24 de mar de 2017

A nova torre de Babel.

O Espiritismo é o Cristianismo da idade moderna; ele deve restituir às tradições seu sentido espiritualista. Outrora, o Espírito se fez carne; hoje, a carne se faz Espírito para desenvolver a idéia gigantesca que deve renovar a face do mundo. Mas à festa da criação espirita sucederão a perturbação e o orgulho dos sistemas diversos, que, desprezando os sábios ensinamentos, planejarão uma nova torre de Babel, obra de confusão, logo reduzida a nada, porque as obras do passado são a garantia do futuro, e nada se dissipa do tesouro da experiência amontoado pelos séculos. Es­píritas, formai uma tribo intelectual; segui vossos guias mais do­cilmente do que não fizeram os Hebreus; viemos também vos livrar do jugo dos Filisteus, e vos conduzir para a Terra Prometida. As trevas das primeiras idades sucederá a aurora, e ficareis maravi­lhados de compreender a lenta reflexão das idades anteriores so­bre o presente. As lendas reviverão energicamente como a rea­idade, e adquirireis a prova da admirável unidade, garantia da aliança contratada por Deus com suas criaturas.

Revista Espírita - ano 6 - 1863 - Allan Kardec - médium Sra. Costel - espírito SÃO LUÍS

23 de mar de 2017

A música e seus efeitos

    PERGUNTA: - Quando lemos obras mediúnicas que nos falam de "melodias" que fluem do Espaço e ressoam "misteriosamente", temos a impressão de que elas provêm espontaneamente do Cosmo, mas sem qualquer intervenção de inteligências espirituais. Estamos certos, ou essas melodias são executadas por entidades angélicas?
    ATANAGILDO: - Na ascensão espiritual, a alma vai aprendendo e criando, conforme o desenvolvimento de sua consciência. Se o selvagem traduz as suas emoções através do "tamtam" monótono, a emotividade do Arcanjo só se revela através de uma sinfonia indefinível para o vosso entendimento ainda muito acanhado. A música é um prolongamento vivo da alma e é mensagem afetiva e apreciada em qualquer região cósmica em que se manifeste, tanto quando se resume apenas num punhado de sons brutais que se afinam à natureza rude do zulu, como quando se transforma numa encachoeirada fusão de melodias vibrando num oceano de sons, para servir de pouso às esferas rodopiantes e enlevo sideral aos arcanjos constelatórios. É um cântico divino e sublime da vida, que o Criador inspira à alma para acelerar a sua ventura eterna. Deus, o Regente Cósmico, organiza e dirige a orquestra sinfônica sideral sob a sua batuta eterna; mas, à semelhança da Poesia, da Beleza, da Inspiração, o êxtase que a música produz tende a se manifestar gradativamente à consciência do espírito. Deste modo, haveis de compreender que a música celeste está tão distante para vós quanto as "Tocatas" e "Fugas" de Bach ou "Tannhauser" de Wagner estão distantes do batuque do selvagem. É melodia indescritível, que expressa a harmonia das esferas celestiais, das suas humanidades angélicas e da própria criação do universo. O papel importantíssimo da música sobre as nossas almas é o de "desmaterializar" a nossa personalidade inferior, para eclodirem em nós os sentimentos definitivos do anjo criador. Ela apura a nossa emotividade e adoça a razão, impelindo-nos para realizações as mais pacíficas e generosas. Assim como a melodia terrena vos transmite o sentimento ou a emotividade do seu autor ou compositor, a música celeste cumpre o mesmo objetivo, trazendo em suas asas magistrais a mensagem sonora dos arcanjos e do próprio Deus! Como fazer-vos compreender tal grandiosidade através apenas dos singelos sinais gráficos da linguagem reduzida do homem encarnado? Visto que, para sentirdes essa música tão elevada, necessitaríeis fundir-vos com o potencial harmônico que estivesse vibrando no éter, para o qual não possuís ainda a sensibilidade desenvolvida, é óbvio que também não a podereis entender em vosso atual estado de evolução espiritual.
    PERGUNTA: - Podeis nos explicar o que vem a ser "música celeste"? Há alguma diferença entre ela e a música que conhecemos?
    ATANAGILDO: - É certo que poderíeis fazer uma idéia aproximada da música celeste, mas tão-somente da que se executa nas comunidades ou nas metrópoles astrais e que, embora de padrão musical superior, sempre lembra algo semelhante ao que ainda se executa na Terra. Por isso os desencarnados de nossa esfera sempre se enternecem com certas melodias que lhes dizem algo familiar à alma; se ouvissem apenas composições estranhas, sem se aperceberem da profundidade do seu sentimento e se afinarem psicologicamente à sua mensagem de sons, é certo que haviam de se desinteressar delas e com bastante razão. As criaturas que na Terra eram apaixonadas pelas composições beethovenianas, que se deliciavam ouvindo a "Heróica", a "Pastoral" ou a "Coral" - é fora de dúvida - ainda viverão indescritíveis momentos de êxtase espiritual, quando na metrópole do Grande Coração puderem ouvir essas mesmas composições através de instrumentação superior a tudo o que já conheceis no mundo físico. Do mesmo modo, também descobrirão novas nuanças e riquezas de interpretação que desconheciam na Terra.
Mas para além das comunidades espirituais do astral próximo da Terra, a música celeste é alimento predileto dos anjos, e se encontra muitíssimo distante de nossa atual execução sideral. Não existe cérebro encarnado capaz de entendê-la pelos sentidos humanos, assim como também não pude encontrar alguém, por aqui, que ma pudesse explicar satisfatoriamente. A sua exata compreensão só é possível depois que tenhamos passado pela experiência pessoal de senti-la, pois a música celeste, na verdade, não se prende à pauta e ao tempo, nem obedece às regras traçadas pela limitação dos sentidos humanos. Como se poderia demonstrar a eloquência, a força e a grandiosidade da "Quinta Sinfonia" de Beethoven a quem apenas aprecia o samba? De que modo servos-ia possível sentir a música celeste, que é completamente liberta de qualquer inspiração terrena ou de regras por vós conhecidas, comparando-a com os "ruídos" agradáveis da música humana?
    PERGUNTA: - A música celeste é, então, uma maior expressão de harmonia; não é assim?
    ATANAGILDO: - Não encontro vocábulos para defini-la; se quiserdes, imaginai a música sem instrumento e produzida pela combinação dos ritmos e das pulsações criadoras do próprio Pai. Sem dúvida, a música é sempre a intérprete da harmonia, a começar pela mais sutil vibração;


