa aplicação que novos desmandos não fossem feitos.
O que é urgente, meus senhores, é a reconstrução moral de um País. Este é o desafio.
Mudar mentes, mudar procedimentos, mudar atitudes.
Todos estão acostumados em surrupiar um pedaço do Estado achando isto absolutamente normal. Não é. Nunca foi. E nunca será.
Temos todos, brasileiros nas duas faces da vida, que juntarmos as nossas mãos em torno deste propósito maior: a moralização da vida pública brasileira.
Desculpe, se em tantos textos que aqui escrevo, reporto-me sempre a mesma tecla. É que não enxergo, nem os meus pares do lado de cá, outra saída honrosa e definitiva para o nosso País.
Moralizar costumes. Moralizar hábitos. Moralizar ações.
Sem isto pouco avançaremos. Tudo continuará no mesmo lugar de antes.
Façamos esta revolução por dentro, isto é, a começar por cada um de nós. Se eu tiver moral e exercê-la na plenitude, um dia o País irá se moralizar. Se, porém, continuarmos a acreditar que nada tem jeito, tudo ficará como está. Mudarão os personagens, mas o enredo será exatamente o mesmo.
Moralizem os espíritos para que as instituições sejam moralizadas.
Pelo bem de todos nós.


Joaquim Nabuco – Blog Reflexões de um Imortal

30 de abr de 2016

PERDÃO E ESQUECIMENTO

Em matéria de perdão,
No que tenho refletido,
O melhor é que você
Jamais se sinta ofendido.
*
Não acumule rancor
Em seu próprio coração,
Que rancor acumulado
É doença e obsessão.
*
Quando se fala em “Alzheimer”,
Se há mágoas a contento,
Abençoado é aquele,
Que sofre de esquecimento.
*
Não é preciso clamar
Por justiça a se fazer,
Porque o mal lavra a sentença
Que ele mesmo vai sofrer.
*
Entre quem esquece o nome
Ante a memória a falhar,
Está muito mais doente
Quem não se lembra de amar.
*
Se esquecimento é doença,
Digo, em nome de Jesus,
Que esquecer qualquer ofensa
É uma dádiva de luz.


Eurícledes Formiga – Blog Espiritismo em Prosa e Verso

29 de abr de 2016

TRABALHO II

227 –Deus concede o favor a que chamamos graça?
-São tão grandes as expressões da misericórdia divina que nos cercam o espírito, em qualquer plano da vida, que basta um olhar à natureza física ou invisível, para sentirmos, em torno de nós, uma aluvião de graças.
O favor divino, porém, como o homem pretende receber no seu antropomorfismo, não se observa no caminho da vida, pois Deus não pode assemelhar-se a um monarca humano, cheio de preferências pessoais ou subornado por motivos de ordem inferior.
A alma, aqui ou alhures, receberá sempre de acordo com o trabalho da edificação de si mesma. É o próprio espírito que inventa o seu inferno ou cria as belezas do seu céu. E tal seja o seu procedimento, acelerando o processo de evolução pelo esforço próprio, poderá Deus dispensar na Lei, em seu favor, pois a Lei é uma só e Deus o seu Juiz Supremo e Eterno.

228 –A auto-iluminação pode ser conseguida apenas com a tarefa de uma existência na Terra?
-Uma encarnação é como um dia de trabalho. E para que as experiências se façam acompanhar de resultados positivos e proveitosos na vida, faz-se indispensável que os dias de observação e de esforço se sucedam uns aos outros.
No complexo das vidas diversas, o estudo prepara; todavia, somente a aplicação sincera dos ensinamentos do Cristo pode proporcionar a paz e a sabedoria, inerentes ao estado de plena iluminação dos redimidos.


Livro: “O Consolador” - Francisco C. Xavier – Emmanuel - Os livros espíritas como este, vendidos em nossa loja, terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira.

28 de abr de 2016

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

    I. O QUE É CARIDADE?
     Caridade é a expressão do amor pelo próximo.
     "Faço o que quero" é a filosofia de quem ainda é materialista e egoísta.
     Nela, não há qualquer respeito pelo semelhante.
     "Não faço aos outros o que não quero que façam a mim" é a filosofia da pessoa comum, de mediana evolução espiritual. Nela, já há respeito pelos semelhantes, certo senso de justiça.
     "Faço aos outros o que quero que façam a mim" é a filosofia da pessoa caridosa. Nela, há não só respeito para com os semelhantes mas também uma benévola disposição íntima em favor deles, que leva a servi-ls em puro sentimento de solidariedade.