Livro: Sobrevivência do Espírito - Hercilio Maes - Ramatis e Atamagildo

22 de mar de 2017

FONTE DA SIMPATIA

Questão 387 do Livro dos Espíritos

A verdadeira fonte da simpatia não é precisamente a recordação de vidas anteriores; ela pode advir de analogia de ideias. São pensamentos compatíveis que se entrelaçam uns aos outros, se vindo de canais para a amizade, no entanto, quando os laços são muito fortes, isso é prova de que vêm de vidas passadas.
Não temos simpatia somente por uma pessoa; ela pode crescer e atingir muitas almas encarnadas e desencarnadas. Os Espíritos que acompanham os desencarnados quase sempre o fazem pela simpatia. A própria obsessão é por sintonia de pensamentos. Quando um dos envolvidos se modifica, o outro não tem mais razão de acompanhá-lo e sente-se desligado por falta de afinidade.
O espírita que assimila realmente a Doutrina dos Espíritos e que começa a modificar sua vida, encontra com isso a simpatia de muitas almas, na carne e fora dela. Aquele que muda exteriormente, cria predisposição para mudança interna. Quem se esforça para amar, encontra nos seus caminhos pessoas da mesma natureza. Há uma citação nascida no oriente que assim expressa: “Dize-me com quem andas, que te direi quem és”, porque atraímos de conformidade com os nossos sentimentos.
No mundo espiritual também, e bem mais que entre os homens, granjeamos amigos pela lei de afinidade; onde nos interessamos a trabalhar, os que ali operam são nossos semelhantes. Quando nos dispomos a conhecer Jesus, os que conhecem criam simpatia conosco, por vibrarmos na mesma sintonia de vida. A fonte de simpatia começa com a nossa frequência no plano em que buscamos entender e servir.
Se começamos a pensar nas inferioridades, entramos em comunhão com a sombra e passamos a viver com ela. O Cristo veio ao mundo para nos ensinar a sintonizar com a Luz, e termos simpatias com amor. A simpatia não tem somente uma fonte geradora: ela nasce onde há semelhança de vida e compatibilidade de exemplos.
O Evangelho começa a atuar em nossos corações, nos induzindo à indulgência para com os nossos companheiros, da forma que o perdão nos apresenta. Devemos ponderar nossas faltas, antes de vermos e propagarmos as faltas alheias. Nessa avaliação é que sentimos paciência e tolerância de uns para com os outros, na certeza de que todos somos irmãos e filhos do mesmo Pai.
Os Espíritos afins se ligam por profunda simpatia, no entanto, podem se separar se alguns mudam de ideia. A afinidade é lei de harmonia em todo universo de Deus. Apreciemos pois, com bastante interesse, o que foi feito por Deus em todos os aspectos da vida, que logo compreendemos a Sua magnânima vontade. Criemos uma fonte de simpatia para com os benfeitores espirituais na ordem do amor, para que esse amor se transforme em caridade na verdadeira fraternidade universal, que não esquece a alegria pura, fonte de saúde e paz para todos os corações em ascensão espiritual.
A simpatia de luz é aquela que temos com o perdão, que gera alegria; é a que temos com indulgência, que gera amizade; é a que temos com o trabalho, que gera conforto; é a que temos com a benevolência, que gera tranquilidade; é a que temos com amor, que gera felicidade.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

21 de mar de 2017

REVELAÇÃO – RELIGIÕES - VIII

         306 – “E tudo o que pedirdes na oração, crendo o recebereis” – Esse preceito do Mestre tem aplicação igualmente, no que se refere aos bens materiais?
         -O “seja feita a vossa vontade”, da oração comum, constitui nosso pedido geral a Deus, cuja Providência, através dos seus mensageiros, nos proverá o espírito ou a condição de vida do mais útil, conveniente e necessário ao nosso progresso espiritual, para a sabedoria e para o amor.
         O que o homem não deve esquecer, em todos os sentidos e circunstâncias da vida, é a prece do trabalho e da dedicação, no santuário da existência de lutas purificadoras, porque Jesus abençoará as suas realizações de esforço sincero.
        307 –Por que disse Jesus que “o escândalo é necessário, mas aí daquele por quem o escândalo vier?”.
         -Num pano de vida, onde quase todos se encontram pelo escândalo que praticaram no pretérito, é justo que o mesmo “escândalo” seja necessário, como elemento de expiação, de prova ou de aprendizado, porque aos homens falta ainda aquele “amor que cobre a multidão dos pecados”.
         As palavras do ensinamento do Mestre ajustam-se, portanto, de maneira perfeita, à situação dos encarnados no mundo, sendo lastimáveis os que não vigiam, por se tornarem, desse modo, instrumentos de tentação nas suas quedas constantes, através dos longos caminhos.
        

Livro “O Consolador” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

20 de mar de 2017

SOMOS TODOS REFUGIADOS/IMIGRANTES

Ante a polêmica internacional a respeito dos refugiados/imigrantes, suscitada, ultimamente, pelo recém-Presidente eleito do EEUU, uma pergunta nos surge espontaneamente: - Sobre a Terra, quem, de certa maneira, não pode ser considerado na condição de um refugiado/imigrante?!
A quem, originalmente, pertencia os diversos países, a não ser aos nativos, que foram, sucessivamente, espoliados pelos invasores?!
Desde que Adão e Eva foram expulsos do Paraíso, todos os homens são refugiados/imigrantes na Terra.
Sob a ótica da Doutrina Espírita, à semelhança do que conta Jesus na Parábola do Filho Pródigo, todos somos espíritos errantes, na tentativa de retornar à Casa Paterna.
Vejamos a Sabedoria de Deus, na Lei da Reencarnação: a rigor, quem pertencerá a esse ou àquele planeta, país, raça, sexo, cultura, etc?! Periodicamente, no corpo ou fora dele, não vivemos na condição de refugiados/imigrantes, a fim de que aprendamos o amor universal?!...
Neste sentido, no livro “Nosso Lar”, com a sua própria experiência de espírito desencarnado, André Luiz, igualmente, nos transmite extraordinária lição.
Em “Nosso Lar”, o grande cientista, era também um estrangeiro, não dispondo sequer de uma casa para morar.
Além da morte do corpo carnal, não se deparou ele, de imediato, com nenhum de seus familiares, ou mesmo de amigos mais chegados que se dispusessem a acolhê-lo.
Por caridade, ou seja, pelo exercício da legítima fraternidade, que nos ensina que todos somos membros da mesma família humana, é que André foi convidado a morar na casa de Dona Laura, mãe de Lísias, que ele conhecera no hospital, onde, na condição de indigente, estava sendo tratado.
Vocês se recordam da beleza dessa magnífica lição?!
Um dia, com certeza, todos os homens se verão assim, do Outro Lado da Vida, à mercê da generosidade alheia.
Não é exatamente assim que nos vemos, quando a reencarnação nos encaminha de volta a Terra, totalmente indefesos, na completa dependência de quem, inclusive, nos dê alimento na boca para que possamos sobreviver?!
A discussão política em torno da questão social dos refugiados/imigrantes sinaliza o quanto ainda há de preconceito no espírito do homem, e o quanto ele ainda está distante do “amai-vos uns aos outros”.
Quando fugia da fúria de Herodes, a fim de não ser morto, não foi o Cristo um exilado em terras do Egito?!
Durante mais de quatro séculos, o povo judeu morou no Egito dos faraós, e hoje, sistematicamente, nega um pedaço de terra aos palestinos, que são seus irmãos.
Até hoje, ao que nos parece, Sara não conseguiu relevar a falta cometida por Abraão, por ele ter tido um filho com Agar, a escrava, não reconhecendo que Ismael e Isaque são irmãos.
Ao que nos parece, até que a lição, que a Lei Divina está proporcionando à Humanidade com a questão refugiados/imigrantes, possa ser assimilada, haverá para ela muito pranto e ranger de dentes.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 20 de março de 2017.

19 de mar de 2017

A INCREDULIDADE E A REALIDADE DO ESPÍRITO

     "Tomé, chamado Dídimo, um dos doze, não estava com eles, quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele respondeu: Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos e não puser a minha mão no seu lado, de modo algum hei de crer.
     "Oito dias depois estavam outra vez ali reunidos seus discípulos e Tomé com eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se em pé no meio deles e disse: Paz seja convosco. Em seguida disse a Tomé: chega aqui o teu dedo e olha as minhas mãos; chega também a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. Respondeu Tomé: Senhor meu e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Creste porque me viste? Bem-aventurados os que não viram e creram."    (João, XX, 24-29. )

     O amor de Jesus excede a todo o entendimento humano. Na sua abnegação e no desejo que mantinha de fazer crentes sinceros, não mediu as exigências do apóstolo Tomé, que disse só acreditaria na sua ressurreição ou sobrevivência se o visse e o examinasse.
     E Jesus, completamente materializado, torna-se visível e tangível ao seu discípulo, satisfazendo assim os imperiosos desejos que ele tinha de alicerçar sua fé sobre provas positivas. Ensinou mais o Mestre: que essa fé não era negada a quem quer que fosse, e aqueles que acreditavam sem ver já se achavam amadurecidos na crença, pois que já haviam observado fenômenos, não tendo mais necessidade de provas positivas; por isso mesmo eram bem-aventurados.
     Como se verifica, o modo de proceder de Jesus está em completo antagonismo com o dos sacerdotes das múltiplas igrejas esparsas pelo mundo. Enquanto estes exigem uma fé cega nos seus dogmas, Jesus procura demonstrar a verdade com fatos palpáveis.
     O Mestre não exige a escravidão da razão, o abastardamento do sentimento, antes respeita e proclama o livre-arbítrio de cada um, atributo este concedido à criatura para seu progresso moral, científico e religioso. Consentindo Jesus que o seu apóstolo o examinasse para poder crer na ressurreição, preveniu também a todos, por certa forma, que o Consolador, o Espírito da Verdade, que ele enviaria em nome do Pai, reproduziria a sua doutrina não só com palavras, mas com fatos da mesma natureza por ele produzidos. A religião não consiste só em palavras e fatos.
     "Assim como eu fiz, fazei vós também, disse o divino Mestre a seus discípulos, porque eu fiz para vos dar o exemplo."
     Em suas pregações dizia sempre Jesus aos que o seguiam: "Aquele que crê em mim, rios de água viva manarão de seu ventre", aludindo assim ao Espírito que deveria ser dado a todos que o seguissem. Sem comunicação não há Revelação, e sem Revelação o homem material, ignorante, orgulhoso, egoísta, não poderia ocupar-se com assuntos que se referem à sua vida espiritual; retardaria o seu progresso e sua felicidade.
     Assim como não pode haver fraternidade e paz sem religião, não pode também haver religião sem comunhão espiritual.


Livro: Parábolas e Ensinos de Jesus - Cairbar Schutel

18 de mar de 2017

LIÇÕES DA VIDA

Quem mais luta, quem mais chora,
Mais se doa e compreende,
É também, caminho afora,
Quem mais luz na Terra acende.
*
Sábia lição que convém
Sempre passar em revista:
Quem quer a posse, não tem,
Quem renuncia, conquista.
*
Perante o tempo a correr,
É só questão de esperar:
Quem faz sofrer, vai sofrer;
Quem bateu, vai apanhar.
*
Mil vezes na humana liça,
Por mais alto seja o custo,
Sofrer qualquer injustiça,
Que uma só vez ser injusto

Eurícledes Formiga

(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de sábado do dia 11 de março de 2017, em Uberaba – MG).