    II. SUAS CARACTERÍSTICAS
     Diz o apóstolo Paulo, na I Epístola aos Coríntios (cap. 13 vs. 4 a 7) que a caridade é:
     - paciente: persevera tranqüilamente na disposição de ajudar;
     - benigna: benfazeja, só faz o que é bom;
     - não é invejosa: quer o bem para o seu semelhante, portanto não inveja o que ele esteja conseguindo, realizando ou recebendo de bom;
     - não se ufana: não se vangloria de si mesma ou do bem que faz ("Não saiba a sua mão esquerda o que faz a sua mão direita");
     - não se ensoberbece: não se coloca acima do seu semelhante, não se julga melhor nem com mais direitos do que as outras criaturas;
     - não se porta inconvenientemente: não age de modo precipitado, temerário, nem indecoroso;
     - não busca o seu interesse: o que faz é pensando unicamente em beneficiar o próximo;
     - não se irrita: não se altera por coisa alguma (incompreensão, maledicência, ingratidão, indiferença), nem perde o gosto de praticar o bem;
     - não se alegra com a injustiça: enquanto houver injustiça não pode haver verdadeira paz e felicidade para ninguém;
     - não suspeita mal: não atribui maldade ao próximo não pensa mal dos outros nem fala mal de ninguém;
     - mas rejubila-se com a verdade: porque esta é a pedra de toque de todas as realizações e o bem básico para todas as criaturas  ("Seja o vosso falar sim, sim, não, não");
     - tudo sofre: recebe o mal sem revidá-lo, desculpa sempre ("Pai, perdoa-­lhes, porque eles não sabem o que fazem");
     - tudo crê: confia em Deus e também nas pessoas, pois são criação divina (Jesus a Judas, no horto: "Amigo, a que vens?");
     - tudo espera: porque na lei divina o bem sempre terá natural retribuição e mesmo o mal, se bem enfrentado e suportado, resultará num bem;
     - tudo suporta: agüenta dificuldades e dores, aceita encargos e responsabilidades, mantém serviços e tarefas. ("Aquele que perseverar até o fim será salvo".)

    III. NECESSIDADE DA CARIDADE
     É por desígnio divino que vivemos em sociedade, porque, assim, nossas qualidades se complementam umas às outras e podemos nos auxiliar mutuamente.
     Sem a caridade, porém, o egoísmo impera, ninguém respeita nem ajuda a ninguém, tornando o viver mais difícil, doloroso e triste.
     Somente praticando a caridade (sendo fraternos e estando dispostos a nos ajudarmos mutuamente) chegaremos a nos realizar inteiramente, tanto por desenvolver as virtudes e qualidades que trazemos em potencial, como por alcançarmos um relacionamento bom e profundo com nossos semelhantes. E, também, conseguiremos construir um mundo melhor, mais solidário e feliz.
     A caridade é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo, justamente os maiores obstáculos ao progresso moral, nosso e da sociedade.
     Por isso, dizia ainda o apóstolo Paulo (I Cor. 13 vs. 1-3):
     "Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que tine.
     "Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que possua a fé em plenitude, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou.
     "Ainda que distribua todos os meus bens em esmolas e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver caridade, nada me aproveita."
     Jesus ensinou que devemos "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". Mas ninguém ama a Deus sem amar o seu próximo (que é obra do próprio Deus). "Se alguém diz que ama a Deus e não ama ao seu próximo é um mentiroso, pois se não ama ao próximo, a quem vê, como pode amar a quem não vê?" (Jo. 4:20.)
     O apóstolo Paulo concluiu seus comentários sobre a caridade, dizendo:
     "Agora, pois, permanecem estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade; porém a maior delas é a caridade".
     O Espiritismo, concordando com os ensinos evangélicos, adota por lema: "Fora da caridade não há salvação".

    IV. COMO PRATICAR A CARIDADE?
     Pensar no semelhante, procurar propiciar o que ele precisa ou o que possa contentá-lo legitimamente.
     Caridade material
     É a que se faz com coisas materiais.
     Dar do supérfluo que se tem, daquilo que nos sobra, é apenas dever.
     Dar, visando algum interesse, não é a caridade, é barganha, é troca.
     Quando se quer mesmo ajudar ou contentar alguém em sentimento caridoso, damos até o que não é supérfluo para nós, do que nos é necessário e até do que nos faz falta. Ex.: a esmola da viúva pobre. (Mc. 12 v 42-44.)
     A fim de que a caridade material não seja humilhante para quem dela precisa, juntar ao que se dá palavras gentis, um sorriso, uma vibração de amor.
     Se possível, fazer que a pessoa se sinta produzindo algo em troca ou, de alguma maneira, ajudando a nós ou a outros, para preservar assim sua dignidade pessoal.
     Caridade moral
     Todos podem praticá-la, pois todos podem dar de si mesmos, de seu tempo, de seu trabalho, de seu conhecimento, de sua inteligência ou aptidões, de sua atenção, de sua tolerância, de sua indulgência, de seu perdão, de seu consolo, de seu amparo, simpatia, sorriso, de sua orientação, de seu amor.
     A prática de qualquer virtude em benefício de alguém é caridade.
     É caridade, em alto grau, ajudar alguém a equilibrar-se, desenvolver-se e ser capaz de bastar-se material ou espiritualmente. (Não apenas dar o peixe mas ensinar a pescar.)


Livro consultado: - "O Evangelho segundo o Espiritismo", cap. XV. de Allan Kardec - Os livros espíritas, como este vendidos em nossa loja, terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira.